
Foto por Daniela Pereira in www.olhares.com/blueiela
Direitos reservados
Poema em "psyco-fire mode"
Cala-me os sons da noite
porque só a tua respiração me importa ouvir...
Prende-me as luzes do quarto
que trago soltas no meu cabelo
e afaga-me delicadamente a pele
até me sentires apagada nos teus braços...
Existe um perfume no ar
e o meu corpo é uma maçã verde
que suculenta vai-se desfazendo na tua boca
e nos teus dedos
já se faz em pedaços...
Quero Vinho do Porto a regar-me o umbigo
e ser um cálice pronto a partir
ao primeiro toque
Quero lamber-te a pele
com a boca molhada
e a língua enrolada em puras brasas
mas sem te queimar o sangue
e só chamuscar-te de mansinho...
Quero beijos no pescoço
dados sem pressa
e sem destino nenhum
quero ver-te a percorrer-me as pernas
com as mãos pingando desejo
e os olhos aprisionados junto aos meus seios...
Podes fugir com a boca inquieta
e escalar-me o corpo com carinho
porque tens montanhas em êxtase
à espera de sentir a terra tremer...
Não me apetecem sombras nas paredes...
todos os objectos neste quarto
estão deformados no meu olhar
e eu só quero a tua sombra sobre mim
a esconder-me as curvas
entre vagas com uma ondulação vigorosa...
Murmuras baixinho
quando te desenterro a alma
com as pernas arqueadas
e voamos juntos
de asas abraçadas
deixando no chão do quarto
segredos curtos sussurrados e longas marcas de prazer...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Suposições nocturnas...
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Livro "Nas Águas do Verso"

No cantinho do Blogue das Artes aqui vos deixo uma boa nova...a minha participação numa colectânea de poesia que já se encontra disponível. O livro "Nas águas do Verso"... escrito a 100 mãos com muita alma..sorrisos e sal...
Aqui deixo o meu agradecimento ao João Ferreira e ao Pedro Lopes por fazer parte deste projecto de partilha das palavras de um mundo onde a poesia é um rio de sentimentos puros e transparentes...
Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes.
Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.
Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito.
Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras.
Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia.
Sejam bem-vindos ao barco poético e uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso.
Titulo: Nas Águas do Verso
Subtítulo: 100 Autores - 100 Poemas
Editor: Edições Ecopy
Colecção: Poetas Contemporâneos
Ano de Edição: 2008
N.º de páginas: 128
ISBN: 9789898080684
EAN: 9789898080684
Dimensões: 20,5 x 14,0 cm
Um livro fantástico, com textos de 100 pessoas tão diferentes que se unem para criar uma obra de imenso valor... Recomendado a quem aprecia a arte de ler e a magia das palavras...
Onde comprar:
Editora Ecopy
ecopy@macalfa.pt
Livraria Leitura (Porto)
http://www.livrarialeitura.pt
Rua de Ceuta, Nº 88
Telefone 222 076 200
Livraria Byblos (Lisboa)
http://www.byblos.pt/
Rua Carlos Alberto Mota 17 Edíficio Amoreiras Square
1070-313 LISBOA
Bulhosa Books & Living
Galeria Comercial das Amoreiras ( e restantes Livrarias Bulhosa)
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, s/n Loja 1129
1170-103 Lisboa
http://www.bulhosa.pt/
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Com água benta no corpo e um balão vermelho na mão...

Há sombras nas paredes e pontos de interrogação cravados no chão...
Há ideias que parecem certas e outras tantas que sabem a erros desmedidos...
Há marcas estranhas nos locais mais conhecidos e passos que querem ser firmes mas que ainda tremem quando pisam o caminho...
Há dias sem sol e raios de luz em pleno Inverno emocional...
Há noites que deviam ser simplesmente um dia mais curto e nada mais...
Existem coisas incompreensíveis e outras que não quero compreender...não gosto da verdade, mas procuro-a sempre debaixo dos tapetes empoeirados ou escondida nas gavetas mais recheadas...Assim é difícil encontrá-la..eu sei...mas não me importo.
Existem dores que demoram a passar e existem dores que nunca passam....nas horas intermédias apenas se fazem sentir presentes e nada mais.
São como aqueles ecos que ouvimos mas não sabemos onde nascem...mas não deixamos de os ouvir mesmo que eles venham do nada...arrepiam qualquer um.
Existem momentos que deviam ser passados no calor de uma cama ou na barriga de uma mãe, para não nos sentirmos tão frios por dentro.Nesses momentos que nos forçam para acordar ou para antecipar o parto, só nos apetece pedir...deixem-nos ficar aqui, porque aqui sentimo-nos abençoados...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
Foto by DeviantArt-Let-them-blow-away by Rubyrubes
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segunda-feira, 7 de julho de 2008
Por coisa nenhuma e por uma coisa de nada...

