quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Priolando

Vagueio pela Floresta.

Anseio encontrar-te em cada endémica ou nativa.
Vou lançando o meu canto ao vento para que brote dessa semente plântula;
para que cresça azevinho, uva-da-serra, ginja-do-mato ou faia-da-terra.

Vem a chuva e eu resisto.
Saboreio; sinto cada gota na minha face como se fosse a primeira.
Deambulo em cada trilho, cada tempo ou condição.
Há tanto para descobrir.
Ramo acima, ramo abaixo, voo, escondo-me, saltito, procuro.
Procuro.
Não só alimento para a boca se não também para a alma.

Faço o meu ninho para ti, com musgo, queiró, cedro, urze e sargasso.
Sou esse Priolo, pássaro pequeno, perseguido outrora e protegido hoje, pelas leis de homens, mulheres, crianças, jovens, adultos ou idosos; pelas leis daqueles que vêem em mim beleza.
E ainda que o meu canto ecoe apenas nesta Floresta, este meu assobio chega a todos os cantos do mundo.
E neste canto, hoje, sei de uns seres maravilhosos que se juntaram por mim, para mim. Mas na minha Festa, ainda faltas tu.
Vagueio. Deambulo.
É difícil encontrar-te, tu olhos negros, bico grosso, cabeça preta e corpo roliço.
Continuarei a ser Priolo, pássaro pequeno, persistindo, resistindo, assobiando, vagueando e voando sempre mais.
E eis se não quando se ouve: piu, piu…


(Escrito para a Priolo Fest, organizada pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e Galeria/Bar Arco 8, com apoio da Yuzin, que decorreu a 16 de Fevereiro de 2013, de forma a dar a conhecer a Campanha Internacional de Crowdfunding "Let's Preserve the Azores Bullfinch", lançada pela SPEA com o objectivo de angariar fundos que permitam dar continuidade ao trabalho de preservação do Priolo e da Floresta Laurissilva, desenvolvido pela SPEA e parceiros desde 2003, na ilha de São Miguel. Apoie e divulgue: http://www.indiegogo.com/PreserveAzoresBullfinch/)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012











Começar por onde?
Pela beleza das capas do álbum? Pelas letras das músicas, pelas composições, pela musicalidade como um todo?
Pela divulgação da música popular / tradicional portuguesa?
Pela presença em palco, e daí como se depreende facilmente, também na vida: com alegria?
Pelo carisma, como se sente e se lê nos mais variados meios de comunicação social, onde agora a Celina brilha ainda mais com as suas flores no cabelo?
Pela Mazurcas que nos fazem enebriar e sentir apaixonados?
Pela boa disposição do Calimero e a Pêra-verde que nos faz dançar?
Ou pelo Assim me explico, que para mim é o que mais me toca cá dentro... mesmo quando tudo não vai mal... ;)
E assegurar que cá dentro vou sentir muitas vezes essa voz e toada, e hei-de traulitar amiúde:
Assim me explico
sem palavras, com sons
...
Possa eu cantar
quando tudo vai mal
e isso me faça acreditar
que é natural
 

Possa eu te dar
sons que nasçam em mim
e que juntos queiramos cantar
Assim...

E pedir mais letras e músicas assim: bonitas, como a Celina das flores no cabelo!

Para quem escreve, sentir que alguém sente através da música aquilo que se sente através da escrita é a expressão máxima de uma emotividade que está dentro de nós, e que nos sai do coração, com toda a alma, pelo que a frase da Celina diz tudo:
Para mim cada música é um tesouro. Todas as escolhas de temas, instrumentos e convidados são feitas com muita emotividade. Faço música com o coração, e com ela o preencho, a música é a minha casa e faço-a com quem tenho partilhado a minha vida..."

A nós, público, resta-nos Explicar-te EM CASA e ao mundo ;)














Fotos por Rita Carmo

sábado, 11 de fevereiro de 2012

só talvez um lugar feito de gentes-nata-do-saber, do conhecimento, da amizade, partilha, da dedicação, das pequenas boas coisas pequenas, da calma, do sossego, da boa educação, da vida comunitária.
só esse lugar para plantar um filho a crescer.
só esse lugar, sem maldade, sem dependências absurdas, sem comportamentos bizarros.
CAVV|09|06|2010
só este despertar-vos a todos, bloguers deste blog - "a maior sociedade de bloggers em Portugal e do mundo"
despertar 62 menos 1 (que sou eu) magníficos sócios para que plantem aqui os vossos filhos, o vosso lugar, as vossas pequenas boas coisas pequenas, aquilo que faz de nós "a" sociedade!

