Já ninguém diz bom dia com desejo...
Já ninguém sente saudade.
Tudo corre...
Todos correm.
Abraçar e beijar com vontade,
Sorrir com o teu beijo...
Tudo corre...
... morrem.
Liliana
domingo, 13 de janeiro de 2008
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... tu a inalares-me novamente...
eu entre os teus dedos, eu entre os teus lábios. eu confusamente um cigarro …
eu já sem fogo.... eu de volta ao cinzeiro.
eu que recuo e avanço. eu que me permito arder por algum tempo. eu que me permito arder por algum tempo. eu que me permito arder por algum tempo.
eu que já estava quase boa, quando tu chegas novamente e me pegas outra vez.
…
E já foi há uns anos que tu… lhe percorrias o corpo com as mãos, que tu… excitadíssimo… que tu… suado de prazer… que o teu corpo nu junto ao dela.
…
Eu que quero o teu corpo nu no meu. Eu as tuas mãos excitadas, eu prazer suado entre os teus gemidos quentes.
…
Não me desarrumes, não me confundas, não me baralhes
…
Apetece-me cuspir e mandar-te fora da minha vida… apagar-te, Mas vens-me à cabeça com toda a força.…
tenho
VOLTASTE.
À minha tela.
Mesmo sem eu te pingar de tinta.
Mesmo sem eu abrir a caixa dos pincéis.
Eu que além de já ter fechado a gaveta à chave, tinha ainda perdido a chave.
Perdido! Num desses dias em que um sapato mais distraído e zás! Lá se vai a chave para debaixo do móvel.
Eu a pensar: Deixa estar. Não te dobres. É da maneira que não tens a tentação de abrir a gaveta.
E deixei estar. Não me baixei.
E agora vens tu, desarrumar-me a casa, mudas os móveis de sítio, encontras a chave, todo um sorriso só, confiante, ar glorioso, a espetar com ela na palma da minha mão.
Engulo em seco.
Tu não percebes. Ou finges.
E agora… e agora só tenho o trabalho de rodar.
E qual tentação qual quê. Já estou de gaveta aberta, e zás, tu novamente do lado de fora.
A pingar-me memórias, a borrar a minha pintura, a sujar os meus pincéis, pendurado outra vez na minha parede…
E os meus sentimentos que não apodreceram. Nem sombras. Nem rés. NADA. nadinha.
O raio dos sentimentos estão exactamente na mesma, nem um cheirito a mofo, nem uma ponta de bolor...
NADA.
NEM UM BOCADINHO ESTRAGADOS, amolecidos, desintegrados, desarranjados.
NADA.
Ali. Todos por inteiro, e a puta da natureza no seu melhor.
A puta da natureza a não me deixar chorar, para que eles fossem com os freáticos, os lençóis, os lixiviados, e o raio!
NADA.
Eu com tudo cá dentro.
A NÃO APODRECER.
Nesta merda de eternidade eterna, que nunca acaba.
E vem-me ao lápis:
Os teus lábios, os teus dentes, a tua língua, a tua boca toda; os teus gestos, os teus olhos, o teu cabelo, o teu corpo; tu todo.
IGUAL.
Não mudou NADA.
Tu todo o mesmo. Igual. Nem uma ruga, nem uma imperfeição. NADA.
Tu, sem apodreceres… Nem sombras. Nem rés.
Nem um pêlo a mais.
Tu, NEM UM BOCADINHO ESTRAGADO, amolecido, desintegrado, desarranjado.
NADA.
Ali. Todo por inteiro, e a puta da natureza no seu melhor.
A puta da natureza a não me deixar chorar, para que TU FOSSES com os freáticos, os lençóis, os lixiviados, e o raio!
NADA.
Eu com tudo DE TI cá dentro.
A NÃO APODRECERES.
Nesta merda de eternidade eterna, que nunca acaba.
ISTO TUDO e eu inteira. A não chorar. A não expelir.
Eu que fazia tudo IGUAL. Contigo. Outra e outra e outra e outra vez outra vez, vês, vês?, sim, ainda.