És o meu amor de coisa nenhuma..
e por coisa nenhuma assim te fizeste em mim...
Se o mar tivesse voz e não um rugido rabugento...
à muito que teria dito...
Basta, desta onda alucinada
tu não levas mais nada!
E eu teria deitado as lágrimas na areia..
teria escondido o rosto num rio improvisado
e só quando o mar
me cuspi-se para fora
eu saberia a verdade...
e não precisaria de coisa nenhuma
para a saber...
Que és um gesto no meu olhar...
uma gota de luz sombria
que na cor disfarça
todas as sombras...
Arco-íris de tudo e todos os sabores
a rasgar-me o céu
com a boca cheirando a fumo
e eu não morro sufocada...
habituo-me ao teu gosto
e fumo-te os lábios
até à exaustão dos meus pulmões...
E assim..
por coisa nenhuma e por uma coisa de nada
aqui ficaste no meu corpo...
a atravessar a minha alma
de lès a lés
como se eu fosse um quilómetro ainda por percorrer
mas já tão batido pelos teus passos
que em pouco tempo
lhe adivinhaste toda a paisagem...
E o que nasceu por coisa nenhuma
parece querer morrer por uma coisa de nada...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
http://devaneiosazuis.blogspot.com/
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Estrelas em pó...

Que importa o sentimento
se é sozinha que o sentes?
Alguém abriu uma janela para ti
com vista para um céu repleto de estrelas
mas deixou-se ficar escondido na sombra
a ver-te a olhar tão sonhadora...
e tu sonhas...
sonhas porque és mais feliz a sonhar...
Tens flores nas tuas entranhas
semeadas sem adubo
mas lindas...
lindas cheias de cor e de brilhos..
tão formosas que elas são
nos seus prateados...
Há aroma de mar nas pétalas
e rios a acenar-lhes nas curvas...
Tens sorrisos nos olhos
e bonecas de louça
esculpidas na tua boca...
tão frágeis os teus lábios magoados...
Que pedra te feriu tão fundo
para fugires até das rosas
que encontras no caminho?
A lua está cheia...
cheia de sonhos e de fantasias desesperadas
e mesmo assim a escuridão
ainda chega a nós
que na realidade não sabemos existir...
Que importa o sentimento
que te arrebata os pensamentos
e os gestos mais secretos?
Não és segredo por ti murmurado...
por ti dito sem medo...
Existem coelhos brancos
guardados na cartola...
mas tu não queres magia...
queres a ilusão do sentir
e sentes que o mundo perdeu a cor...
que as estrelas são fabricadas em série
e nenhuma delas é especial...
O teu paraíso tem a janela fechada
e eu não a consigo abrir...
Se eu for uma estrela..
serás que dás por mim
assim tão enevoada?
Daniela Pereira
Direitos Reservados
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Carta à negritude de uma alma...

Foto na Galeria Olhares :http://olhares.aeiou.pt/drown_the_sad_doll/foto1981696.html
Se o tempo pudesse voltar atrás...eu correria atrás dele como louca.
Mas não consigo...só consigo estar parada de pernas cortadas sem ter um passo que me deixe mexer...
Sou árvore sem frutos nem ramos para me proteger do vento que sopra contra o meu corpo estático...sou mais chão de terra que pedaço de estrela por descobrir em noite com a lua a mingar no horizonte.
Estou negra..negra por dentro...mais um pedaço de cinza depois do rescaldo de um incêndio lavrado que o vento ainda não soprou porque ainda exala calor lá de um fundo bem fundo que ninguém alcança...mas que por vezes se sente porque queima ao tocar.
Brancas são as noites deitadas nos lençóis sem coragem para respirar..asfixio gritos cinzentos e suspiros incolores sem ter a mão presa à secura da minha boca.
Se eu pudesse correr em cima do mundo na direcção contrária do inferno, de certeza que iria ver o céu ..nem que fosse apenas de longe. Mas do corpo fiz chama e da minha alma fiz cigarro por fumar..restam-me as lágrimas frias que me decoram o rosto para me apagar sem pressas...Um relógio parou na sala e eu não vi quando as horas desistiram de bater...fez-se silêncio dos risos.
Daniela Pereira
Direitos Reservados
http://devaneiosazuis.blogspot.com/
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domingo, 11 de maio de 2008
Poema com fôlego curto

Porque todas as chamas se extinguem...
todas as velas se apagam...
Mas nenhuma palavra há-de morrer
por lhe lamberem o rastilho...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
Foto words two by ms73 in DeviantArt
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
As maçãs do Paraíso têm bicho da fruta...

