sexta-feira, 20 de junho de 2008

Chamem-me Naif

Os Estatutos do Homem
(Acto Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

de Thiago de Mello, Santiago do Chile, Abril de 1964

quarta-feira, 12 de março de 2008

Menina, dos olhos tristes




Chegou...
Suave, como uma brisa.
Delicada como a lua,
Sorridente como o sol,
jasmim perfumado, de girassol florido.

Olhos tristes,
tão tristes!

De uma tristeza infinda,
Boca sedenta,
Coração choroso
De uma espera sem fim.

Linda!
Menina dos olhos tristes.

Doce mel,
Olhar de segredos,
que não quer falar.
Uma longa estrada,
de orvalho na alma.

Linda!
Menina dos Olhos Tristes!

Olhos tristes
De uma busca sem fim.
Pedra bruta,
que espera ser lapidada.

Doçura de mel,
candura escondida.
Hesitação timida,
com vontade de dar mais.

Linda!
Menina dos Olhos tristes.

Uma princesa, mulher.
uma flor em botão.
Musa, AMIGA.

De rosto em espelho,
com refelexos de alma
Verdade absoluta
de entrega total.

Linda!
Menina de olhos Tristes!

Com segredos não revelados
nos olhos que me chamam,
brilhantes como arco -iris,
profundos de promessas sem fim.

Começou uma amizade cativante
Chegou suave como uma brisa.
Musa, Amiga
Mulher, Princesa
Menina...
dos Olhos Tristes.


Para a minha Amiga Paulinha, com um abraço...daqueles tão apertados, que se sente o coração uma da outra a bater)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Manifesto à Fé no Homem

Em Mural (não grafitado)
Manifesto à fé no Homem

"Preciso que os verdadeiros Amigos se revelem!
Preciso que se mostrem, que apareçam, que me olhem nos olhos.
Que não digam: “Estou Aqui”, mas que mostrem que o estão.

Preciso que os verdadeiros Amigos se revelem!
Que venham agora, que falem,
Que murmurem, que gritem bem alto,
Mas que falem …Agora…ou se calem para sempre!

Preciso que os verdadeiros Amigos se revelem!
Que mostrem onde estão, onde ficam.
Os verdadeiros, os incondicionais, os honestos,
Os 100%, os totais, verticais…AGORA!

Que apareçam, que me toquem,
Que me abracem, que me batam até, ou que me abanem,
Mas que se revelem…
Os verdadeiros…
Os Amigos.

Não quero palmadinhas nas costas,
mãos pela cabeça,
sorrisos de ruga forçada.

Não quero mentiras, ideais de revista,
frases feitas, enganos, traições.
Não quero egoismos, umbiguismos, nem egos!

Quero amizade! A pura, a verdadeira, a do companheirismo…
A dos livros?
Quero Amigos Humanos, honestos,
Verdadeiros, confiáveis, incondicionais.

E esses Amigos, os que são mesmo Amigos,
Que se mostrem AGORA. Quem são?
Preciso que se revelem…Agora…
E façam-no agora, ou nunca mais.

Acabe-se a hipocrisia, o teatro,
o fingimento, a palavra forçada, a mentira!
Acabe-se com os olhos no chão,
o disfarce, o sorriso fingido, a palavra vã.

A Amizade não se joga!
Vive-se, investe-se, alimenta-se
Ontem, hoje, AGORA, sempre.

E esta é a minha fé no homem.
Fé que está trémula e quase a extinguir-se,
Como a luz de uma vela
Ao sabor das traições do vento de rajada.

Preciso de Esperança!
Preciso de Fé!
Preciso que os verdadeiros Amigos se revelem…

...Ou então, por favor, calem-se para sempre!
E Deixem-me, também a mim, agir com o mesmo cinismo e cepticismo…
mas então, nesse caso, serei assim agora, sempre e para sempre.

Preciso que os verdadeiros amigos se revelem,
ou Preciso que alguém acabe com o sonho, com a minha fé…AGORA "

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Inspiração


Ando sem inspiração....
vagueando por ruas da memória,arrumando ideias, sentimentos e estados de espírito...

Ando sem inspiração...
como se caminhasse por uma rua ...deserta, ou talvez não.

Uma rua marcada pelo tempo, com tabuletas do passado, pontos de luz,becos de escuridão, indicações de um rumo,

marcos de um ontem, mas ausente para .... hoje...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Audácia





A audácia da esperança é admirável!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Boas Festas


Nesta altura do ano, desejamos sempre o mesmo: O melhor para todos, através de frases e palavras que já nada têm de original.

Sinceramente, desejo a todos Vós, o melhor Natal de sempre, mas deixo os meus votos através das palavras de um grande poeta: Ary dos Santos.



Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento


És meu irmão amigo
És meu irmão


E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume


És meu irmão amigo
És meu irmão


Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser


Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar


És meu irmão amigo
És meu irmão


E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei


És meu irmão amigo
És meu irmão


Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser


Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

(Ary dos Santos)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Arrepio


Há momentos,
em que me apetece ficar fechada numa caixa.
Escondida por entre os vidros de uma janela,
Protegida por entre paredes de betão.

Há momentos,
em que, viver é um arrepio de frio.
Nem sempre agradável,
nem sempre desconfortável.

Hoje sei que sinto frio....
se é o pressentimento de uma alegria
ou o sentir de uma desilusão,
não o sei.
Somente sei, que é viver,
Sei que é frio... é o arrepio...
de viver!