domingo, 6 de março de 2011

Escrita em dia

não tenho uma caneta para mandar ao ar, e o meu lápis é o de sempre. por isso, não voa, mas cai sobre o papel.
não tenho clientes e o meu corpo não tem que se esforçar. não posso ir apanhar conchinhas na praia, porque sei que continuas aí, mas a minha íris capta os últimos raios do sol de hoje no horizonte de sempre. penetram por entre as nuvens e mergulham no mar sereno.
vejo toda a baía .
apetecia-me fotografar-te neste entardecer.
apetecia-me sorrir para a tua objectiva quando a máquina passasse para as tuas mãos.
apetecia-me esta aventura.
apeteciam-me: gaivotas, e a LIBERDADE delas. (Ser como um desejo/Ser herói de um beijo/Sobre a cidade/Viver numa estrela/E sem dar por ela/Gritar: LiBeRdAdE!!!)
O lápis chama por mim e foi isto que quis (ele) escrever, porque o texto faz-se como ele quer.
Imagino a tua cara. Esse teu sorriso envergonhado...
apetecias-me tu!
Já foste comprar o meu livro?
não tenho uma caneta para mandar ao ar, e o meu lápis é o de sempre. por isso, não voa, mas cai sobre o papel.
antes de vir o breu vejo ainda uns rasgos de vermelho no céu.
ouço as ondas a rebentar. ouço ainda um avião por cima dos raios que penetram por entre as nuvens e mergulham no mar sereno. É mesmo bom voar?
Em que céus já voaste? E em que terras estiveste?
As luzes começam a acender-se no cais.
e hoje cais na minha folha de papel. E hoje és o meu lápis.
apetece-me a tua mão na minha barriga.
apetece-me a tua mão no meu pescoço.
apeteces-me: tu
apetecem-me os teus lábios
E apetece-me escrever tudo isto!

domingo, 28 de novembro de 2010

A Caracóis

A minha mulher tem um sinal na barriga. 4 dedos abaixo do umbigo, e um pouco para a direita. Na perspectiva dela.
Tem um pêlo um dedo abaixo do umbigo. No mesmo alinhamento. Nem mais para a direita, nem mais para a esquerda.
Tem um outro sinal castanho na face esquerda. É bonito. Não é daqueles pequeninos, sem grande piada, mas também não é grande, daqueles exagerados. Tem um tamanho ideal. Tem mais uns quantos a rodeá-lo.
Conheço os sinais todos do corpo dela. Os sinais. Os sorrisos. Os olhares.
Tem 3 sinais na virilha direita. Um deles apareceu há uns dias. Não me lembro de o ver ali…
Tem um sinal carnudo, mas de tamanho médio, ao cimo das costas. Às vezes acho que o devia mostrar ao médico.
Tem um sorriso quando gosta realmente de alguma coisa. Outro, mais leve, a tentar mostrar que gosta, …
Tem um olhar quando tem medo, um quando está surpreendida, outro de incrédula.
A minha mulher tem cabelos louros cheios de caracóis.
Tem olhos verdes.
Tem sinais no olho esquerdo.
Tem a marca no pulso de quando se queimou no ferro de engomar.
Tem mamilos escuros, a contrastar com a sua pele branca.
Tem um olhar quando tem prazer. Nem é um olhar Às vezes É um sorriso.
Um sinal. E o meu corpo no dela.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

(Para António Feio)

