um conto de Tiago Nené na Letrário Editora.
para ler [Aqui]
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
poème a trois
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domingo, 10 de agosto de 2008
surrealismo - a única real tradição viva
para quem é fã do movimento surrealista o nosso querido amigo ricardo pulido valente oferece-nos um bom espaço.
afinal de contas é a única real tradição viva, não é?
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domingo, 1 de junho de 2008
o princípio do amor
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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.
Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.
Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa evidência me matar agora.
E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?
Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.
José Lúis Peixoto
Foto: Katia Chausheva
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quinta-feira, 3 de abril de 2008
Museu da Pedra em Cantanhede
Poema da pedra lioz
Álvaro Góis,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
pedreiros de profissão,
de sombrias cataduras
como bisontes lendários,
modelam ternas figuras
na brutidão dos calcários.
Ali, no esconso recanto,
só o túmulo, e mais nada,
suspenso no roxo pranto
de uma fresta geminada.
Mas no silêncio da nave,
como um cinzel que batuca,
soa sempre um truca… truca…
Lento, pausado, suave,
truca, truca, truca, truca,
sob a abóbada românica,
como um cinzel que batuca
numa insistência satânica:
truca, truca, truca, truca,
truca, truca, truca, truca.
Álvaro Góis,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
ambos vivos ali estão,
truca, truca, truca, truca,
vestidos de surrobeco
e acocorados no chão,
truca, truca, truca, truca.
No friso largo de um palmo,
que dá volta a toda a arca,
um Cristo, de gesto calmo,
assiste ao chegar da barca.
Homens de vária feição,
barrigudos e contentes,
mostram, no riso dos dentes
o gozo da salvação.
Anjinhos de longas vestes,
e cabelo aos caracóis,
tocam pífaros celestes,
entre cometas e sóis.
Mulheres e homens, sem paz,
esgazeados de remorsos,
desistem de fazer esforços,
entregam-se a Satanás.
Fixando a pedra, mirando-a,
quanto mais o olhar se educa,
mais se estende o truca… truca…
que enche a nave, transbordando-a,
truca, truca, truca, truca
truca, truca, truca, truca.
No desmedido caixão,
grande senhor ali jaz.
Pupilo de Satanás?
Alma pura de eleição?
Dom Afonso ou Dom João?
Para o caso tanto faz.
António Gedeão
Este poema está exposto, com destaque, no Museu da Pedra em Cantanhede, um museu muito pedagógico sobre a pedra, desde as formações geológicas da região até aos produtos finais, com realce para os escultóricos, passando pelas patologias da pedra e pelas ferramentas do trabalho, tantas vezes anónimo, da transformação do informe oculto em delicada forma revelada.
Lioz é o calcário brando da zona de Lisboa com o qual foram construídos quase todos os seus monumentos, desde a Torre de Belém à Sede da Caixa Geral de Depósitos. O calcário da zona de Cantanhede é a chamada Pedra de Ançã extraída nas pedreiras de Ançã, Portunhos e Outil e que moldou a face arquitectónica e escultórica de Coimbra no século XVI.
[publicado no blogue Universos Assimétricos]
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Genoma Poético
Apreendido no aeroporto quando me revistaram.
o meu poema. o meu poema.
nada mais levaram.
ao menos levassem também os meus sessenta e cinco, quase sessenta e seis, anos de idade.
ao menos varressem, com todo aquele material técnico, a minha infância
e a sombra das minhas casotas.
Podiam até furtar-me o nascimento.
Que se fodesse.
Eles sabiam muito bem ao que vinham.
Quiçá tal acto tenha sido precedido de denúncia anónima
depois difundida, tímida ou amplamente - desconheço - , nos órgãos de comunicação social.
o meu poema. o meu poema continha o genoma poético,
era o poema dos poemas o meu poema!
continha os códigos e os caminhos secretos das palavras cruas,
e representava anos e anos
da mais completa solidão, do mais completo estudo
sobre o tempo que espera demais.
Pouco sabia o que fazer, cancelei o meu voo.
nos dias seguintes tentei sem sucesso
reproduzir aquela artilharia poética,
tentei refazer mentalmente os testes que conduziram àquelas palavras.
nada fazia sentido.
nada mais fazia sentido.
depois voltei a ligar o meu telefone
e a responder a algumas mensagens
e fiz até alguns telefonemas a familiares que viviam longe
e fiz dois amigos num minimercado perto de minha casa
e que hoje passarão cá um belo serão.
deixei de querer acumular todo o conhecimento
para viver em segurança
até porque, vistas bem as coisas, não disponho de outra vida.
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segunda-feira, 3 de março de 2008
A propósito de estrelas
Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas
(Adília Lopes)
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Nadi (I parte)
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Double Jeopardy
amei duas vezes a mesma pessoa
primeiro o seu exterior que era tudo
depois o seu interior que era tudo
depois odiei duas vezes
essa mesma pessoa
primeiro o interior que era tudo
e depois o exterior que já não era nada
Tiago Nené
(Direitos Reservados)
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
O amor é fodido
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
POEMA -Mário Cesariny
Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Tiago Bettencourt & Mantha - O Jogo
Dá mais cartas, baixa a luz e vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver que tudo é tão maior
Aqui está frio demais p'ra apostar em mim.
