segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Descrição coitada de reprodução colorida de paisagem sem figura

Sol-posto
de mau gosto
mal reproduzido
de postal
infeliz.
Pior fora o dia
dia de não contar
como tantos!
Existir tanto
pra viver tão pouco!
Minha mágoa incolor
vadiava em redor
e via com desdém
a terra aqui
e o mar além.
Cai névoa no meu sentir
névoa morna
como o hálito do quarto do covalescente.
O herói do meu sonho
quer estar só
que não o vejam a descansar.
Está a estudar o papel
da minha loucura
pró representar.
Toda a loucura é assim:
negra como a pessonha
e cheia de luz por dentro.

de José de Almada Negreiros

1 Comment:

Scoya said...

Toda e qualquer loucura não possui, ademais, definição.
Mas gostei do que li :) **