17.10.10:
Bem António, saíste de São Miguel (estiveste em Ponta Delgada – “porque tão depressa nos parece que estamos na Suíça, como na América Latina, como numa cidade colonial africana” ;) já te levei para a Graciosa, para a Terceira, mais depressa ainda voámos para o Faial, de barco atravessámos para o Pico (a maré não tava baixa o suficiente para fazer escala nos ilhéus!), novamente de barco para São Jorge, voltámos tudo pra trás, às mijinhas, ora pára no Pico, ora dorme, ora levanta, ora apanha outra vez o barco, e Faial novamente.
Ainda há pouco, fomos contar estorninhos por essa ilha fora. Claro que dessa bicheza, nem vê-la!! Mas o almoço até foi bom, em Pedro Miguel (ainda tou pra descobrir se o homem foi alguém importante nesta rotunda gigante, com mar à volta, para terem dado esse nome aqui ao sítio!! Já imaginaste uma Freguesia aí numa ilha paradisíaca, com o teu nome?! António Feio! Isso é que era! Um homem importante! E já estou mesmo a ver, o pessoal agarrado à placa, dentes arreganhados, tanto um, como o outro! ;), e a máquina a disparar fotos!), Bem, mas ia eu a dizer, o almoço até foi bom, quase uma lágrima a escapar-me com a tua Carta de Despedida, mas lá me aguentei antes que o senhor do café notasse! Claro que com os textos do Mini-Mini Diário, quis lá saber, e foi só rir!!!
Já te levei pra casa-de-banho, já respingou água pra cima de ti, enquanto penteava o cabelo, já te achei parecido com o rapaz da loja do aeroporto da Terceira, onde fui comprar o meu primeiro relógio da Fossil!, Agora é só esperar que o rapaz acerte o compasso e veja bem os meus ponteiros!!
Já escrevi tantos textos, muitos dos quais enveianenada pelo meu querido Lobo Antunes, e agora dou por mim, a escrever à Moda do Feio!, só porque com 31 anos, estou a conhecer um homem de 55, com quem me cruzei uma noite no Porto, e me lembro de pensar: Olha o António Feio. Epá, é mesmo alto! (pudera!, eu no meu metro e meio, toda a gente é alta!) E segui, e tu seguiste, e nada. Ai, se fosse hoje! Eu lá deixava escapar um homem interessante, inteligente, maduro, com um sentido de humor espectacular, e único, como tu?! Pedia-te logo que me fizesses um filho!! (Bem, teria era de conseguir “levar-te” na conversa, durante, pelo menos, um ano.... e nisto de paixões, também ando cá com uma colecção, que vai lá vai... e não tem ido a lado algum! Acho que a minha média vai pra i em 1,4... !).
E agora que te acabei de ler, parece que não sei bem o que fazer a seguir... ou não sabia até vir sentar-me nesta cama, contigo ao lado, a sorrir pra mim, claro, com esse olhar profundo, cristalino (De Pura Lino ;) (e agora a senhora do hotel bateu-me à porta, e tu caíste-me (e não caisteme!!) ao chão! Ó homem, tu anda cá, que na caminha é que estamos bem! ;)
Vá, agora deixem ouvir A Banda!
E até vou parar de escrever porque a Conversa sem ti, está a ficar uma Verdadeira Treta.
Um bom resto de continuação ;)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

II

O meu apetite é fugaz, tem pressas, tem fome.
Quer comer rápido e sair. E seguir.
Não consegue esperar. Não se importa se a cebola fica crua ou se a carne fica um pouco queimada.
O meu romance não tem lume brando; tem uma chama ardente e fugaz, de um fósforo que acende rápido e depressa se apaga.
Mas o meu amor quer aprender a servir um prato quente.
Quer degustar...
E o meu romance tenta.
Ao lume, está já um tacho de água quente e umas pedrinhas de sal.
q.b.

sábado, 29 de maio de 2010


 
                                                                Fotos in: http://www.myspace.com/jpsimoes


A minha canção contigo começou em Castro Verde, com um amigo sentado à mesa a ouvir JP Simões.
E esse JP Simões viajou comigo desde essa mesa, em 2008.
E tentei letras e cordas para ouvir uma só nota tua, nesses acordes sentidos.
E só agora nestas ilhas, tão no meio do tudo e do nada, isoladas, longe, tão perto, consigo finalmente...
A minha canção contigo.


Autógrafo para JP Simões, após concerto no Arco 8, 29 Maio, São Miguel, Açores

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Levas e trazes. Deixas e Dás. Tiras e feres, mas ondulas sempre.
És muito mais do que água e marés, ventos e Luas.
És espuma branca em areia negra.
És chão sob os meus pés nestas viagens de ilha em ilha.
Tens em ti uma força. Muitas forças.
És bem mais do que peixes, golfinhos, rochas e algas.
És uma estrela-do-mar a navegar em todas as direcções.
És essa caravela tão portuguesa.
Nesse rebentar ruidoso, o meu mergulho em ti.
Uma incógnita, um desafio.
Como grão-filho-único de uma mãe-resia cheia de areia.
Como uma fugitiva que se esconde, no mais profundo do teu barulhar...
gaivota voando ligeira;
rola-do-mar de perna vermelha, sabes ser essa onda de sal e sentido.
E eu sou um poema gota-de-água-pequena nesse azul imenso mar...

