será a arte objecto de unificação???
Facto: afecta 16% da ortografia portuguesa de Portugal.
Fato: afeta 0,45% da ortografia portuguesa do Brasil.
Factor negro: ??? Em África ninguém vota nunca na matéria, têm guerras, morrem à fome e por isso muda-se e ninguém se queixa... é triste mas é assim...
Aproveito este tema que me revolve o estômago muito mais do que os compostos químicos que põem na comida.
É um facto que os tempos evoluem e que na língua de cada povo há que acompanhar essa evolução, quanto a isso nada tenho contra, nem contra a inclusão do k, w e y (quase que dava kiwi mas não chegamos lá...) e das palavras que se falam todos os dias por influência dos meios de comunicação, da arte, seja do que for (todos somos influenciados ninguém o poderá negar).
Quanto aos acentos talvez se chegássemos a um consenso se pudessem banir alguns (assim como se podia banir algumas das sumidades que propuseram esta reforma).
Porém a coisa terminaria por aí, sobretudo essa alarvidade que é acabar com o hífen em tantas palavras.
Não me lembro de um ataque tão cerrado a uma língua que tende mais a morrer que a ser revitalizada, porque a cada reforma se vão perdendo referências, se vai empobrecendo uma língua com intuitos comerciais.
Lamento profundamente esta aproximação do idioma. Cada povo tem a sua cultura e a unificação não vai trazer benefícios senão às editoras que venderão novos dicionários em papel ou electrónicos (talvez nem a elas porque terão que ser retirados milhões de livros que servirão para a fogueira e sabendo da predisposição incendiária de alguns portugueses e alguns brasileiros diria que é um festim) e sobretudo aos dos costume, sim os políticos e os seus amigos de sempre, os empresários, os mais ricos do mundo e afins. A esses sim decerto que vai trazer todas as vantagens.
Não vejo aqui africanos, seria interessante ver a opinião de um qualquer africano daqueles que ainda falam português (aí decerto que lhes fará mais falta um mero pão para lhe matar a fome, mas isso é tema de outras esferas, que os seus governantes corruptos se encarregarão de silenciar com a tortura, a morte ou qualquer coisa se se queixarem). Mas qualquer dia pergunto a algum amigo meu de Angola ou Moçambique, decerto que torcerão o nariz a muitas das barbaridades cometidas contra os vários tipos de português e a sua aproximação.
Imaginem apenas um acordo ortográfico entre Inglaterra, Austrália e Estados unidos... estão a ver a unificação? É um pouco como ir a Espanha e falar em unificação das várias línguas (que se ofendem se lhes chamem dialectos), castellano, català, gallego, euskera... talvez se arrisquem a algo mau, porque essas comunidades defendem a sua cultura e o espanhol é uma obrigação na sua cultura, mas quem fala português é, por natureza, submisso (Fernando Pessoa e Camões ou mesmo Vinicius de Moraes ou ainda Mia Couto que me perdoem).
Já agora talvez queiram um acordo ortográfico com a Espanha (são tantos a falar espanhol, quem sabe qualquer dia têm a ideia) e se acabe com o til (usado apenas pela língua portuguesa em cima de vogais) e o h porque tamaño desperdício de letras e acentos confunde a juventude que tem mais em que pensar... pensar em nada muitas vezes... e depois o que querem? Gente culta? Aparece sempre, mas há cada vez menos...
O português aproxima-se da língua mais básica que há ao cimo da Terra, sim o inglês. Apenas e só negócios. Mas vivemos numa sociedade de capitalistas selvagens, damos-lhes o nosso voto e por isso caluda, há que aceitar as regras sem queixumes de espécie alguma. Em nome do lucro, em nome de assentos na ONU, em nome do servilismo (podem chamar-me de comunista que sempre gostei do vermelho, antes isso que calado)
Já agora e sendo radical porque não fazer renascer o latim. Vai tudo para a escola e o latim passa a ser a língua mais falada no mundo? Não é de lá que vem a origem de tudo? Talvez com uma reformazita a coisa passasse a funcionar. Mas é difícil, obriga a pensar e não há tempo para pensar.
Voltando ao português. Cada povo tem as suas idiossincrasias e a cada período de tempo há mudanças, por vezes radicais, isso convoca a necessidade de uma mudança. Agora tornar a língua escrita mais parecida com a falada é estupidificar quem ainda não a aprendeu, ou seja os nossos descendentes, filhos ou netos ou vindouros que ainda não passaram de projecto.
É um facto que desde sempre escrevi faCto ou aCção assim, assim como no Brasil, em Angola, Moçambique, etc se adoptou outra forma de escrever, porque há diferenças, e são essas diferenças que tornam tudo mais delicioso, mais estimulante. Esta é uma pseudo-unificação. Apenas e só negócios. Crie-se então o português empresarial.
Com o tempo sou capaz de vir a adaptar-me aos acentos porque escrevo no PC, de resto passarei a escrever em português antigo, aquele que acabou em 31-12-2008.