Se a lua quiser ouvir os meus passos...
hoje estará surda na escuridão...
Não caminho...
deambulo...rastejo...tropeço...
mas não firmo o chão.
Há um gemido a menos no quarto
e o meu sonho não se vem...
esquecem-se os abraços prolongados...os dedos que se tocam...
o corpo entregue com pele e perfume...
os olhos que respiram alma em todas as sombras...
mas o meu sonho acha que não consegue vir
então foge do meu peito
quiçá livre e solteiro
com o sorriso à mostra nas traseiras
ou com as lágrimas coladas à porta da frente...
Segredos trocados...
feridas lambidas num beijo...
inseguranças reveladas ao lume...
carinhos pintados de olhos fechados ...
o mar a bater nos corpos em contra-mão...
A lua está rota e o luar afinal é reflexo de um vidro riscado...
O sol é quente porque usa termoventilador atrás das nuvens e os seus raios são só vapor...
As maçãs do Paraíso têm bicho da fruta e a Eva tem o coração podre...
Os desejos são confeccionados com chocolate branco mas o seu recheio é feito de dor negra...
A ternura é bem acolchoada nos abraços,mas afinal é forrada com penas doces e só por isso nos aquece um pouco...
Somos drogados por voar com tão pouco no peito...
Deixa-me rasgar uma ou duas palavras da boca
mesmo que a sua falta me deforme o poema...
para os Deuses sou imperfeita
o que custará em mim descobrir mais uma imperfeição?
Até no Paraíso temos lama nos pés...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
foto in DeviantArt -
And She came to Ruin my World by *Shutter-Vision
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Hajam flores caindo porque a chuva cansa...

Hajam flores para combater a chuva espetando nas gotas pétalas de luz...
Hajam flores para forrar todos os buracos que se abrem nos caminhos quando os cegos dão os seus passos inocentes...
Hajam flores onde a lua se cruza com o sol para celebrar a pureza desse encontro...dispam-se as nuvens das suas vestes cinzentas e pintem-lhes as bochechas de branco...
Hajam flores navegando nos rios sem destino algum...só pelo prazer do aroma da viagem...
Hajam flores apertadas nas mãos dos amantes assistindo envergonhadas às carícias que se amam lá no alto...
Hajam flores trepando o branco das paredes com pés de alecrim e braços curvados com costas nuas...
Hajam flores a morrerem pelos cantos e outras tantas a nascer sozinhas nas curvas...
Hajam sonhos despidos e borboletas sombreadas à procura de jardins encantados...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
Foto por Daniela Pereira in Olhares
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Tu...eu e a saudade abraçados até o amanhã chegar