Poema escrito para uma Tertúlia de Poesia, no Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, na ilha de Santa Maria, para Comemoração do Dia Europeu do Mar
Notícia em... O Baluarte

sexta-feira, 7 de maio de 2010

queria voltar a esta tela.
não tenho imagens, pinturas, desenhos ou quadros.
mas tenho estas palavras.
queria voltar a este encontro.
aos tantos artistas que sóis: Álvaro, Liliana, Vergílio, Piedade Sol, Ricardo Morgado, tantos tantos outros, e claro Nené...
não tenho fotografias, não tenho anúncios. Mas tenho este lugar de cores vivas. tenho esta rua de casas coloridas.
queria voltar...
e numa pincelada tua, sorrir

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Crónica escrita num quarto onde se tentou fazer amor

Por favor não me deixes assim!
O que se passou entre nós?
Porque não deste um toque?
Eu aqui a estudar, sempre na expectativa de um toque, uma mensagem, uma chamada.
O que te aconteceu?
Ainda ontem aqui viste depois de jantar.
Ainda ontem na minha cama, lembras-te?
- Ritinha.
Ainda ontem, coiso e tal, eu embrulhada no cobertor, tu a meteres a mão na minha coxa.
Eu a beijar-te. A chegar-me a ti.
Tu sentado. Tu tal e o coiso.
Eu em cima de ti. Eu atrapalhada no cinto.
Eu a tirar-te as calças.
- Assim não dá.
Eu a perceber que para te tirar as calças, tinha primeiro de te tirar as sapatilhas.
Tu a olhares para mim. Eu atrapalhada nos atacadores.
Da janela via-se a Lapa. A Lapa, o quartel, e pouco mais.
Mais uns tempos, acabo a escola e mudo-me daqui.
Eu a pensar que podias vir-te comigo.
E nisto tu a chamares-me Ritinha.
- Não sei o que se passa, Ritinha.
Isto nunca me aconteceu.
Tu sem ímpeto. Tu murcho…
Eu a ajudar-te. A dar o meu melhor para que aquilo ganhasse vida própria.
E ganhava. E fazíamos mais uma investida.
Mas de repente, tu outra vez:
- Não pode ser. A sério, Ritinha. Não sei o que se passa.
Já houve noites em que fumei, bebi e correu tudo lindamente.
Eu a beijar-te. A dizer-te Não te preocupes. Paramos um pouco. Dormimos, e quando acordarmos voltamos a tentar.
- Não contas isto a ninguém! Que vergonha. Eu só com 23 aninhos.
Claro que não conto a ninguém.
Claro que dormimos, e claro que quando acordámos não voltámos a tentar. Saíste para a rua. Entraste no carro e deste à chave.
Eu a olhar-te da janela. O carro trrrrr, trrrrr, trrrr... a não querer pegar.
Eu a rir. Claro que não era por maldade. Mas nada teu pegava.
Desci a ver se precisavas de ajuda.
Eu ali, a dar, novamente, o meu melhor para que aquilo ganhasse vida própria.
E ganhou. E fizeste mais uma investida. Desta vez no acelerador. E foste-te.
Mas podes vir-te hoje à noite.
Tentamos no carro. À janela. Eu ponho uns cremes. Uma música. Começo pelas sapatilhas. Não me atrapalho nos atacadores. E vais ver como vai ser coiso e tal, na tua vida própria.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Preciso de te escrever.
Escrever de ti. De mim. De ti em mim. Do nós que fomos. Do porquê. Do como. Do onde.
Preciso do quando.
Do quê.
Do para.
Do por.
Escrever-te as linhas do teu corpo no meu.
Escrever os teus beijos. O teu carinho. As tuas carícias.
Faz uns dias que tu em mim. Não sei precisar a hora. Nem da conversa, nem de nós de pé.
Não sei precisar o segundo em que te disse Senta-te aqui. Não sei precisar o instante em que te deitaste para trás e entraste assim na minha casa. Não sei do tic-tac do relógio, quando o tic-tac do músculo do teu braço direito, debaixo da minha cabeça.
Não sei de quando as tuas massagens nas minhas costas, e as tuas mãos atrevidas nas laterais dos meus seios; não sei quando terminaste, nem te baixaste e nos beijámos, de lado, eu de barriga para baixo, tu de barriga para baixo. Tu, em cima de mim.
Não sei precisar a hora disto tudo, mas sei precisar de ti.
Precisar que entres assim na minha vida, como entraste assim na minha casa, e como entraste, assim, em mim……….
Sei precisar de te escrever.
Não páro de pensar em ti, de escrever em ti.
Retenho aquele beijo de despedida, no canto da boca, em que os teus lábios procuraram os meus, num prazer fugidio; retenho os teus sorrisos, os gestos, as expressões faciais, o piscar de olhos, os beijos que me davas, e os que não davas, mas simulavas, naquele gesto sem ninguém mais ver.
Custaram-me a existência dela, a fotografia dela. Custou-me o som de ave nocturna, a cada mensagem; custou-me o porta-chaves do carro com o nome dela; custou-me o anel no teu dedo; custou-me tu e ela, os projectos, as perspectivas, a casa, as férias, …
Retenho as tuas mãos nas minhas coxas, nas minhas costas, os teus lábios e a tua língua no mais íntimo de mim… Esse beijo muito leve, quase só um sopro, na minha virilha...
Retenho os teus cabelos, o teu corpo. Tu nú, embrulhado na toalha, depois do banho. Os teus lábios desenhados, o teu rabo,…
Se pudesse largar tudo. Se pudesses largar tudo.
Sem medos, sem hesitares.
Sem dúvidas.
Retenho o nosso baloiçar na rede.
Reaprendi que a vida são passos dados num caminho de pó, e um dia há pegadas que se cruzam.
Foste um sorriso na minha cara, como não me desenhavam há muito, muito tempo.
Retenho a tua voz. O teu sotaque.
O teu olhar doce, meu doce.
Retenho a loucura das noites, dos impulsos, das cumplicidades, da intimidade.
Pergunto-me Porquê?
Como? Onde? Quando? Quê? Para? Por?
Vou fechar-te um pouco.
Preciso de escrever as linhas do teu corpo no meu.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Olá a todos!
Está a chegar o Entrudanças!
http://www.cm-castroverde.pt/ad2006/adminsc1/app/castroverde/uploads/progr.pdf
Entre concertos, Oficinas, Bailes e Leituras, haverá também venda de Artesanato, na Praça Zeca Afonso.
Hobby by AV, de Andreia Vitorino (www.hobbybyav.blogspot.com) tem orgulho em poder estar presente e deixa o convite a uma visita!
De sábado, 21 a Segunda, 23, desfrutem e ofereçam alegria e cor às vossas amigas!
Acessórios ousados e diferentes, com um toque de beleza!
Simplesmente femininos!