Ficou uma miríade de coisas por dizer, porque este tema tem um sem número de sub-temas a abordar e só mesmo a indiferença, a apatia e a miséria cultural (e não só) dos povos é que permite coisas destas se tornarem regra. Mas nós, poetas, escritores temos o dever de nos insurgirmos pela defesa da nossa cultura, de manifestarmos a nossa liberdade perante essa escumalha que manda, seja de que lado de que Oceano for!
Ao contrário do que se possa dizer vale a pena espernear, porque quem nos faz de estúpidos quer sempre silenciar-nos. Valerá a pena lembrar que só quem se dedica às letras é que se chateia com essas coisas e que os governos cada vez menos se preocupam com a cultura... é pouco rentável!
E será preciso lembrar que Fernando Pessoa preconizava que 'A minha pátria é a língua portuguesa' ? Talvez seja melhor mudar-lhe o nome...
Manuel António Marques (se calhar já não se escreve assim em Portugal...).
A versão abrasileirada que vos convido a visitar também:
Jornalismo Político
Restarão opções ou a acção termina por aqui?
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O acordo ortográfico é um acordo político
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 21:08 1 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Lançamento de Antologia em São Paulo

Dia 16 de Agosto vai ser lançada um antologia de poemas, contos e crónicas em São Paulo, na XX Bienal Internacional do livro de São Paulo.
Tenho orgulho em participar nesta antologia com dois poemas e duas crónicas.
Um desses poemas foi publicado pela primeira vez aqui, neste mesmo blogue. Ficam os links:
E no fim...
A árvore dos namorados
Filhos da noite
Antes do fim abrupto de um corpo
Destaco o profissionalismo com que tem sido feita a divulgação deste evento e a coordenadora Luísa Beatriz Moreira.
E claro que sendo a primeira vez que algo meu é editado fora de Portugal, se torna como uma espécie de reconhecimento dos amigos do outro lado do Atlântico!
Beijos e abraços e que este continue a ser um Blogue de referência para todos quantos neles participam e sobretudo a quem procura por inolvidáveis talentos que os há aqui em grande quantidade!
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 11:18 0 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
domingo, 27 de abril de 2008
A vida vale sempre a pena

O Sol brilha mesmo que alguns iluminados nunca o tenham visto.
A vida por vezes, nem sempre é uma fonte de fantasia baseada nos ideais de certos humanos que teimam em limitar o conceito de normalidade, como se as regras fossem a única forma de viajar pela mente e pelo que a rodeia, com as cores e os momentos certos para apaziguar a rotina e assim olvidar o tédio que por vezes se instala.
O Sol brilha, mesmo que as nuvens o escondam e a água teime em molhar o mundo desprotegido da incúria humana.
E a violência dos atentados à vida humana serão mais acrescidos quanto maior for a nossa indiferença. Se há objectivos de felicidade dentro de cada um de nós também é verdade que para os termos, temos que nos consciencializar que o egoísmo que nos incutem é um poderoso veneno contra as gerações vindouras, que se querem mais livres, mas, sobretudo mais conscientes.
2.
Contemplo as pessoas à minha volta, os seus olhares, jeitos de movimentar o corpo. Não é, de certeza, aquilo que o meu chefe espera de mim. Mas também acredito que a pressão que me é imposta, sem a devida compensação, não é a perspectiva de tranquilidade que procuro para mim. Talvez nunca o tenha sido e daí a constante vontade de mudar.
Confesso que se torna um tédio de morte a ânsia de mudança em constante aceleração, mas ela é necessária em nome da VIDA e da falta que cada dia, em pose infeliz de rotina sem destino melhor que a morte, se escapa por entre as brechas abertas por um tempo que parece não mudar, apesar dos furacões e das tempestades que se avizinham e cada vez maiores.
Mas o mundo é assim, e muitos dirão que eu nem tenho que me queixar da vida, tal a miséria que grassa no mundo, e na falta de perspectivas de mudança que persistem e se agigantam a cada dia que passa. Diria que com o mal dos outros passo eu bem, mas não consigo viver indiferente ao que me rodeia, aos apelos que vão surgindo de pessoas tão ou mais válidas que eu e que por azares da vida não têm a mesma autonomia. É um dever que cumprirei sempre com gosto e que me permitirá viver mesmo que me sinta à beira do abismo, querendo abandonar-me nas profundezas dos infernos pessoais que vá apanhando pela vida fora.
Só que a vida vale sempre a pena!
3.
Entretanto o Sol está forte, a sensação obtida pela aragem fresca da manhã compensa o frio sentido na cara e até apetece sorrir.