…
porque isto tudo ainda não apodreceu cá dentro.
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Etiquetas: Carla Veríssimo
sábado, 12 de janeiro de 2008
o meu piano
Escrevi um piano,
negro-branco.
Um piano.
Só os dedos são coloridos,
sombras pintadas,
cor-sangue,
atados,
doloridos,
derretidos,
no piano,
no escuro.
Sopra,
sozinho,
silêncios-muro.
Escrevi um piano,
cigano,
bailarino,
sem palavras,
lento,
negro-branco,
sem banco,
ao engano …
Toca,
o piano,
ao vento,
só,
sem palco, nem encanto.
Chora,
o piano,
hora a hora,
sem tempo,
lágrimas de pó.
Escrevi um piano,
Negro-branco,
Sem dó!
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Etiquetas: almaro
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
O Poder
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Etiquetas: artes plásticas, M.Glória pintora
Partilha
O teu sorriso lindo
a certeza com que trabalho as palavras
e preparo a tua reacção
e o branco
que dividimos ao meio
uma metade para as tuas serpentinas
a outra para os meus espelhos.
Também aqui
www.mentequebrilhas.blogspot.com
Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 23:01 0 opiniões
Etiquetas: Miguel Alves, palavras, prosa poética
Uma bomba relógio no peito
fechares
os olhos,
meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.
fechados dentro
da minha mão.
quantos ciclones
queres?
nos outros a
ternura, mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.
rebeldes por
sistema,
a sonhar uma
revoluçao por dia.
à tardinha,
na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.
apaixonado
carregava, às
escondidas,
uma bomba
-relógio. era
no peito. era o
coração.
Dez, nove, oito, sete
Cresces
Seis, cinco, quatro
E entras dentro de mim
Três, dois, um
Fogo de artifício.
Constelações de estrelas.
O teu olhar que queima.
Música: Naifa]
Colocado aqui mui gentilmente por Andreia à(s) 00:27 4 opiniões
Etiquetas: A Naifa, autores blogue das artes, Canção, fotografia, poesia
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Quando anjos e poetas descem à terra lado a lado...

Se um dia um anjo descer à terra e um poeta o encontrar...
Terá no seu rosto linhas dos teus traços e no olhar essa candura ilimitada que na tua alma não parece conhecer um fim...
Terá braços fortes como os ramos das árvores que enquadras com os teus olhos e com bondade fazes crescer...
E os seus abraços?
Os abraços serão como raízes entrelaçadas à volta de um corpo até sentir a carne presa aos dedos a amadurecer .
Asas deve ter!
Porque todos os anjos têm asas e os poetas já nasceram com uma vontade ilimitada de voar...
Talvez as guarde em segredo às escondidas...
Gentilmente apertadas junto ao peito à espera de uma ave magoada que o queira acommpanhar às cegas num voo nocturno...
Talvez não goste de mar por ser revolto demais..
Talvez as tempestades lhe recordem a força dos seus sentidos e isso o apavore...
Talvez ame a lucidez das ondas...que sabem ser infinitas e morrer sem olhar para trás,lamentando o que ficou ainda por fazer numa vida curta.
Se calhar já viveu muitas viagens no corpo com a escuridão mergulhada em si...
Conheço-lhes os passos,porque já ali também andei..meio perdida e sombria caminhando por entre lágrimas e indiferenças solitárias.
E se o sol o encontrar sentado com a solidão num banco velho de um jardim ?
Esquecerá por momentos a lua e toda a imensidão de noite que habita num poeta que anseia florir sem deixar mais pétalas caídas no chão?
Como se quebram dois corações envidraçados sem sentir nenhum estilhaço restando sobre a pele?
Ainda hei-de encontrar uma solução...afinal sou poeta no corpo e da profundidade tenho sobras a jorrar da alma...
E há livros que não li mas quero escrever de mansinho...
E existem horas brancas onde refugiar todas as nuvens cinzentas de um céu menos azul...
E tantos...mas tantos pensamentos que em mim não dormem...
