quarta-feira, 11 de abril de 2012

Casulo de Cetim

Para quem gosta de poesia e contos com um travo de poema, deixo-vos Casulo de Cetim, um blog recentemente inaugurado, um lugar onde se tecem pequenos fragmentos de inspiração e sentir poético:


      das asas do vento
  à folha caída,
      dos braços da árvore rasgada
  ao colo da maresia...

Visitem www.casulodecetim.blogspot.com

Comentem, partilhem, deixem fluír o vosso sentir e complementem com o que a inspiração vos ditar...

domingo, 2 de janeiro de 2011

BREVIDADE

A tua sensibilidade perdida,
O teu amor no cósmos... perfeito
Dissipa-se a ansiedade da vida
Porque tudo é uma breve corrida
Porque afinal, fica o lado imortal
Não entendo o que significa afinal
O forte pulsar deste peito.

Corre neste novo ano outra postura...
Não sei se engano
Quem sabe uma aventura.

Porto, 02 de Janeiro de 2011 - 19:51h
Jorge Ferro Rosa

domingo, 8 de agosto de 2010

Quanto tempo dura o amor?


A raiz filológica da palavra amor guarda alguns mistérios. Palavra que tem sua origem no latim arcaico (como a maior parte do léxico de nosso vernáculo, bem como suas regras e sintaxes) praticado na Roma antiga, resume em si uma enorme gama de sentidos. Pode significar desde uma leve afeição até a mais cega paixão comportando, na história de seu uso, todos os tônus afetivos intermediários a esses dois extremos, tais como a compaixão, a misericórdia, o apetite sexual, etc.

Mais prudentes que os romanos, os gregos reservavam palavras distintas para afetos distintos. Daí surgiram eros, ágape e filia para as principais modalidades de amor que variava quanto ao objeto dos investimentos afetivos, sendo eles, respectivamente: a contraparte sexual (eros), o semelhante (ágape), o familiar (filia). Embora os romanos possuíssem outras palavras para o amor (dilectio, charitas, etc), estas eram quase sinônimas, de modo que para estes o amor permanecia soberano em seu mistério e em suas contradições.

Fernando Pessoa, poeta Maior, pôs a questão do amor nos seguintes termos: “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”. Salienta aí a suprema gratuidade do amor que não guarda em si MOTIVOS para sua ocorrência. Não se ama por uma razão específica. Padre Antônio Vieira, um dos maiores oradores da história luso-brasileira, disse em um de seus discursos que “quem tem um porquê para o seu amor não é um amante, mas um pagador de favores; e quem ama ‘para’ um bem além do amor não é outra coisa senão interesseiro”. Ainda sobre a gratuidade e a não inscrição do amor nos padrões da lógica, Drummond refuta um famoso adágio popular escrevendo “As Sem Razões do Amor” afirmando que amor NÃO se paga (nem mesmo com amor). Amor: fruto que se semeia no vento, foge a qualquer regulamento e se impõe como irmão do ódio (como diz o psicanalista Jacques Lacan) e primo da morte (como afirma Drummond no mesmo poema).

Sigmund Freud, em sua postura estoica diante da existência, antecipou todos esses poetas ao afirmar o impossível do Amor bem sucedido salientando os aspectos incontornáveis da solidão humana (que se atualiza na solidão cotidiana do dormir, do acordar e se cristalizará na solidão última do morrer). Jacques Lacan, continuador de Freud e um dos mais argutos observadores atentos da condição humana, elegeu o Amor como uma das três principais paixões do ser: ao lado da Ignorância e do Ódio, o Amor figuraria como uma das questões cruciais da existência.

Confundido com o mero “habitar com” as pessoas costumam responder aos apelos do amor negando o que este tem de impossível elegendo para si mitos tal como é expresso popularmente nos ditados: “a tampa da panela”, “a metade da laranja”, etc, considerando haver no mundo um duplo de si próprio e que, ao ser detectado no meio de tanta gente que vem e vai, aniquilaria por sua simples presença os impasses do amor. Influenciados pela herança platônica do amor entendido como um reencontro de partes outrora separadas, os códigos sociais de uma união “até que a morte os separe” reforça essa ideia de que o amor deve durar na saúde e na doença, na felicidade e na infelicidade, na agressividade, no flagelo do outro, na crueldade, fazendo com que os casais (num misto de obediência aos códigos sociais vigentes e das sobras que os conflitos geradores da personalidade têm de influenciadores no presente) esperem situações críticas (ocorrências de crimes e às vezes até mesmo a iminência de morte) para oficializar um desenlace.

Eis o principal engano do amor: considerá-lo infinito e maior que a vida. Nessa aposta os amantes se fazem surdos aos sinais de que a vida necessita de uma reinvenção e da tomada de novos rumos para que ambas as partes possam experienciar o cotidiano sem o sentimento de que andam pela vida carregando bolas de aço (como os grilhões arrastados penosamente pelos prisioneiros das masmorras).