Ao longe vou observando as pessoas que entram e saem do comboio, apressadas como sempre, indiferentes ao destino que se vai desenhando à sua volta, passando pelos novos ardinas que distribuem os jornais grátis à saída da Estação. No meio da praça alguns vendedores ambulantes vendem produtos contra-feitos, sempre com um olho no cliente a enganar e o outro a ver se a polícia passa por ali. Às vezes lá os vejo a fugir, para outro lugar mais recatado, abrigado dos agentes da lei e da ordem, humanos como todos, apenas com uma farda diferente.
O Sol brilha, mesmo na infinita inquietude do negrume que afecta os incautos passageiros de um ponto ínfimo no Universo chamado Terra, onde pessoas de pigmentação, credos, ambições e corpos diferentes se cruzam diariamente. Decerto da pior forma, mesmo sem terem culpa do destino que lhes está reservado, todas com o mesmo direito de viver. E o direito à vida dizem que foi criado por um ser omnipotente, infinito na bondade e na fúria estabilizadora.
Ainda sonho com a liberdade de espírito a que tenho direito antes de viajar para uma qualquer dimensão paralela. Alguém me quer acompanhar enquanto há VIDA?
05-03-2008
Manuel Marques
outras crónicas no blogue o medo do dia seguinte
Com este tópico me despeço por uma boa temporada do mundo dos blogues, do país e das pessoas fantásticas que espero poder sempre abraçar nos esporádicos regressos a Portugal.
É bom ter vida e até breve!
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 12:56 0 opiniões
Etiquetas: Crónicas sem taxa moderadora, Manuel Marques
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Voando sobre os beijos
Já se torna complicado dissertar acerca da vida real, quando sem sequer se avistar o objecto desejado se congeminam infâmes projectos de vida a dois, como se o que os nossos pais nos ensinaram já não valesse de nada.
Mas é verdade, o chamado amor platónico ganhou uma nova dimensão nestes tempos de relações baseadas na tecnologia. Junte-se o Bill Gates, o Steve Jobs (apelido engraçado este) e outros gurus do mundo dos computadores, veja-se a forma distorcida com que o banal cidadão vê as coisas e aí estão os cupidos das novas gerações. Aí estão os culpados da quebra do amor entre os supostamente mais desenvolvidos intelectualmente. Que os outros amam sem tecnologia e talvez vivam mais felizes.
Vivemos épocas complicadas, de pura solidão, em que pessoas capazes, com tudo para serem felizes, se afundam no mais completo desespero. E eu até poderia afundar-me mas e depois como contactar com os amigos de todo o lado, vivendo noutra dimensão? Quero aproveitar este pequeno intervalo entre cada encarnação, cada vez mais, nem que para isso só viva mais cinco minutos, que sejam intensos!
É justo que se tente. Pelo menos tentar arranjar soluções práticas que afastem o desespero, um pouco de luta é claro, muita garra e determinação, para que os sorrisos saiam naturalmente.
Baseado nessa premissa sabe-me sempre bem viajar pelos pedaços de luz que de vez em quando aterram neste poço sem qualquer tipo de luz onde me escondo das lutas fraticidas que me rodeiam e das quais não quero, na maior parte das vezes, saber. Será que as pessoas só vivem bem se entenderem que a vida dos outros tem que ser um castigo permanente e que tentar ser feliz é um crime?
São esses beijos, esses abraços com que rematamos cada mensagem que, pelo menos, nos fazem lembrar que o corpo que acompanha a alma tem a possibilidade de se manifestar, glorificar de alguma forma a sua passagem pelo Planeta Terra.
Mas, para aqueles que já nasceram iluminados, permitam que vos relembre que o vazio que se instalar em vós quando um dia chegarem a casa, é um prenúncio de morte e sendo a morte a mais certa de todas as coisas, devem, desde logo, começar a lutar pela VIDA!
É certo que a quem nunca sobreveio a escuridão, ela pareça algo estranha e até seduza inicialmente, mas depois é sempre a descer até às profundezas do Inferno. E o que se pretende é um pouco do Éden perdido, nada mais!
Acompanhante musical em dose dupla:
charlie parker - sessions I
charlie parker - sessions II
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 15:30 0 opiniões
Etiquetas: Crónicas sem taxa moderadora, Manuel Marques
sábado, 22 de março de 2008
Interminável Rosa
Permite-me que te relembre, é bom ter vida e que quero voltar a ver-te com aquela rosa vermelha na mão. Sinal de paixão, amor pleno, nao por qualquer homem, apenas pela VIDA. Sim meu amor, pela VIDA, a mais curta das disciplinas à qual arranjamos sentidos novos todos os dias.
Estou aqui, mesmo sem o sorriso de circunstância, mesmo com algum químico que me torne mais afável, mas estou aqui, primeiro por mim e depois porque, amando-me, te posso fazer vibrar nessa rosa escondida que te habita. Mulher de inusitadas vontades, de abraçar o desconhecido sem sentido.
Tenho saudades da tua camisa rosa, das formas perfeitas de um sorriso guloso que depois vi esvair-se.