Contactos: Andreia Vitorino - andreia.vitorino@hotmail.com
Carla Veríssimo - cavverissimo@gmail.com

Hobby by AV agradece a divulgação alargada desta informação.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O texto que se segue é baseado em factos: Tristes.

Tristes, porque Verídicos.

Vamos chamar-lhe Rui.
Mas podia ser Ricardo, André, Nuno, Paulo, João, Sérgio, Luís, Pedro, Bruno,…
Rui conduzia o carro. Alexandra ia ao seu lado.
Vamos chamar-lhe Alexandra.
Mas podia ser Marisa, Andreia, Jacinta, Raquel, Verónica, Rita,…
Rui e Alexandra tinham deixado o filho de 4 anos em casa dos pais dele.
Não vamos chamar-lhe nome algum.
Podia ser todos os nomes.
Rui e Alexandra conversavam acerca da casa nova, para onde iam mudar já no próximo fim-de-semana.
- Como vamos fazer as mudanças?
- O melhor seria alugar uma carrinha e levávamos tudo de uma vez, não achas?
- Estou desejosa de ver a biblioteca cheia de livros!

Rui tinha acabado de sorrir para a Alexandra, quando vê um carro vir em direcção a eles.
Só tem tempo de dizer:
- E agora o que é que eu faço?

Alexandra acordou no hospital.
Tinha um braço partido e os médicos preparavam-se para operá-la, quando lhe disseram:
- O seu marido morreu no acidente.

Rui tivera morte imediata.
Os dois carros chocaram frente a frente. Condutor com condutor.
Os passageiros do outro carro não sofreram quaisquer lesões.
A polícia ainda não chegou a conclusões acerca de como tudo terá acontecido.

Imaginamos o desespero de Alexandra, a raiva, a tristeza, a incompreensão e todo um rol de sentimentos a que não vamos chamar nomes, por não sermos a própria Alexandra.
Chamamos-lhe Alexandra, mas podia ser Marisa, Andreia, Jacinta, Raquel, Verónica, Rita.
Imaginamos o filho deles….
O filho tem 4 anos. Mas podia ter 8, 20, 40.
Imaginamos os pais dele….
Mas podiam ser os pais dela.