Mas talvez na cumplicidade de um sonho eu consiga imaginar tudo o que o meu coração quiser.
Eu sei que no meu desespero pedi desejos agarrada às estrelas só porque a chuva doía quando caía cá dentro...Sei que pedi que a dor não fosse tão impossível de acarinhar...que os sorrisos não dependessem mais da minha tolerância ao espelho...
Das sombras de uma boca...
Lembro-me de ter lavado a negritude das noites com a acidez do meu pranto...de ter deixado a escuridão tão mais limpa e pura..de ter esfregado os sofrimentos contra os dedos noites sem fim na esperança de os ver trespassados na ponta da caneta.
Tantas folhas ficaram em branco porque a minha mente desmaiou sem forças para seguir em frente...
Talvez seja a sina de um poeta..ter o choro nas palavras e os sentimentos na ponta da letra,até que um anjo estranho às realidades da terra procure num poeta escavar o abrigo de um sonhador...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
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Etiquetas: daniela pereira, devaneios
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Miguel Loureiro e «Os Persas»

«Os Persas / indícios» é a apresentação de uma primeira fase de trabalho sobre a tragédia histórica de Ésquilo. Miguel Loureiro lança, com outros seis actores, alguns indícios possíveis para uma leitura cénica da peça sendo o ponto de partida a exploração das várias dimensões que o texto oferece. As interpretações são de Bruno Simão, Carina Reis, Inês Nogueira, Luz da Camara, Martim Pedroso, Miguel Loureiro e Tiago Barbosa. Este primeiro resultado poderá ser visto a partir de dia 17 de Janeiro, de Quarta a Domingo, pelas 22h30 no 120 da Poço dos Negros, o novo espaço de trabalho da Companhia Cão Solteiro. Para reservar bilhetes basta marcar o número 926 059 342.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Duas artes fundidas

Fotografia "Espelho Meu" do Fotógrafo Mário Godinho
Deste lado do espelho
Mora um eu que nunca fui
A imagem reflectida
De um eu que eu já não sou.
Deste lado do espelho
Sou só eu e a solidão
Nada há para além de mim.
Deste lado do espelho
É assim que deve ser
Mas é a mim que me vejo.
Do outro lado do espelho
Entre mar vivo de gente
E uma palavra na mão.
(poema citado de Jorge Castro)
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Etiquetas: poesia fotografia
Poesia e fotografia versão experimental
Eras como o cão no veterinário. Trazias na cabeça um funil invertido para não te lamberes(como se as costelas não te impedissem)
. Há já muitos anos que tentavas poesia, mas deixá-la em paz
(como ao cão que lambe os tomates)
, que é já tão fácil fazer, tão fácil compor. Mas não tinhas fotografias tratadas, imagens de braços abertos e poemas de amor
(e escreveste sobre o cão com o funil que não se conseguia lamber)
como quem escreve sobre si mesmo depois de vir do médico a retomar maleitas antigas e recentes.
Isto é prosa poética com origem na produção “Kranker Hund” de Michael Sowa.
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Etiquetas: Ekphrasis, fotografia, Michael Sowa, poesia, Vodka e Valium 10
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Equilibrio precário 1
Se cada um de nós puder satisfazer uma mera necessidade do Planeta Terra, mesmo esquecendo todos os desastres naturais (em minoria) e provocados (a maioria) talvez se mude algo de forma muito limitada. Era preciso liquidar quem quer que mande.
Mas o que se vê por aí e acima de tudo lembra é a pele curtida dos ignorantes que nunca souberam de nada pela superior ganância dos que mandam.
Manuel Marques
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Etiquetas: Manuel Marques
Descrição coitada de reprodução colorida de paisagem sem figura
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Etiquetas: Almada Negreiros, dormitóprio
domingo, 6 de janeiro de 2008
Conta de sumir e de submultiplicar
Deus
eus
eu
e
eu
deu
deus
Mário Lisboa Duarte
in O Micróbio Megalómano
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Etiquetas: poema
eu choro porque dói não estar contigo.
eu chamo por ti mas não me ouves.
eu morro porque não te vejo.
eu perco o tino.
eu amo-te!
merda, eu amo-te!