Acredito na felicidade, no Willie Wonka e nos sapateados mágicos do Fred Astaire e deixa que te diga que fazes melhor figura que a Ginger Rogers.
Ah e minha rosa por desabrochar, não me tragas assim para a Terra, temos tempo para os desgostos, as lágrimas e para as tentativas de ir para lá das estrelas olhar pelos vivos.
Não minha interminável rosa não te voltarás a sentir insegura, essa guerra acabou, a luta não tem que ser travada nas trevas. Quando assim tiver que ser e te sentires imóvel, dá-me todos sos teus males que, numa luta medonha de capa e espada, as faço dançar o vira para outra constelação. Para sempre, minha rosa, para sempre!
Manuel Marques
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 16:13 0 opiniões
Etiquetas: Crónicas sem taxa moderadora, Manuel Marques
Flores brancas
Na perfeição da natureza
a busca pela cidade da alegria
cessa em tons de puro branco
iluminado, inebriados pelo amor
saído de uma guitarra, gitana
o corpo em pose de Deusa aninhada
em braços fortes de mel
abraços quentes de amante
boca saciada de beijos entumecidos
segues nua, com o olhar na frente
do destino de grandeza
que te está reservado
sem que o teu namorado te espante
o desejo em esperança de herói
que te chega sem que dês
peças ou aclares a visão de o querer
sem que a paixão te consuma
e apenas cedas pela pressão
Ofereço-te as flores brancas
pedaços de odor que desejo de ti
entranhar-me nas florestas virgens
desbravar toda a amargura
e torná-la branca como o amor
cujo epicentro vulcânico
aviltado coração incandescente
semeia vontades de te tomar
e por isso não terei medo
de voar em pose de rei
para te tomar
na raínha do meu coração
lá longe nas redondezas
da cidade da alegria
onde seremos felizes
mesmo no epicentro da flor branca
do desejo infinito de amor
...in o aroma do jasmim ao anoitecer...
Manuel Marques
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 16:02 0 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
sábado, 15 de março de 2008
O finíssimo equilibrio das manhãs
Quando o corpo se desprende dos sonhos oferecidos pela alma, há contemplações diferentes em relação ao que se vai respirar.
Qual a relação com o ar circundante, consoante se concentra a atenção no trabalho ou nas férias que finalmente chegaram.
Apalpo a invisível vontade de distrair os compromissos movendo-os para outra parte da agenda. É claro que damos por nós a dizer que gostamos do que fazemos quando quem está preso nem sequer tem uma conta para pagar. Basta-lhe prevaricar e a prisão volta a ser a sua casa. Assim torna-se fácil.
Todavia o equilíbrio matinal não é assim tão radical e nos momentos posteriores ao abrir dos olhos, ao desligar do despertador e de sentir a noite a escapar-se pelo horizonte, o corpo perde a noção da alma que lhe dá a vida e tudo passa a ser rotineiro, sobretudo a batida do coração.
Há quem dê graças a Deus, há quem bata com o tornozelo na esquina de um móvel, são formas diferentes de quebrar o silêncio, de nos lembrarmos que estamos vivos e que na falta de alguma rotina não somos ninguém.
É isso, por mais que mude, que queira tornar a vida diferente, o que procuro é arranjar uma forma de começar os dias sem sentir frustração pelo que poderia ter, simplesmente porque o tenho, lutei por tê-lo. Tem outro sabor quão mais difícil é a conquista.
E na frágil demonstração de afecto pelas paredes, lençóis e vampiros que me habitam as vontades, arranjo uma forma de contemplar cada manhã, respirando fundo, mesmo no meio da atroz poluição.
Sinto vontade de seguir rosa acima e que se lixem os espinhos e o sangue que se desprenda de mim quando por lá passo, fazem parte da vida!
outras crónicas: aqui
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 10:58 0 opiniões
Etiquetas: Crónicas sem taxa moderadora, Manuel Marques
A coragem
Se perceberes que esse amor que dizes sentir pela vida tem outro sentido se pensares primeiro em ti, então és capaz de ter razão quando te dizes preparado para seguir sem medo das sombras, das trevas que invariavelmente te atormentam a vida de vez em quando.
Sabes, é normal, a vida é uma rosa e as rosas têm espinhos, ter consciência disso é sinal de maturidade. Apenas não abuses em apenas dar o amor que tens dentro de ti, guarda um pouco para os momentos de solidão em que, mais do que ninguém, tens que te proteger.
Meu amigo não é fácil ter a coragem de dar aquele passo em frente que provoque um corte na vida rotineira e comodista. Ir em busca de uma qualquer cidade da alegria onde a suprema tecnologia é um caloroso abraço. Ah pois! Convido-te a deixares o espírito livre do dinheiro, das fantasias consumistas que te estragam os olhos, masturbando o cérebro sem que disso retires qualquer tipo de prazer.