A complexa teia de afetos conflituosamente inconscientes que marcam a subjetivação de toda pessoa sempre deixam restos que, no dizer de Freud, retornam em forma de repetição e na chamada Pulsão de Morte. Esses vestígios da infância que assombram todo adulto são os principais responsáveis pela falta de liberdade em reconhecer que se a vida (que é maior que o amor, pois o amor ocorre dentro desta como uma de suas experiências possíveis) acaba, o amor que é uma de suas experiências possíveis não precisa ser necessariamente eterno e imortal (posto que é chama, para citar outro poeta). Ser “infinito enquanto dure” o encanto, o respeito e a capacidade de convivência sem conflito dariam por si a medida exata da beleza e da plenitude do Amor.

Evidentemente não excluo a possibilidade de que esse tempo do Amor possa ter a duração de uma existência, atando-a de ponta a ponta, ou mesmo transcendendo-a. Romântico que sou, busco uma companhia para toda a vida. Mas reconheço que um amor duradouro somente pode resultar de um conjunto de afinidades profundas entre os dois amantes e de uma disposição mútua para essa permanência irrestrita. Minha experiência demonstra que a tal “delícia de sentir as coisas mais simples” como fala Manuel Bandeira só pode advir de um certo costume, oriundo da convivência habitual e persistente, entre os amantes.

O exercício de se observar criticamente o cotidiano demonstrará exatamente o contrário, que as pessoas entendem a companhia com o outro (flerte, namoro ou casamento) como experiência necessária independentemente de haverem ou não afinidades. Como se qualquer companhia (mesmo aquela que transforma o cotidiano num inferno) fosse alternativa melhor que uma velhice solitária. E nisso vão protagonizando uma história de amor que só muito tardiamente é reconhecida como fracassada. Por essas imbricadas razões que transitam livres nas ruas de sombras em que se constitui o coração humano (uma obscura cidade de surpresas), as pessoas vão enganando-se imaginando que tudo está bem e o amor é algo possível sem maiores cuidados. Como diz um amigo: cultivam o amor como deus cultiva batata.

Que meus leitores (se é que tenho algum) não entendam que postulo aqui a inexistência do amor. A vida está cheia de suas demonstrações. O que postulo é que ele seja uma experiência passageira e fugaz sobretudo para quem o encara como um jogo já ganho. O amor como “o que se aprende no limite” e como “o ganho não previsto” (duas belas imagens drummondianas) revelam o amor como uma causa perdida. Para os que assim encaram, os que sabem dos melindres dessa experiência, das diferenças incontornáveis entre homem e mulher e da natureza vacilante do amor (que na mitologia é filho de poros e penia, fartura e demanda) ele pode trazer uma fagulha de eternidade.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes arruinaram minha vida. Fizeram de mim um românico esperançoso crédulo no amor verdadeiro que um dia vem (se é que vem) e para ele sigo o conselho drummondiano de me guardar todo e inteiro. Entretanto entendo que a vivência plena desse sentimento que nos torna magníficos está diretamente relacionada à capacidade de se suportar a si mesmo. Eu ousaria dizer que quem não está pronto para a solidão não estará pronto para o “viver com”. O modo sórdido e traidor como as pessoas vivenciam seu rame-rame cotidiano a que chamam de amor talvez clame pelo contrário, mas ouso aqui também afirmar algo ainda mais subversivo para ouvidos calejados de descrença: ouso pensar que duas pessoas que possuam afinidades profundas e estejam cientes dos zigue-zagues da condição humana (e nela a experiência do amor) podem (se assim desejarem) construir uma concha de amor e recolhimento onde é possível a fruição de todo o encanto prometido pelos mitos, pelas canções e pelos poetas mais lúcidos. Eterno enquanto dure. Duradouro para sempre na gratuidade com que se propõe a saciar a nossa sede infinita.

(por Pedro Gabriel - pedro.gabriel@ymail.com - http://lituraterre.wordpress.com)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009




Apresentação/Lançamento do livro de poesia Gramática do @mor Tecnológico de Paulo Alexandre e Castro:


  • Câmara de Lobos, Biblioteca Municipal, dia 18 de Novembro de 2009, pelas 16 horas com apresentação da Drª Ana Bijóias Mendonça;
  • Funchal, na Universidade da Madeira -Campus da Penteada, dia 20 de Novembro de 2009, pelas 18 horas, com apresentação da Profª Doutora Luísa Marinho Antunes (autora do prefácio);
  • Torres Vedras, Auditório Municipal (Av. 5 de outubro) dia 25 de Novembro de 2009, pelas 19 horas, com apresentação do Prof. Doutor Carlos Guardado Silva e declamação do poeta Luís Filipe Rodrigues;