Chamámos-lhe Rui.
Mas podia ser Ricardo, André, Nuno, Paulo, João, Sérgio, Luís, Pedro, Bruno,…

Este Natal:
Vão, mas voltem todos vivos!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Segredos que mudarão a sua vida sexual

Respire fundo
Relaxe, e tome o seu tempo/FAÇA tudo a seu tempo, ao seu ritmo (não sei como fica melhor):
Torne-se um campeão da maratona sexual!
Fast and safe male.
Atraia mulheres instantaneamente
E nunca mais vai ser infeliz!
Ser membro do euro club dá-lhe vantagens
Acessórios
Dildos
Noites cheias de prazer
Sais de banho, shampoos, cremes.
Seja confidente!
Não conte isto a ninguém!
Amor ao primeiro click.
Nenhuma mulher poderá dizer não
No more headhackes!!!
Ligue o auto-piloto
Eu diria auto-pilota!
Ou meta no piloto automático e já está!
Agora é possível ter sexo mais de 10 vezes por dia.
A estimulação produz uma erecção forte, poderosa e dura que nem uma pedra.
Mais esperma significa orgasmos mais longos
Real sex lowest prices
The cheapest viagra
Huge discount.
Medicamentos genéricos
Descontos instantâneos.
Descontos até 30%, 80%

É muito delicado?
Tem sabedoria nas relações?
Ainda continua solteiro?
Desapontado?
Sem ponta?
Controle o seu poder de macho.
Trabalhe em casa
Estudamos o seu curriculum vitae
Pode fazer um MBA, e com tal Grau Universitário, propomos-lhe ser o coordenador do grupo!!!!!!!!
Há programas de envio e extracção e tudo!
Programas de envio e extracção…. Hum…. Envio ou enfio?
E extracção? Hum………
Pode ter/fazer sexo as vezes que quiseres!
Como nunca antes!
Super sexy russian girls gets fucked
Make your pants dragon huge
Energy fur ihren pénis
Ãn? Mails em alemão e tudo a ver se uma pessoa não percebe.
Alargamento de peitos
Beautiful russian women waiting to meet you
Os teus orgasmos podem ser mais fortes!
Coneccção excelente!
Repito Cone cção excelente?!

Esqueça a crise mundial!
Aumente o tamanho do seu pénis.
Fazemos réplicas. Boas réplicas.
Do órgão?, pergunto eu? E podem mandá-lo também por e-mail?, ou por correio, se der mais jeito?
O alargamento é fácil.
Descontos se as pilas vierem do Canadá.
O tamanho conta! Hot girls like it big.
Conta tanto que já há um Top Mais da coisa. Ou do Coiso, melhor dizendo. Chama-se Top 5 de pénis alargados!!!

Como é que não há-de haver gente que é despedida por passar HORAS a ver mails porno?
Aquilo vem-nos parar à caixa de entrada!!! Se queremos ler as mensagens REALMENTE importantes, temos de passar inevitavelmente pelas Porno! Temos de lhes tocar, de lhes clicar, …. Sugestivo, não?!
E demoramos tanto tempo nisto como demoraríamos naquilo que… vocês sabem……..
Sim, a FAZER realmente sexo, em vez de estar a falar dele!!!!!!!!!
Ao menos estaríamos em ACÇÃO de poder tornar os nossos orgasmos mais fortes!!!
E de aumentar o tamanho dos nossos pénis. Dos nossos (mulheres e homens). Sim, que há mulheres com cada clítoris, que se o parceiro se distrai, vira gay!!!

Uma pessoa nem consegue ficar húmida! Uma pessoa fica é encharcada, em mails desta categoria!!!!!!!!!!
Literalmente!
E para aqueles que ainda têm coragem de chamar a isto SPAM, eu chamaria SPERM!!!!!!!!!!!!!!!!

POR FIM, vamos lá ver se não tenho problemas por causa dos direitos de autor destas frases todas!!!!!!!
P.S.: Espero que a minha mãe não leia isto!
É quase como a outra do assalto ao BES que pediu que os filhos não vissem televisão, naquele dia!!!!!!!!..................
(No comments)

Ainda tem problemas de potência?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Quero:
as tuas
Roupas
Espalhadas
No chão
Pelo meu quarto.
Os teus dedos macios
Espalhados
Pelo meu
Corpo
Toque de piano.
O frenezim de um Frazão.
Quero:
Apenas aconchegar-te
Ver-
Te
Dormir
Sentir que
Te sentes
No ninho
Abraçar-te.
Porque sei da importância de um abraço.
Cuidar de ti, como se cuida de um menino pequeno.
Como cuidas do teu filho.
Precisas de cuidados.
Quero:
fazer-
Te
Uma massagem.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Literatura

Li
Te
Ra
Tu
Ra

Li
Tu

Li
Tera
Tura

Terra?
Turra?

Litera
Tu
Ra

Lira
Tetu
Teto?
Ra
Rã?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Tio Rias

Um dia, uma tarde ou uma noite (só ele sabe), numa Terra Sonâmbula, Mia Couto escreveu:
- Não gosto de pretos (...)
- Dos brancos?
- Também não (...)
- Eu gosto de homens que não tem raça.