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Etiquetas: parvoices
Cansaço Porquê?
Não, não grites cansaço!
Não é cansaço...
É uma desilusão,
que te penetra a alma,
que te consome a calma.
É um mar sem água,
o sol frio, o gelo escaldante...
Sensações inúteis, violentas por nada!
É andar sentindo que rastejas,
É sorrir e sentir os lábios a rasgar,
uma gargalhada seca de uma avultada
massa de ar que te sai dos pulmões,
que faz eco, que irrita o ouvido...
É um peso nos teus ombros.
Sentir o mundo todo em cima,
existir, não viver...
É o mundo que existe,
é tudo o que ele contém!
É qualquer coisa como uma angústia,
é querer gritar sem voz,
é uma coisa que está por dizer...
É por sofrer com tudo
ou por sofrer como...
Como quê?...
Se soubesses, não estarias cansado.
Sensação abstracta em ti, vida concreta!
Pensamentos absortos em coisa nenhuma!...
Afinal é: cansado do tempo morto que acarreta.
Liliana
Colocado aqui mui gentilmente por Heraclita à(s) 22:53 0 opiniões
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Etiquetas: artes plásticas, cartoon, desenho, Perplexo, piadas
when the wind turns on the shores lies another day*

pensava em como os dias morriam na linha dos lábios. abrasando cada som esboçado. tardando a revelar-se. pensava em como atravessara a vida. magoado o corpo em todas as noites repousadas no interior dos dias. como flores rasgando o afecto. pensava no silêncio. descendo do mar. esperava. o vento. rebentando nas ondas. invadindo-me. esperava-te.
foto de lisica lachudra
* beth gibbons, mysteries
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poema em linha recta- Fernando Pessoa
fantástico!
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Etiquetas: fernando pessoa
The Starvan - "These Lines"
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Etiquetas: Flávio Gonçalves, música
sábado, 5 de janeiro de 2008
Um escritor com remorsos
Por mais que dissessem ao imberbe Aníbal que escrever não era ganha-pão para ninguém, o rapaz não deixava de gastar o seu tempo com um papel à frente dos olhos e com uma esferográfica na mão esquerda. Refira-se, aliás, que os seus objectivos em relação à escrita eram deveras modestos. Aníbal queria apenas contar pequenas histórias, nas quais ele próprio se conseguisse encontrar e explicar.
O dinheiro interessava-lhe. Precisava de comer, de beber, de ter sítio onde dormir. Muitas vezes, quando se ia deitar, Aníbal punha-se a pensar que deveria dar ouvidos ao que os outros lhe diziam, isto é, que se deveria pôr na linha e largar a escrita. Os remorsos atacavam-no de maneira poderosa. No entanto, lá no fundo, bem dentro de si, Aníbal sentia que nunca poderia ter uma existência diferente da que tinha, uma vez que as páginas que escrevia faziam parte do seu próprio corpo, eram ele. A sua relação com as palavras era semelhante à do peixe com o mar.
Também aqui.
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 23:10 1 opiniões
Etiquetas: exercícios
Amanhã...é sempre cedo demais

Não me digas
com esse ar frenético
que eu te levo ao céu
quando montas nas minhas pernas
porque eu atiro-te ao chão
nesse mesmo segundo.
Por isso
ouve bem o que te digo
enquanto ainda consigo
trincar com calma
o teu ar afoito…
Se eu soltar a minha alma esta noite
não será o teu corpo
que a irá prender entre 4 paredes
e 5 grades de ferro
hoje não chegam
para encerrar as asas
que o meu coração
ontem amarrou às cegas ao pensamento.