Acredita em mim, é sempre melhor ir em busca da aventura que olhar para o espelho e relembrar apenas os momentos da falta de rugas, quando os cabelos brancos eram motivo de graça, pelo charme que te davam e chorares pelo que ficou por fazer, contando as rugas de uma vida vazia e sem sentido.
Mas não tens tempo? Pensa lá um pouco, eu sei que o mundo está uma merda e que temos sempre a tendência de nos refugiarmos no stresse para não perder esse precioso tempo que insistes não ter.
Diz-me lá então, tencionas globalizar-te na infinita estupidez que a cada dia afecta mais gente? Deixas-te dominar assim pela cobardia?
Olha não vou esperar mais por ti, fecha a porta que eu vou andando!
Manuel Marques
outras crónicas sem taxa moderadora: aqui
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 00:17 0 opiniões
Etiquetas: Crónicas sem taxa moderadora, Manuel Marques
sábado, 8 de março de 2008
MULHER
Como poderia ser poeta
ter os projectos
atravessar as fronteiras
do perigo imenso
dos conceitos intensos
sem a sua sensibilidade
apaziguadora
enternecedora?
Como seria o mundo
se
não tivesse a sua âncora
as
viagens de fundo
os
filhos e os maridos
adolescentes incandescentes
amigos empedernidos
abraços quentes de doçura
as
palavras amargas de vida
a
delicadeza pura de desejo
a
arrojada semente de amor
sem uma mulher que fosse?
Mãe sem medo
de tesouros incalculáveis
olvidados em agorrância,
aninhados no esquecimento
apesar de partilhados, contemplados
anunciados, e escarnecidos
persistidos e repetidos
e mesmo na queda intensa
o ombro que surge
sempre com o mesmo sorriso
a mesma protecção
a mesma semente de vida
que deu a vida
e ensinou a subir a montanha
a mais agreste
no sentido de respeito
dos valores e da vontade
de partilhar o amor
A mulher pode tudo
mesmo que seja preciso um dia
quando todos os dias são dela
e nós homens não somos ninguém sem ela
mãe
namorada
amiga
inimiga
VIVA
Eu quero tudo
para poder respirar
o seu viver
e caminhar ao lado de uma
de muitas e de nenhuma morte
de mulheres que sublimam
que lastimam que se fecham
que se abrem. que fazem a viagem
curta, intensa da vida
sem uma lamúria
na intriga e na penúria
na liberdade própria
de quem a tem
e nunca soube o que é
e enquanto houver uma mulher
que sirva de contraponto
ao mundo masculinizado
das guerras e dos ódios
o mundo tem esperança
de vida, de mudança no rumo
de amor e de ardor
de felicidade e tranquilidade
de alma e belezas puras!
VIVAM AS MULHERES, seja no mês maravilhoso de Março em que o avô Inverno dá lugar à neta Primavera (a única estação feminina, curiosamente) no Hemisfério norte do Planeta Terra, a única época em que tudo floresce de novo, com uma renovada esperança de vida!
Apesar de não estar lá, quero desejar à Daniela Pereira (nossa companheira de letras deste blogue) o sucesso que ela merece pelos brilhantes «Afectos Obsessivos - A Poesia Curiosamente Sem Açúcar», o lançamento vai ser hoje e de espírito estou lá, bem hajas!
Curiosamente a 8 de Março!
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 11:50 4 opiniões
Etiquetas: Dia internacional da mulher, Manuel Marques
Sigur Rós - Glósóli
E um poema meu ainda sem nome nem revisão:
Ligo-te indiciando sortes
encimadas, talvez encantadas
Sublimo-te onde ninguém invade as marés amontoadas
rufando onde nada acontece
Guio-te onde ninguém conhece
as laranjas vermelhas
espumando sumarentas...
Manuel Marques
escrito algures no ultimo trimestre de 2007
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 11:44 1 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques, Sigur Rós
quinta-feira, 6 de março de 2008
E no fim...
Eu sou o que não leva o amor
Tu queixas-te da vida sem sentido
Ele põe gel no cabelo e deixa de ter ar de parvo
Ela excita-se com o rabo dele
Nós inventamos o sexo dos anjos
Vós sois enganados no conto do vigário
Eles são os vampiros que nos sugam o tutano
Elas limpam o que resta do amor.
E eu fico aqui a ver-te passar
Tu pulas da vida que ele te nega
Ele não a pode amar porque compra o amor
Ela vai para o convento e desiste da dor
Nós assistimos à morte em vida
E vós sois seres inanimados
E eles enterram o punhal fundo no vácuo
E elas seguem indiferentes no nada
Já nem se trata da morte ou do ardor
nem dos autómatos que se arrastam
da falta de pudor das mentiras infâmes
de uma qualquer luta que os faça VIVER!
www.manuelmarques.com
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 23:27 1 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Equilibrio precário 1
Se cada um de nós puder satisfazer uma mera necessidade do Planeta Terra, mesmo esquecendo todos os desastres naturais (em minoria) e provocados (a maioria) talvez se mude algo de forma muito limitada. Era preciso liquidar quem quer que mande.