Esta tarde (só eu sei), Carla Veríssimo escreve:
Não me apetece ouvir pretos a falar.
Brancos?
Também não.
Apetece-me estoricar.

Não me apetece estas velhas (todas) parvas. Estas velhas todas. Estas velhas parvas. Estas velhas todas parvas, Onde é que é o 26? Desculpe mas o 3 é o meu lugar! Olhe, no 57 sou eu!
Não quero esta gente louca engalfinhada no corredor estreito do autocarro.
Não me apetece ver ciganos, nem ciganas, nem os seus filhos sempre muito(s) imundos.
Não quero ver choninhas de camisa dentro das calças, óculos fundo garrafa, a mandar beijinhos à namorada, que vai partir, num autocarro de gente louca.
Não m’ápetéce saber que o námuradu de uma que vai atrás de mim desbunda mêmu à grande; e que o da outra que vai ao lado dela e fala à tia de Cascais tá dentro de cana.
Não gosto da raça de homens que não tem preceito na fala, e fala dá-le, auga, taobein, pirula, quaise, treuze, hás-de, prontos, dissestes, cuatorze.
Não quero ver carros a passar com protectores solares colados aos vidros, com desenhos do Shrek, Fiona, Burro, Gato das Botas e Companhia Lda.
Quero estoricar sem esturricar. E sem estes tremeliques por causa de uma estrada que pagamos para ser mantida em mau Estado.
O Estado… esse infame derradeiro, da Nação aborrecida.
Desta nação em estado de queixume constante.
Não quero ver Parques de Merendas abarrotados de gente abarrotada depois de almoços de Domingo.
Não quero ver cães presos por correntes, às correntes de um tractor.
Vou lá passar o fim-de-semana com ele e ainda se mete com merdas a dizer que não gosto o suficiente dele?? Havia de ser outra a fazer por ele, o que eu faço! Ele deve pensar que tenho orgulho em ir passar o fim-de-semana com o meu namorado à prisa?
Não quero saber dos presos! Nem das conversas dos presos! Nem dos namorados presos das que não estão presas!
Não quero ver árvores tombadas de velhice. Falta de ar. Ventanias várias.
Homens (ou Mulheres) sedentos de papel. Papel. Carcanhol. Trocos. Cheta. Tlimtlim. Tusto. Graveto. Tostão. Pasta.
Não me apetece ver couves nos quintais, por entre hibiscos, arbustos, coentros, salsa e palmeiras de jardins com cada verde da sua nação.
E a Vanessa, que não liga nenhuma ao Márcio e só faz merda. E o chavalo é bonito. Tenho olhos na cara é pra ver!
Virar-me pra trás, arregalar os olhos e gritar: CALA-TE!
E depois em tom normal acrescentar: Chavala!
Não quero ver toldos de igrejas com a mensagem: Jesus é Amigo.
Não quero ver namorados a catar namoradas, nas paragens de autocarro.
Não me apetece ver casas pintadas de verde-água.
Não gosto de ouvir dizer encarnado.
Não quero estar à rasca pra mijar, só porque é mais chique estar aflita para ir à casa-de-banho, tá a ver?
Não me apetece ouvir (poucas vezes, mas ouvir) a Venezuelana, Barranquenha, Espanhola ou Lá o Que É, da que vai ao lado da tia de Cascais.
Não quero ver as velhas que se atropelam agora para saírem do 26, do 3 e do 57. Não as quero ver engalfinhadas, a engalfinhar a bagageira do taxista com os seus sacos dos ciganos (carregados de roupa). Não quero ver a tia de Cascais e a Venezuelana, Barranquenha, Espanhola ou Lá o Que É, a meter dentro também as suas malas e malinhas, o taxista já todo carregado, a carregar a embraiagem aldeia fora.
Não quero ver-lhe a cara de matarroana, aldeã, campesina… nada a ver com a voz de tia, mas tá a ver, com a unha pintada de encarnado!
Não quero cartazes “Aceita-se terras”, com o verbo no singular e o substantivo no plural, como se fossem um Mia Couto, sonâmbulo, a aceitar uma terra.
Eu gosto de comboios que não tem raça de homens… descarrilados.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Crónica escrita num quarto onde se tentou fazer amor