Por isso
até que o dia nos corte às postas o desejo
e nos arrefeça irremediavelmente os beijos…
Deixa-te ficar
estupidamente em silêncio
aqui abandonado
no chão da minha boca
Daniela Pereira-Afectos Obsessivos,Edições Ecopy
Colocado aqui mui gentilmente por blueiela à(s) 10:21 3 opiniões
Etiquetas: daniela pereira, livro afectos obsessivos, poesia
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Um pesadelo
A noite estava quase a chegar e o pequeno Oliver não sabia para que lado da casa se virar. Com sete anos, sozinho, o pequeno rapaz não guardava grandes forças dentro de si para combater os demónios que a escuridão traria.
Tentou telefonar aos pais. A trabalhar, como de costume.
Ligou para avó. Ela riu-se, pensando que o seu pequeno neto estava a gozar.
Ligou para os amigos. Nenhum deles tinha idade para poder sair de casa depois das 18h.
Oliver estava tramado. A noite, a devoradora de crianças, estava mesmo a chegar.
Lembrou-se de ligar para os bombeiros. Não lhe deram ouvidos.
Cabisbaixo, revoltado com o mundo, Oliver sentou-se à porta de casa, com os olhos a fixarem o céu, à espera que o negro manto da dor chegasse. Todavia, naquele dia, Oliver não tinha razões para se preocupar.
O sol não se apagaria.
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 21:50 1 opiniões
Etiquetas: exercícios
Os teus lábios gélidos estão fechados e sem cor.
O teu coração não palpita ao ritmo do meu. Não bate, sequer.
O cheiro a maresia inunda-me o pensamento e o teu corpo estendido à minha frente balouça com as ondas.
Estás inerte e inexpressivo.
Pareces, como hei-de dizer, morto?
Colocado aqui mui gentilmente por Anónimo à(s) 20:39 4 opiniões
De cara tapada
Dentro de um auditório de uma universidade de renome, milhares de pessoas aguardavam ansiosamente pela chegada do sábio professor António F. de Almeida, que, sendo especialista em literatura norte-americana contemporânea, discursaria sobre a seguinte temática: «O sexo em Philip Roth».
As horas passavam-se e nenhum sinal do excelso professor.
Em casa, fechado no quarto, o professor António F. de Almeida deixava-se arrastar muito lentamente para um domínio que não se coadunava com livros ou com inteligência. Estava a ficar louco. Deitado na cama, coberto por lençóis, o homem apenas se movia do pescoço para cima, de modo a se certificar de que ninguém lhe invadiria a casa. Depois de ter a certeza de que ninguém o surpreenderia com invulgares aparições, o professor voltava a tapar-se. Mas a certeza rapidamente se esfumava e, por conseguinte, o lençol estava sempre a tapar e a destapar a sua cabeça.
Telefonaram-lhe. Não atendeu.
Naquele dia, o génio estava demasiado ocupado para dar palestras.
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 20:30 2 opiniões
Etiquetas: exercícios
Algumas palavras (Férias)
Colocado aqui mui gentilmente por Casti à(s) 17:03 1 opiniões
Jardim caído
Hoje vi assim o meu jardim. Caído. Amanhã talvez esteja levantado, ou até hoje mesmo, mas por outros olhos.
Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 00:40 1 opiniões
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Grito calado
Lá fora é tarde e a cidade já dorme.
E penso que sou como este tapete onde me deito:
Pisada, asfixiada.
Quando foi que perdi a capacidade de gritar?
If I just lay here
Would you lie with me
and just forget the world?
Foto: Katia Chausheva]
Colocado aqui mui gentilmente por Andreia à(s) 20:48 5 opiniões
Etiquetas: autores blogue das artes, fotografia, poesia
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Começo a conhecer-me. Não existo.
(fotografia de daniel camacho. Fonte: www.olhares.com)
Colocado aqui mui gentilmente por Liliana Jasmim à(s) 23:43 1 opiniões
Etiquetas: poesia fotografia
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(citando Fernando Pessoa)
Colocado aqui mui gentilmente por Liliana Jasmim à(s) 23:26 2 opiniões
Etiquetas: fernando pessoa
Noite primeira
A pena
que o andar suporta
irradia
o agitado carmim
suspenso
do fio compacto
da dança.