Mas o que se vê por aí e acima de tudo lembra é a pele curtida dos ignorantes que nunca souberam de nada pela superior ganância dos que mandam.
Manuel Marques
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 21:04 0 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Saciar a Loucura
Juan Luís Guerra - Borbujas de Amor
Saciar a loucura
radiante de vida
damos as mãos em transe
sementes de amor
ornamentadas de tesouros
rosas sem espinhos
os dias são novos
os momentos os mesmos
os amigos maiores
espero por ti numa esquina
na silhueta sensual das tuas ancas
as marés não voltarão a subir
iremos nus de conceitos
os dias custarão menos a viver
ergueremos a alma aos moinhos
os ventos desvairados e a vida
da constelação mais próxima
matando qualquer veleidade
de desgraça pudor ou desamor
morro feliz de alma afoita
tanto pensei em ti que te tenho
hoje e para sempre um amor presente!
Bem vindos a 2008 (ano cristão é claro, mas aceitam-se todos os credos)... isto de escrever às 5 da manhã (houvesse gente para me aturar o resto da noite que lá ficaria... ou então iria lá para as Caraíbas, fazendo um acordo secreto com os furacões para que eles levassem a miséria do mundo com eles!
É bom ter vida! E andar por aqui também!
www.manuelmarques.com
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 05:12 1 opiniões
Etiquetas: Juan Luís Guerra, Manuel Marques
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
The Big Shave - 1967
A short by Martin Scorsese in 1967
Este é o meu último 'post' neste blogue em 2007! Hasta la vista! Entrem todos com o pé direito em 2008!
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 22:23 2 opiniões
Etiquetas: Filmes, Manuel Marques, Martin Scorsese
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
O raio que o parta
O sangue corre-me nas veias, imagino um qualquer IC19 em hora de ponta seguido de uma embolia... um AVC (terá isto direitos de autor ou pode-se usar AVC assim sem pedir autorização?). Pronto o melhor é deixar-me de frangos assados carregados de picante, emagrecer uns vinte quilos e parar apenas quando vir os ossos salientes nos ombros.... reviver o passado num campo de concentração...
Desculpem lá a linguagem, mas hoje está um dia de merda, não me apeteceu ir trabalhar, mal posso estar sentado e apetece-me provocar alguém, talvez os meus neurónios de tão quietinhos, absortos numa felicidade que nunca chegará precisem de um qualquer abanão.
E até me levantei cedo, tomei o pequeno-almoço e fui-me deitar outra vez, ressonando sem ninguém a queixar-se, de porta fechada para não incomodar as paredes do resto do apartamento.
Tenho 35 anos e ainda tenho planos de me ir embora, de viver o raio da vida e de conseguir ver o raio no exacto momento em que ele toca no chão, no instante em que ele ribombeia e volta para cima. E depois bang! Até podia morrer sem ser com um orgasmo, sem aquelas utopias da treta com que vivemos sempre, mais os Ferraris eos resorts turísticos. Acredito mesmo que o ser humano por natureza devia andar com um 'babete' de tão vaidoso é do que não tem e adoraria ter, mas nunca vai ter... mas não, não tenho pretensões a ser o Travis Bickle e cortar o cabelo à galo, andar pela Amadora como se fosse Nova Iorque e matar chulos ao tiro. Não sou dos que fazem manobras arriscadas armado em cavaleiro protector de males e nojos circundantes. Não sou nem quero ser.
Pensando melhor, não me quero desculpar, não me sinto mal como estou, até há uma certa aura de felicidade quando tento ser vulgar, não passo de um mero humano, que adoro vestir-me mal (porque raramente tenho oportunidade de o fazer) só para não me reconhecerem, de ter barba de quinze dias, que até a mim me pica(mas enjoa quem me vê)...
Porra gosto de VIVER e mais perfeita que aquela cerveja do gajo que se pendura há meses a fio num poste de electricidade, só o facto de publicar esta cena, alguém não gostar e queixar-se... mas todos sabemos que o ego é grande! Oh ego és uma besta de tão grande que és!!! E não paras de crescer, vamos criar um imposto para aproveitar esse crescimento desmesurado, há que facturar!!!
isto não tem direitos de autor, é o autor em si... com muita dose de exagero... por isso usurpem, mudem o nome, mas no fundo... sejam vocês mesmos! e trucidem os que usurpam daquilo que sai da vossa alma privando-vos do reconhecimento imortal e das coroas que raramente vêm parar ao bolso na proporção devida!
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 15:24 2 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
Amizades Profundas - parte 2
I
Onde eu queria perder-me, numa Lua distante do corpo, dentro do coração. Não é preciso que estejas aqui, ao meu lado para te sentir dentro de mim.