A saudade hoje tem um gosto doce...é escrita com palavras abraçadas e ternos adeus.
Tem carinhos desmedidos e olhares apaixonados concentrados num só momento...
Tem sorrisos distraídos e pensamentos de algodão doce...
Acena-me ao fim do dia e embala-me todas as noites...
Não me assusta ouvi-la dizer adeus,enquanto moras nos meus sonhos e te saboreio nos meus flashbacks adocicados...
A saudade tem o fumo de um cigarro enrolado na minha pele e eu não quero ser ar puro quando és tu que me poluis...cheiras a campos verdes e a leite acabadinho de ferver.
Bebo-te todas as manhãs misturado no café...sabes-me a chá verde e apaziguas todas as minhas demências quando me empurras para a loucura que é estar junto a ti...
Almoço-te em todos os meios dias quando corto a carne tenra a salivar-me sangue no prato ...palpitas-me nas veias e fazes a maratona pelo meu corpo até ficares com a língua de fora.
A saudade tem voz de sereia e leva-me ao fundo dos meus desejos para me perder com os olhos repleto de estrelas e os lábios pingando mel num colibri ...
Tenho asas sabias?E quando sinto a saudade a querer rasgar-me o peito amo-te ainda mais na escuridão ...
Depois esqueço que não estás aqui e encho o meu coração com um perfumado sortido de flores para te receber na próxima vez e a saudade tem gotas de água a matar a minha sede...
Daniela Pereira
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quinta-feira, 13 de março de 2008
Inventa flores na tua cabeça
mas ao pé de ti
descobrem
olhares felizes...
Riem sem pudor
e as gargalhadas são feitas de mel
e os silêncios contratados à escuridão...
Shiu,cala as vozes
embriagadas que nos roubam
os gemidos mais que perfeitos!
Quero apenas deleitar-me
com as tuas cordas vocais ...
e a noite foge-me dos dedos
a galope nas horas excitadas.
Dormimos com a lua
por cima das nossas cabeças
mas o luar
é para beber até ao fim na tua pele...
Sabes bem que um rio solitário
não me mata a sede...
Sussurras poemas no meu ouvido
e a minha mão prende-se
na tua floresta de encantos
sem temer o ofegar do lobo
que caminha para mim
com o corpo esfomeado...
É tão bom ficar assim
muda e quieta
a ler atenciosamente
os movimentos da tua alma
sem ter que dizer nada...
basta um suspiro
e sei que te digo tudo...
Uivas doce
para me derreter os sentidos
e baralhar-me a razão...
Ouve-se poesia de fundo
quando me devoras os lábios
para me arrepiares a carne
sem esquecer os ossos...
Gosto de ser um beijo tenro
a marinar na tua boca...
Beijas-me ao contrário
e o fim tem sempre gosto a principio...
Sorri...
quero o teu sorriso
a imitar o sol
e a madrugada a renascer
destemida nos teus braços...
Sou exigente nos paraísos
quando os desejo...
e uma flor curiosa
dançando ao vento não chega...
Quero soprar-lhe todas as pétalas...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
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terça-feira, 11 de março de 2008
Obrigado:)
Na foto:Eu e duas amigas do peito...a pequenina Bia e a Luísa:)
A Apresentação do livro Afectos Obsessivos na Livraria Leitura Books & Living ocorreu num ambiente muito caloroso e descontraído.
Cercada de amigos e de pessoas que me acarinharam imenso...só podia ter sido um momento muito especial...e foi.
O livro foi apresentado...a autora deixou-se guiar pela emoção que sentia e as palavras saíram bem cá do fundo do peito.
Depois a poesia foi rainha e muitas vozes quiseram partilhar emoções ...inesquecível.
Obrigado a todos os que estiveram presentes e me apoiaram nessa tarde...
Para quem quiser dar uma olhadela pelas fotos do evento...entrem no site EscritArtes e espiem o slide que lá se encontra
http://www.escritartes.com/forum/
beijinhos
Daniela Pereira
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terça-feira, 4 de março de 2008
Rios Verdes
Foto por lardacil in Deviantart -
Symphony of Cold Winter Night
Existem rios de palavras
à solta no meu peito...
Molham-me os medos
e afogam-me as lembranças
quando se espalham na pele.
Há um encanto que é só meu...
que o resto do mundo desconhece calado...
Um suspiro dado com gosto...
e uma boca presa
num beijo apaixonado.
Há um pássaro que voa livre
por cima do meu corpo...
Acaricia-me com as suas penas
e rouba-me o frio da alma
quando repousa perto de mim.
Sorri feliz e quando saboreia os meus pedaços...
sonha com o pensamento desperto.
Voa longe e eu não o alcanço por momentos...
Há liberdade nos seus gestos
e um adeus tremido em cada abraço suado.
Existem rios de palavras
à solta no meu peito...
Onda fui por uma noite
e com frescura beijei a areia
e ela enrolou-se no meu caminho.
Como gostei de a envolver no meu sal
e esquecer que o salgado
sabe a tristeza...
Tinha sonhos a espicaçar-me o olhar
e com o horizonte a morder-me os seios
fiz-me lua de seda
para satisfazer o seu toque...
Tínhamos estrelas no dedos
e na escuridão da noite
senti-me poesia.
Daniela Pereira
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Apresentação do Livro Afectos Obsessivos-Porto
Apresentação do Livro Afectos Obsessivos de Daniela Pereira.
O evento irá ocorrer dia 8 de Março na Livraria Leitura Books& Living (Centro Comercial Cidade do Porto) e terá hora prevista para o seu inicio sensivelmente às 17h30.
A Apresentação terá a colaboração de duas vozes da rádio...Pedro Correia da Rádio Mar-Póvoa do Varzim e Nelson Ferreira da Rádio RUM-Rádio Universitária do Minho e com a presença de um convidado muito especial.
Estará ainda patente nesse evento a Exposição Fotográfica "Palavras à sombra de um instante"da autoria do fotografo Nuno Reis e que funde a sensibilidade da fotografia a preto e branco com a poesia presente no livro Afectos Obsessivos.Uma experiência única onde as palavras respiram à sombra das imagens.
No final deste evento ainda poderá desfrutar de um momento muito especial...uma sessão poética partilhada por membros do site literário...O Luso Poemas.
O convite está feito e eu lá estarei para vos receber a todos de braços abertos :)
Daniela Pereira
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
O teu chá de tília...