O caminho
aproxima-se,
as torres marcham
e quedam-se
na margem da água
que a lama arrasta.
Carla Milhazes Gomes
Colocado aqui mui gentilmente por Carla Gomes à(s) 21:41 1 opiniões
Etiquetas: poesia
Artista desperto
Terry Jones - um dos famosos Monty Python - está em Lisboa para ensaiar o musical Evil Machines. O libreto foi escrito por ele e a música é do compositor Luís Tinoco. A estreia mundial está marcada para 12 de Janeiro, no Teatro S. Luiz.
Artista desperto, como demonstrou em 13/12 no lançamento dum livro dos Monty Python na Fnac-Chiado, Terry Jones escreveu a seguinte carta aberta ao jornal londrino London Observer, em Janeiro de 2003, num momento em que Bush intoxicava a opinião pública com as mentiras das Armas de Destruição Maciça, como forma de tornar tragável o seu hediondo acto da invasão do Iraque, perpetrado 3 meses depois.
Domingo, 26 de Janeiro de 2003
Caro Observer
Estou bastante excitado com o último argumento do George Bush para bombardear o Iraque: ele está a ficar sem paciência. E eu também! De há algum tempo para cá estou a ficar mesmo passado com o Sr. Johnson, que vive algumas casas a seguir à minha. Com ele e com o Sr. Patel, dono da loja de comida saudável. Têm ambos andado a deitar-me uns olhares estranhos e tenho a certeza que o Sr. Johnson está a planear alguma coisa contra mim. Não consegui foi ainda descobrir o quê. Já fui à casa dele várias vezes para ver o que ele andava a tramar, mas ele tem tudo muito bem escondido. Isto só mostra como ele é falso.
Quanto ao Sr. Patel, não me perguntem como é que sei, mas eu sei – e a partir de fontes seguras – que ele é na verdade um Assassino em Massa.
Enchi a rua de folhetos dizendo que se não agirmos primeiro, ele dará cabo de nós, um por um. Alguns dos meus vizinhos dizem que se eu tenho provas, porque é que não vou à polícia? Mas isso é simplesmente ridículo. A polícia vai dizer que precisam de provas antes de acusar os meus vizinhos de um crime. Eles vão arranjar um monte de burocracias e falar dos prós e contras de um ataque preventivo e tudo o mais. Enquanto isso o Sr. Johnson irá continuar a finalizar os seus planos para me fazer coisas terríveis e o Sr. Patel irá silenciosamente assassinar pessoas.
Dado que eu sou o único com armas de fogo suficientes, acho que me cabe a mim manter a paz. Mas até à data isso tem sido um bocado difícil. No entanto, agora o George W. Bush tornou claro que tudo o que eu preciso é perder a paciência e depois posso avançar e fazer o que me der na cabeça! E se formos a ver, a política cuidadosamente pensada do Sr. Bush em relação ao Iraque é a única forma de promover a paz mundial e a segurança. A única forma segura de evitar que os bombistas suicidas muçulmanos e fundamentalistas ataquem os EUA e o Reino Unido é bombardear uns quantos países muçulmanos que nunca nos ameaçaram.
É por isso que eu quero explodir com a garagem do Sr. Johnson e matar a sua mulher e filhos. Atacar primeiro!
Isso vai-lhe ensinar uma lição e depois ele vai deixar-me em paz e parar de olhar para mim daquela maneira inaceitável. O Sr. Bush deixa claro que tudo o que precisa de saber antes de bombardear o Iraque é que Saddam é um homem mau e que tem armas de destruição maciça – mesmo que ninguém as consiga encontrar. Tenho a certeza de que tenho tanto direito de matar a mulher e filhos do Sr. Johnson como o Sr. Bush tem de bombardear o Iraque. O objectivo a longo prazo do Sr. Bush é tornar o mundo um lugar seguro, eliminando para tal os "estados delinquentes" e o "terrorismo". É um objectivo a longo prazo muito inteligente porque, como é que se vai saber que ele já foi atingido? Como é que o Sr. Bush sabe quando é que acabou com todos os terroristas? Quando é que todos os terroristas morreram?