Desculpa-me se não te falo da morte, das desgraças alheias, das vergonhas que proliferam por esse mundo fora, hoje apetece-me divagar num mundo diferente, aquele que o Willie Wonka me apresentou, um dia sentado numa sala de cinema, escura, para que pudesse estudar melhor a lição que ele me queria transmitir. Podes dizer que estou louco, que o Willie Wonka não existe, mas deixa-me que te diga, nunca estive tão lúcido na minha vida de nervos e inquietas frustrações e sim, o Willie Wonka existe, e os buracos negros também, e só temos que ouvir o nosso próprio respirar, sentir a nossa pulsação para optar pela melhor solução. Acreditas?
A terra se calhar já gira ao contrário e os relógios nunca mostraram a hora certa, mas quando passeava pelas ruas desertas, apesar das multidões escondidas na sua solidã, olhava para a frente e via um arco-íris, algumas crianças a brincarem, sem medo das proíbições, de serem internadas pela sua natural infantilidade. Sabes, não havia guerras, nem canhões, o He-Man e a playstation eram meras miragens, e na hora do recreio todos tinham a merenda que traziam de casa, onde não havia miséria, nem a falta de um qualquer afago. Apenas utopia. E achas que é mau ser utópico? Para que serve a vida então?
Vivemos na desgraça das segundas-feiras
- Ena que chatice, amanhã é dia de trabalho!
quando há quem não tenha Domingo, sangue suficiente nas mãos para aquecer o seu próprio coração, apenas os restos da embalagem onde estava um frigorífico, na porta da sede de uma multinacional, tapados até à cabeça e nem nos desviamos para ver se a imobilidade se deve ao frio, ou à morte ter sido a ultima visita, antes de passarmos por lá...
- Que vergonha, isto! Capitalistas é o que provocam à sociedade!
- Engano o seu, o anterior presidente da Câmara era comunista, esses bandalhos que comem criancinhas ao pequeno-almoço...
- Cale essa boca imunda, sua porca!
- Ai que horror! Ai que horror! Já não há respeito pelos mais velhos!
- Querias o Salazar não é minha mula?
- Havias de falar assim...
- Xô... põe-te na sarjeta que é lá o teu lugar...
-Ó da guarda, ó da guarda!!! Estou a ser violada!!! Aiiiiiiii!
- Mula! - entre-dentes e a destapar o sem-abrigo que afinal estava vivo!
II
Seguia caminho naquelas avenidas cheias de pessoas que caminhavam rumo à malfadada rotina de que tanto se queixavam, mas nada faziam para mudar.
Estava na Avenida de Roma, vislumbrava ao longe o Teatro Maria Matos, era dia de concerto, A Naifa ia lá tocar e na fronteira do perigo de um meliante a correr com a mala de uma senhora já com pouca mobilidade, parei, deixei-o passar e segui para o Teatro. Afinal também tinha a minha indiferença pelos males do mundo. Reconhecera a velha como sendo aquela que clamava pelo Salazar, sal e azar como já ouvira noutras ocasiões.
- Minha querida, não estás mesmo farta de ver A Naifa?
- Não, nunca, jamais em tempo algum, vamos lá ver se desta vez eles tocam a Fé... e Deus queira que ela continue sem se conseguir masturbar....
- Eh, Eh, Eh, havia de ser bonito...
Do show apenas me lembro da companhia da minha amiga e do começo a sós da Mitó 'porque me traíste tanto', lindo, como linda é a sua mão dócil, macia e que um dia ia perdendo para sempre! Depois a música perfeita para o Festival da Eurovisão: A Desfolhada, ainda melhor na voz celestial da Mitó
III
Ah e tu que estás aí a ler isto, procura nos traços de uma memória intensa quantas vezes te lembras de uma mão, seja ela macia ou curtida pelo tempo. Apenas te digo que só me dá a mão quem não se proíbe de viver e eu gosto mesmo dessa luta: VIVER... acredita é contagiante para quem te rodeia!
MM
em: Silêncios Ensurdecedores
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 15:18 0 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques, Silêncios Ensurdecedores
sábado, 15 de dezembro de 2007
Zapping
nem sempre se pode fazer o que se gosta... mas à falta de o poder fazer ao vivo... faço uns pequenos vídeos que ilustram aquilo que escrevo...
O texto: aqui
o áudio: também aqui
É Dezembro não é? Lembrem-me antes de dia 25 de desejar bom Natal...