Por favor não me deixes assim!
O que se passou entre nós?
Porque não deste um toque?
Eu aqui a estudar, sempre na expectativa de um toque, uma mensagem, uma chamada.
O que te aconteceu?
Ainda ontem aqui viste depois de jantar.
Ainda ontem na minha cama, lembras-te?
- Ritinha.
Ainda ontem, coiso e tal, eu embrulhada no cobertor, tu a meteres a mão na minha coxa.
Eu a beijar-te. A chegar-me a ti.
Tu sentado. Tu tal e o coiso.
Eu em cima de ti. Eu atrapalhada no cinto.
Eu a tirar-te as calças.
- Assim não dá.
Eu a perceber que para te tirar as calças, tinha primeiro de te tirar as sapatilhas.
Tu a olhares para mim. Eu atrapalhada nos atacadores.
Da janela via-se a Lapa. A Lapa, o quartel, e pouco mais.
Mais uns tempos, acabo a escola e mudo-me daqui.
Eu a pensar que podias vir-te comigo.
E nisto tu a chamares-me Ritinha.
- Não sei o que se passa, Ritinha.
Isto nunca me aconteceu.
Tu sem ímpeto. Tu murcho…
Eu a ajudar-te. A dar o meu melhor para que aquilo ganhasse vida própria.
E ganhava. E fazíamos mais uma investida.
Mas de repente, tu outra vez:
- Não pode ser. A sério, Ritinha. Não sei o que se passa.
Já houve noites em que fumei, bebi e correu tudo lindamente.
Eu a beijar-te. A dizer-te Não te preocupes. Paramos um pouco. Dormimos, e quando acordarmos voltamos a tentar.
- Não contas isto a ninguém! Que vergonha. Eu só com 23 aninhos.
Claro que não conto a ninguém.
Claro que dormimos, e claro que quando acordámos não voltámos a tentar. Saíste para a rua. Entraste no carro e deste à chave.
Eu a olhar-te da janela. O carro trrrrr, trrrrr, trrrr... a não querer pegar.
Eu a rir. Claro que não era por maldade. Mas nada teu pegava.
Desci a ver se precisavas de ajuda.
Eu ali, a dar, novamente, o meu melhor para que aquilo ganhasse vida própria.
E ganhou. E fizeste mais uma investida. Desta vez no acelerador. E foste-te.
Mas podes vir-te hoje à noite.
Tentamos no carro. À janela. Eu ponho uns cremes. Uma música. Começo pelas sapatilhas. Não me atrapalho nos atacadores. E vais ver como vai ser coiso e tal, na tua vida própria.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dentro das fotografias existimos sempre; hoje cais no meu painel de fotos;significará que passas a existir para sempre?que vida é a de alguém, a olhar para mim, do outro lado de uma fotografia? com o seu sorriso, a sua pose, a sua distracção, o seu olhar no infinito, a sua língua de fora, a sua vergonha, o seu choro, a sua dor, a sua inocência, a sua naturalidade, a sua cabecita de lado, o seu ar provocador...?Como é que tudo isto chegou até ali? àquele flash? Se é que o houve...àquela fotografia onde era presente e agora é passado, que fica para o futuro?Ainda vivos, estamos ''mortos'' nesses pedaços de papel... nenhum de nós volta a viver o segundo ínfimo em que alguém atrás da máquina dispara.é uma das muitas formas que arranjámos de nos imortalizar, de perpetuar no tempo, nas gerações, nas culturas, nos povos, nos lugares, nas gentes,... nos outros, em nós próprios.Esse segundo ínfimo em que alguém atrás da máquina dispara.hoje cais no meu painel de fotos.Esse alguém que decide como e quando e porquê congelar um momento no tempo. Nas gerações, nas culturas, nos povos, nos lugares, nas gentes,... nos outros, em nós próprios.esse sempre que há nas fotografias. Esse nunca mais.Este não conseguir parar de escrever sobre elas. e achar que ainda não me expliquei o suficiente...Elas que são quem as tira e pode tremer. E lá fica aquele segundo ínfimo pouco nítido aos olhos de quem vê.elas que são quem as tira e não tremendo, pode ficar horrorizado com o que capta.Um alguém que pode sentir que tem de disparar o botão perante algo singelo, alguma simplicidade, algum menino a dormir...com respeito.Esta forma de arte com dois lados: atrás e à frente do botão.ambos têm de existir para que tenhamos um resultado final, porém ninguém vê o que esteve atrás do botão no segundo ínfimo de disparar...E também ninguém vê o que esteve antes e depois desse segundo, à frente do botão, a não ser quem estava atrás dele.se não compreendermos como tudo isto chegou até ali, podemos subestimar esta forma de arte...embora hajam fotografias que falam por si, que não precisam de palavras, que qualquer sílaba as desvirtua.Sou eu nas fotografias dos outros, nos painéis em casa deles, nas molduras, nas paredes...são os outros no meu painel de fotos.