Queres entender o que sentes mas não consegues...
Porque és assim?
Porque gritas tantas vezes preto...se aquilo que desejas é o branco?
Porque fazes tempestades..quando te apaixonas nos rios.
Tens um olhar triste..demasiado marcado por solidões e descrenças no teu ser. Já falhaste tanto..já bateste tantas vezes no fundo que é difícil para ti não temer voltar para ele. Fazes do pouco..muito! Se calhar nunca tiveste demasiado para saber aquilo que realmente tens nas mãos.
És assim porquê? Uma onda mal formada a rebentar de espuma amarelecida cheia de passados mal cobertos.
Se calhar és inocente demais na forma como sentes o mundo...ou então se calhar és mesmo só velha, porque te obrigaram a viver muito lentamente alguns instantes da tua vida e tu ganhas-te rugas sem que te dês conta que elas já lá estão.
Pedes que te entendam..para quê? Se nem sequer tu te consegues entender...
Fechas os olhos e imaginaste-te no teu sonho mais belo...na paisagem mais tranquila que consegues inventar dentro de ti.Por momentos,ficas calma e consegues realmente entender...entender as palavras dos outros...a sua tristeza para contigo...entendes os teus erros e prometes mudar.
Acreditas que consegues?Se calhar devias acreditar com mais força para marcares essa diferença que precisas para rasgares essa tua insegurança da pele e brotares por inteiro.
Ai que isto dói cá por dentro..que as verdades ecoam como lâminas,mas precisas mesmo de as ouvir!
Tens um olhar triste e gritas essa tristeza com violência mesmo quando te abraçam terno...
Menina inconsciente, porque não sabes ser Mulher adulta!
Porque acreditas num coração a bater..porque gostas de cantigas de embalar e de olhares apertados.
Devias usar tranças no cabelo e laços vermelhos nos sapatos...mas tens sonhos presos aos vestidos e rebuçados de mentol nos penteados.
Bebes chá de tília e atiras-te como louca para a tua cama desfeita e se o sol não vem fazes cair chuva do tecto só para te vingares da escuridão.
E isto entende-se?Essa forma estranha de te inserires na vida ?
Essa tua obsessão de sentir num mesmo tom, se sabes que as pessoas não são melodias perfeitas. Gostas do caos que se instala à tua volta quando cantas desafinada serenatas à tua alma..Talvez seja isso..entendes melhor o caos que a ordem das coisas.
Deixa-te estar caótica que a paz logo vem...apetece-te respirar fundo..sinto-o daqui. Nessa tua respiração intervalada com soluços breves...
Mas mesmo caótica, sinto-te agora estranhamente calma... como se tivesse por fim encaixado todas as peças daquele puzzle interminável com que a tua cabeça jogava...
Daqui a pouco estás outra vez ofegante e a misturar novas peças na tua cabeça... ou talvez não..ainda não consegues prever os teus gestos. Mas há algo diferente em ti..uma luz que se apagou por instantes mas que ainda se vê de longe no teu olhar...
Deixa-te ficar assim a lamber as feridas mas sem sangrar... a aprender porque lamentas perder quando foste tu que fizeste a guerra...
Mas estou a olhar para ti e acho..não tenho a certeza que hoje não te apetece dizer mais nada.
Guarda então as palavras no peito e entende porque é que este silêncio só te sabe a meio amargo...
Tens uma lágrima a cair dos teus olhos...tão pequena..e tão bonita que ela é.Deixa-a cair... faz todo sentido deixá-la pertencer ao teu chão.
Daniela Pereira
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Chuva de Verão

Caminho numa praia deserta
e sozinha sinto
que os meus olhos choram
palavras magoadas
porque
todos os dias
espero pelo eco da tua voz
mas quando a noite chega
só os passos
do teu silêncio escuto.
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar-Edições Ecopy 2007
Foto by Deviantart-Wish_you_were_here_by_bloody_earth
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Dor original...