Mas, e então um terrorista só é um terrorista quando comete um acto de terror. E o que fazer acerca dos potenciais terroristas? Esses são os que queremos mesmo eliminar, dado que a maioria dos terroristas conhecidos, ao serem bombistas suicidas já se eliminaram a eles mesmos.
Talvez o Sr. Bush precise de eliminar todas as pessoas que possam vir no futuro a ser possíveis terroristas? Talvez ele nunca tenha a certeza de ter alcançado o seu objectivo até que todos os fundamentalistas muçulmanos estejam mortos? Mas, e então alguns muçulmanos moderados podem converter-se ao fundamentalismo.
Talvez a única medida segura seja o Sr. Bush acabar com todos os muçulmanos?
Passa-se o mesmo na minha rua. O Sr. Johnson e o Sr. Patel são apenas a ponta do iceberg. Existem inúmeras pessoas na minha rua que eu não gosto e que – com franqueza – me deitam olhares estranhos. Ninguém estará completamente seguro até eu ter acabado com todos.
A minha mulher diz-me que eu sou capaz de estar a ir longe demais, mas eu respondo-lhe que estou apenas a utilizar a mesma lógica do Presidente dos Estados Unidos. Isso fá-la calar-se.
Tal como o Sr. Bush, eu perdi a paciência e se isso é uma razão suficiente para o Presidente, também é suficiente para mim. Vou dar à rua duas semanas – não, 10 dias – para sair cá para fora e entregar todos os extraterrestres e sequestradores interplanetários, bandidos galácticos e patrões do terrorismo interestelar e se eles não os entregarem todos a bem, dizendo "Obrigado", vou fazer explodir a rua toda sem dó nem piedade.
É apenas o mesmo que o George W. Bush propõe e, ao contrário do que ele quer, a minha política irá apenas destruir uma rua.
Atenciosamente,
Terry Jones
Passaram 5 anos, tudo é mais claro agora. Mas será que conseguimos ver com clareza que basta alterar Iraque para Irão para que tudo esteja actual?
[A publicar no blogue Universos Assimétricos]
Colocado aqui mui gentilmente por perplexo à(s) 16:03 0 opiniões
humming a lulluby

às vezes acontece-me estremecer no desassossego dos teus dedos. regressa então esta urgência de balançar as palavras em teu redor . dançando-as. no silêncio desmesurado dos teus passos.
também aqui
foto de katia chausheva
Colocado aqui mui gentilmente por musalia à(s) 10:54 2 opiniões
Etiquetas: palavras
Fadomorse - Groove For Peace
...foi a minha última compra de 2007... um ep chamado 'popétnico'... estou a adorar! A primeira vez que os vi foi numa FNAC algures em Lisboa ou arredores... para não variar...
mais aqui: Fadomorse ...
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 05:33 1 opiniões
Etiquetas: Fadomorse
Saciar a Loucura
Juan Luís Guerra - Borbujas de Amor
Saciar a loucura
radiante de vida
damos as mãos em transe
sementes de amor
ornamentadas de tesouros
rosas sem espinhos
os dias são novos
os momentos os mesmos
os amigos maiores
espero por ti numa esquina
na silhueta sensual das tuas ancas
as marés não voltarão a subir
iremos nus de conceitos
os dias custarão menos a viver
ergueremos a alma aos moinhos
os ventos desvairados e a vida
da constelação mais próxima
matando qualquer veleidade
de desgraça pudor ou desamor
morro feliz de alma afoita
tanto pensei em ti que te tenho
hoje e para sempre um amor presente!
Bem vindos a 2008 (ano cristão é claro, mas aceitam-se todos os credos)... isto de escrever às 5 da manhã (houvesse gente para me aturar o resto da noite que lá ficaria... ou então iria lá para as Caraíbas, fazendo um acordo secreto com os furacões para que eles levassem a miséria do mundo com eles!
É bom ter vida! E andar por aqui também!
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