segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O que me resta


O que me resta
quando não puder acrescentar
mais uma palavra ao teu livro

O que me resta
quando não conseguir mover o lápis
para rabiscar

quando o Inverno estiver frio,a partir-me
os ossos de solidão.


O que me resta
quando a luz se afundar na alma
silenciada


O que me resta
não sei...
pergunto...
fico à espera da resposta...

e morro todos os dias mais um pouco.

(Fotografia e poema: Liliana Jasmim)

sábado, 19 de janeiro de 2008

Silêncio...


Silêncio

Assim como do fundo da música
brota uma note
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
(Foto: Ricardo Tavares in olhares.com
poema de Octácio Paz)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Duas artes fundidas



Fotografia "Espelho Meu" do Fotógrafo Mário Godinho



Deste lado do espelho
Mora um eu que nunca fui
A imagem reflectida
De um eu que eu já não sou.

Deste lado do espelho
Sou só eu e a solidão
Nada há para além de mim.

Deste lado do espelho
É assim que deve ser
Mas é a mim que me vejo.

Do outro lado do espelho
Entre mar vivo de gente
E uma palavra na mão.

(poema citado de Jorge Castro)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Começo a conhecer-me. Não existo.

(fotografia de daniel camacho. Fonte: www.olhares.com)

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo. Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, ou metade desse intervalo, porque também há vida ... Sou isso, enfim ... Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. É um universo barato.
(poema de Álvaro de Campos)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

poesia da íris



Margem d'Arte

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Big Ode


Lista de autores Big Ode #3
Alexandra de Pinho, Ana Marin, Ana Marques Silva, Ângelo Mazzuchelli, António Carvalho, Avelino Araújo, Carolina Vasconcelos, Castorp+Alice, César Figueiredo, Clemente Padín, Constança de Almeida Lucas, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Francisco Carrola, Gonçalo Cabaça, Henrique Fialho, Hilda Paz, Hugo Pontes, João Concha, João Pereira de Matos, José Carreiro, Klaus Peter Denker, Luis Ene, Margarida Chambel+Catarina Pombo Nabais, Mário Lisboa Duarte e Frederico Fonseca(Margem d'arte), Mário Calado Pedro, Miguel Clara Vasconcelos, Miguel Jimenez, Mrmito, Maria João Lopes Fernandes, MariaJLFernandes+Alexandre Nave, Raquel Coelho, Rodrigo Miragaia, Rui Costa, Rute Mota, Sara Franco, Sara Monteiro, Sara Rocio, Sofia Cavalheiro, Virgílio Vieira Tebas, Vitor Vicente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O tumulto do soldado desconhecido



expressão visual por Frederico Fonseca - Margem d'Arte



"Wait until the war is over
And we're both a little older
The unknown soldier

Breakfast where the news is read
Television children fed
Unborn living, living, dead
Bullet strikes the helmet's head

And it's all over
For the unknown soldier
It's all over
For the unknown soldier

Hut
Hut
Hut ho hee up
Hut
Hut
Hut ho hee up
Hut
Hut
Hut ho hee up
Comp'nee
Halt
Preeee-zent!
Arms!

(...)

Make a grave for the unknown soldier
Nestled in your hollow shoulder
The unknown soldier

Breakfast where the news is read
Television children fed
Bullet strikes the helmet's head

And, it's all over
The war is over
It's all over
The war is over
Well, all over, baby
All over, baby
Oh, over, yeah
All over, baby
Wooooo, hah-hah
All over
All over, baby
Oh, woa-yeah
All over
All over
Heeeeyyyy"

The Doors - The Unknown Soldier

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Boris Vian


Je veux une vie en forme d'arête

Sur une assiette bleue
Je veux une vie en forme de chose
Au fond d'un machin tout seul
Je veux une vie en forme de sable dans des mains
En forme de pain vert ou de cruche
En forme de savate molle
En forme de faridondaine
De ramoneur ou de lilas
De terre pleine de cailloux
De coiffeur sauvage ou d'édredon fou
Je veux une vie en forme de toi
Et je l'ai, mais ça ne me suffit pas encore
Je ne suis jamais content.

Boris Vian, 1952