Original é o poeta
que luta contra as ondas
mesmo quando sabe que se vai afogar...
O poeta que inventa o sol
em dias de chuva
mesmo que morra no salgado das lágrimas.
Original é a rosa
que brota solitária num jardim
sem temer a solidão
do vento quando este lhe toca...
O poeta é banal
porque chora
e tem medo como todos os mortais
que deixam passos na areia...
O poeta nunca será original
só porque sente que a sua escrita é imortal...
O Amor também dói
como dói toda a poesia no peito
mas até ele morre
como toda a gente...
Daniela Pereira
Direitos Reservados
Foto de Pokosandiva in http://pokosandiva.deviantart.com/art/Je-t-aime-76434118
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Blogue do Livro Afectos Obsessivos

É com prazer que anuncio a criação de um novo espaço para divulgação do livro Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar de Daniela Pereira
Poemas...curiosidades...sugestões e todas as informações sobre o livro poderão ser encontradas neste blogue.
Brevemente,divulgarei todos os pormenores de uma apresentação do livro na cidade do Porto prevista para o mês de Março
Passem por este cantinho...serão muito bem vindos:)
http://afectosobsessivos.blogspot.com/
beijos
Daniela Pereira
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Palavras fumadas...
Palavras fumadas...
24/Jan/2008 17:40
Palavras para quê?...
E onde ficam os braços
que não te reconfortam?...
Tenho as mãos frias
e o meu olhar sonhador apertado contra o peito ....
Gela-me a alma por não saber dar calor
que fiz eu ao meu sol de inverno?
Morrem-me os sonhos
com os pés molhados ...
pneumonia no coração
e respiro mal pelo nariz.
Quero uma flor a sorrir de volta no meu jardim...
não quero sentir que lhe sopraram a cor das pétalas
e que o vermelho dessa boca
não confia no rosa dos meus beijos
para aprender a ser feliz...
Asas pelo chão...
borboleta rendida ao teu mel
não sabe beber da lua
e sem o teu néctar provar...
para quê tentar alcançar o infinito?
Estrelas no céu...
tenho asas de cristal
e nos olhos um nevoeiro
a pedir para ser rasgado à força.
Palavras para quê?...
Quero uma bola de cristal
para ser pedaço de futuro
e não lágrima apagada numa beata passada...
Daniela Pereira
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Escreve o teu nome a preto e branco
e atrás de cada letra
diz o que ficou por fazer
antes que morras com as palavras presas na tua boca.
Tenta agora pensar um pouco
mas não tentes pensar tudo de uma vez
porque os teus pensamentos podem ser pesados...
Deixa que eles se passeiem livremente na tua cabeça
e em tempo algum não lhes force a saída
porque o teu coração é que tem na mão o comando
e tu aqui não mandas em nada!
Olha para o chão...
Estás à espera de quê?
Que te peçam por favor!!
Eu disse...OLHA PARA O CHÃO...
E não vale a pena tentares desviar o olhar
só porque não te agrada
ver os passos que deixaste ficar para trás
quando perdeste a coragem de seguir em frente
e recuaste no teu tempo.
Agora que já conheces a cor dos passos
com que pintas o teu chão de pedras
dá um passo em frente...
Achas que vai cair
só porque essa vertigem de lamentos que te assola
desequilibra o teu andar
e o corpo abana como se fosse uma boneca de trapos?
Desengana-te... porque ainda não chegou a tua hora
e nenhum buraco espera os teus ossos
com essa capa de carne tenra que ainda tens colada a ti.
Estás demasiado viva
para morreres de dor...
Queres saber um segredo?
Chega mais perto
e ouve bem ...
O teu nome não é JULIETA
e o teu amor nunca se chamou ROMEU.
Então... resta-te descobrir melhor o céu nos teus dias
porque a terra não tem ainda morada para ti.
Por isso esta noite olha para ele atentamente
mesmo que ele não te pareça tão estrelado como sonhaste ontem.
E se alguém te disser que as nuvens cinzentas
que vês pregadas às estrelas
no passado não existiam no teu horizonte...
Podes rir à vontade na sua cara
porque tu sabes
que essas nuvens estiveram sempre guardadas no teu bolso
Hoje limitaste a soltá-las um pouco mais cedo
e foi por isso que o céu chorou por ti antes da hora marcada...
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy-2007
P.s:foto by Deviantart -http://monocolour-photos.deviantart.com/gallery/
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Etiquetas: daniela pereira, livro afectos obsessivos