Vê que a noite pode ser tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo e medo faz-nos sós
És tu quem quer
Mas eu só sei ver que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais p'ra me sentir... mas queres ficar?
Tudo o que é meu
É tudo o que eu
Não sei largar
Queres levar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu
Não sei largar
Vem rasgar o escuro desta chuva que sujou!
Vem que a água vai lavar o que me dói!
Vem que nem o último a cair vai perder.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A progressão aquática da vírgula
A progressão aquática da vírgula
descalça o náufrago - olhos de dezembro
na miopia das areias rastejantes,
é assim o recomeço de todas as linguagens.
A árvore o barco a quilha da vicissitude aquática
o mimetismo da espuma no núcleo da sombra
quem espreita pela fechadura de deus?
eis um resultado nómada.
40 braços do que pensas enquanto o sonho levanta uma heresia?
A progressão aquática da vírgula
descalça o náufrago.
poema de rui dias simão - poeta algarvio - in hipantropias
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domingo, 9 de dezembro de 2007
Mergulho

Pinta um quadro
Até veres os peixes
(Tiago Nené)
in Versos Nus, Magna, 2007
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Entrevista a Gonçalo M. Tavares
«Jerusalém» Canto Interrompido - O Incomodar -
Quase não se nota, quase nos podemos enganar. Mas há um fio, um transparente e inquebrável fiozinho que liga todas as palavras dos seus livros. Falará de loucos, de jogos, de inversões, de mundos ao contrário, de contrariadas solidões, de insólitos rostos, de estranhos lugares com pessoas tão estranhas como cada um de nós. O mago é Gonçalo M. Tavares. Talvez não goste do nome. A sua arte talha-se afinal numa constante leitura dos outros, só depois numa descoberta da sua própria escrita. Nasceu em Angola, tem 34 anos de idade e começou por editar um livro de poesia seguindo-se o ensaio, a ficção, o teatro. Com «O Senhor Valéry» obteve o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal «Expresso», e o Prémio Revelação de Poesia da APE com «Investigações. Novalis». Em 2004 é distinguido com o Prémio LER/millennium bcp, em 2005 com o Prémio Literário José Saramago. «Jerusalém» inclui-se no que designa de Livros pretos, a tocarem o desencanto.
Acaso . Destino
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Tic-Tac
Os ponteiros, de súbito esconderam-se atrás do tempo,
A multidão desvanece-se no silêncio das ruas.
Sem rosto, os corpos movem-se como loucos que procuram no caos
um sentido, um quadrante, uma fórmula que elimine a indeterminação das horas.
O tempo assiste, sereno.
O tempo sorri.
O tempo sem horas...
O tempo sem tempo.
Os ponteiros voltam
e num ápice, devolvem o tempo...ao tempo.
...
O tic-tac recomeça
A multidão respira, aliviada.
O tempo é tudo
O tempo é ... nada.
(Sara Rocha)
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Grande Evento na Ler Devagar (Lisboa)
Sulscrito/Palavra Ibérica na livraria Lerdevagar,
dia 8 de Dezembro às 21:30.
Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1 (em frente aos Correios do Poço do Bispo).
Projecto Cultural – Círculo Literário do Algarve
Programa:
- Apresentação da revista de literatura Sulscrito, com a presença de alguns autores/colaboradores.
- Apresentação da colecção de poesia Palavra Ibérica.
- Apresentação da 3ª edição do encontro de autores Hispano-Lusos Palavra ibérica (Punta Umbría-Huelva, 2008).
- Apresentação do projecto cultural ALIANÇA CULTURAL – Faro. (Literatura, Artes Plásticas, Património, Música).
- Apresentação de um jovem poeta de Faro, recentemente publicado.
Sulscrito:
Fernando Esteves Pinto
Pedro Afonso
João Bentes
Tiago Nené
Editor:
Luís Filipe Cristóvão (Livrododia Editora)
Aliança Cultural:
José Bivar
Adão Contreiras
Rui Dias Simão
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
A forma de...
Conhecer a forma de conhecer
estudar a forma de estudar
matar a forma de matar
beber a forma de beber
respirar a forma de respirar
sentir a forma de sentir
ler a forma de saber
tirar uma cópia de mim
e mandá-la viver a minha vida.
(Tiago Nené - direitos reservados)
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Psicopatia
Oh sim, talvez aceite
a informatização dos meus sentimentos
talvez aceite a evidência
uma vez que estou quase morto.
Há uma jovem miúda que documenta
os vestígios da sede do meu espelho
o que senti um dia e fossilizou
com uma pinça recolhe a bela moça...
Cientistas vieram dos Estados Unidos
com aparelhos iniventados
para estudar o caso da minha psicopatia
e enfim me tornar real.
Autor: um amigo meu chamado Pedro.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Grande Entrevista
Para ler Aqui
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