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 21:59 0 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Mãos Vazias

foto de Catarina Poderoso (olhares.com Data: 2005-02-20 22:29)
Gentil provocador
dor de senilidade precoce
certo e felicidade em tensão
São anda cá para te beijar
ar com excesso de loucura
rapidez de movimentos intolerável
velocidade até a vida se ir
irado num assomo de estupidez
dez amigos foram comigo
gozar um domingo na praia
ia tudo a fugir era a chuva
uva chorona no império terminado
nado com toda a força
orçamento para um caixão animado
Madonna com comichão na carteira
eira sem beira e a queda no abismo
morte certa sem alegria
Ia e lá em baixo precipício
ionizado num olhar enevoado
adornado com a tua beleza
zarpar daqui para fora
raziando das mãos a felicidade
idade maior para sempre
recordar um abraço
aço na alma lama menor
organizando o fim
imponente em crescendo
domino-te os lábios
ossos a tremer de prazer
ergo a vitória glória
íamos os dois inocentes
especial de corrida em vida
danificando o coração sem piedade
devias ter ido para fora
ramificar amor prometido
idolatrar sentimentos perdidos
idos em cruzadas de vontade
adendas a contratos sem sentido
idóneo em posição de destaque
que poderia eu fazer
erguer a vida em nome de um amor
morrendo em vão por quem não me queria?
Manuel Marques
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 21:52 1 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Eternamente Excluídos

Peter Hook playing with Joy Division in Preston, England
Pontifica a relação cordial
Lançando o sorriso de circunstância
Petrificando o amor encalhado no peito
A noite segue o seu caminho inexorável
Rumo ao contínuo prazer de copular
E depois de sujar o corpo e sorrirem satisfeitos
Apenas vestir o preconceito sempre presente
Seguir pela floresta abandonada
Ao som de um baixo eléctrico e melodioso
Aqui jazem os excluídos da sociedade
E depois de avistarem os primeiros raios de luz
Degustarem um pouco mais de cada corpo oferecido
Um grito lancinante que assusta a águia imperial
Algo majestoso que não era preciso interromper
Vibram na insanidade fatal de enganar
E ao contemplar a dor da humilhação
Da doença no coração
Algo impeditivo de provocar felicidade
Os excluídos dançam freneticamente
Sonhando na ignomínia de uma insolúvel viagem
Não liguem aos excluídos
Façam de conta que a vossa vida pode ter algo melhor
Envelheçam os sentidos
Recordem as pisadas no caminho tortuoso da vida
Glorifiquem a vontade de desbravar a noção de alegria
Algo que contínuo incessantemente à procura
Alguém que saiba o que é a alegria
Que nunca tive dentro de mim
Não sei o que é
Alguém me explica?
in 'o medo do dia seguinte' , Manuel Marques, magna editora 2007
www.manuelmarques.com
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 22:49 1 opiniões
Etiquetas: livro o medo do dia seguinte, Manuel Marques
domingo, 2 de dezembro de 2007
O amor dilacera
Ao fim da tarde
Isolado
No meio do mundo
Mente dispersa
Nada para fazer
Pensamento fixo em algo perdido
Algo relacionado com o amor
Algo que parte a alma em bocados
E que não permite a sua reconstrução por completo.
Sozinho aqui
No mundo
Cheio de gente
Vazio na alma
Insustentável
Se durar muito mais tempo
Sorrisos amargos para a assistência
Assistência nula.
Trabalhar
Para quê?
Conforto posterior ao trabalho
Automatizado
Não há criatividade
Todos os dias é tudo igual
Por mais que se tente mudar o estado das coisas.
Sinto coisas estranhas por uma mulher
A raiz dos meus problemas é sempre esse
Uma mulher
Algo que me dá vagas de felicidade
Mas que quando amaina a tempestade
Me fecha numa prisão fria e desértica.
O amor consome-me a alma
Seja físico, seja espiritual
Ele existe
Para consolo dos que querem viver
Ele não existe
Como justificação para todos os males
Eu acredito no amor
Acredito que isso não é só para os outros
Acredito que um dia ficarei mais forte
Se ele for parte integrante
Do meu corpo
Da minha alma
Da minha vida.
O amor destrói-me o corpo
A sua falta deixa-me revoltado
Com vontade guerrear.
Não sinto amor por mim mesmo
Sinto-me útil
Mas não para mim mesmo
Tudo o que fiz, faço ou farei
Será para o bem estar dos outros
Mesmo que eu tente promover o meu bem estar.
O amor dá-me solidão
O amor pede-me concessão
Dádivas e promessas
E eu não posso dar nada disso
Porque o amor não é feito de imposições
O amor é um estado
É algo que se quer
Mesmo que inconscientemente
Seja-se frio ou quente
Simpático ou antipático
O amor é um adeus à nossa própria pessoa
É uma entrega imensa a outra pessoa
É um estado de alma
Do qual não se passa sem feridas profundas
O amor motiva-me a escrever
Acerca da ausência de amor na minha vida
Pelo menos aquele amor para além da amizade.
por aí sinto-me sempre partido
Sempre a bater na porta errada
A amar o que me é negado
Por causa de outro amor.
Sou triste
tenho motivos para o ser
Independentemente de estar como estou
Odeio totalmente a solidão
Apetece-me fazer amor
Mas tudo me mete nojo
Neste mundo de almas mortas...
23 de Julho de 1994.
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 00:03 0 opiniões
Etiquetas: Joy Division, Manuel Marques