  • Porto, Livraria Bertrand-Porto Plaza Shopping (R. Fernandes Tomás), dia 3 de Dezembro 2009, pelas 18h, com apresentação da pintora Alexandra de Pinho (autoria da capa);

  • Braga, Livraria Centésima Página, dia 11 de Dezembro 2009, com a presença do Prof. Doutor Manuel Curado.
    http://pauloalexandreecastro.webs.com/notcias.htm

sábado, 21 de março de 2009

MINHA TERRA AINDA É LINDA

Palavra opaladina que em verso deixo,
Neste dia consagrado à poesia...
Nesta tarde onde te ofereço rosto novo...
Neste escrito onde me afirmo, tu nesse grito
Palavra do campo, da cidade, da aldeia em sitonia
Minha terra Santo Estêvão que abençoa...
Noutra estrofe outra miragem
Qual passagem que nos vai consumindo...
Momentos que não posso esquecer
Por aqui, por ali, rasgo o teu nome
Guardo na alma de criança o meu viver.

Foi aqui que meus passos dei, caminhei
Foi aqui que esculpi a minha poesia, então
Pedaços do meu ser, do coração
Agora tenho aqui, nestes braços o fulgor
Também a música co acordeão...
A seiva do que chamas amor, derramado
Santo Estêvão meu santo poderoso
Da saudade aquela miragem e o amor dedicado!

Abril, feito tempo de liberdade
Terra amiga, da casa do povo à sociedade
Estes passos de novo remodela a Igreja
Onde tocam os sinos e o altar que se beija
O amor que eleva corações e a morte!
A minha e a tua sorte...
Minha terra tem riqueza, poetas com poesia
Gente boa, acolhedora, movimentos
Imensa sintonia quando se param os ventos
Santo Estêvão meu fado, saudade que não finda...
Deixo-te meus pedaços dos meus pensamentos
Aldeia amiga, à beira-mar tu és linda.


Olhão, 21 de Março de 2009 - 20:28h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

John Updike, um poema de Tiago Nené

JOHN UPDIKE

.

Morreu sem um critério rigoroso.

Não se poderá dizer que tenha sido a lei da vida

ou a lei da morte

ou uma derradeira e infinita

composição da urgência.

Hoje morreu-lhe o corpo, morreu porque assim

disseram os médicos, porque assim

disse o seu pulso frágil como o equilíbrio

da terra, e porque agora é o tempo que o respira.

Hoje morreu-lhe o corpo, repito em voz alta.

E isso é tudo o que,

da perspectiva da nossa memória incompleta,

precisamos de saber.

.

.

Tiago Nené

(in Instalação, obra a ser lançada em 2009)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

EM PROCESSAMENTO

Em processamento...
Ficou aquela palavra
As outras que não escrevi
Os agradecimentos que esqueci
Em processamento ficou sim
Tudo o que pensei e não vivi.

Tavira, 22 de Janeiro de 2009 - 22:15h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Os mortos

Não há mortos que morram tanto como os nossos.
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metadede
uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)


(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Luar

O luar,

é a luz do Sol que está sonhando

O tempo não pára!

A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

...os verdadeiros versos não são para embalar,

mas para abalar...

A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...


poema de Mário Quintana

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Dedicatória

Seres minha, sem ter forma; 

Teres um véu, meu sonhador...

Seres a luz do meu crepúsculo, 

Ser o céu, teu resplendor. 

Escolho-me hábil, sonoro, imerso. 

Trémulo peito, meu suor-frio. 

Sempre que pára viajo disperso,

Imagem silente, informe, vazio.

in www.banhosdecinza.blogspot.com


Seres teu, sem ter forma;

Teres um véu de sonhador…

Seres a luz do teu crepúsculo,

O teu céu de resplendor.

Escolho-te hábil, opaco, imerso.

Treme-te o peito, o teu suor-frio...

Sempre que falas, viajas disperso.

Imagem silente, anónimo, vazio

in www.bloguedasartes.blogspot.com

domingo, 16 de novembro de 2008

Um poema de Pablo Neruda: saudade

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

dois poemas de barack obama escritos em 1981

Poemas de Barack Obama em português na Casa dos Poetas traduzidos por mim.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Abertamente

Pergunto-me, e este é o meu descanso.
Relativa esta acalmia... há dias no meu ser.
E pensar, ou ler...
Este estar, este ver...
Sentir? Porque não?
Serena... mais leve...tenho uma pena em mão.
Ao escrever, acorda-me o vento do agora...
de nunca querer acreditar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Suposições nocturnas...



Foto por Daniela Pereira in www.olhares.com/blueiela
Direitos reservados

Poema em "psyco-fire mode"



Cala-me os sons da noite
porque só a tua respiração me importa ouvir...
Prende-me as luzes do quarto
que trago soltas no meu cabelo
e afaga-me delicadamente a pele
até me sentires apagada nos teus braços...
Existe um perfume no ar
e o meu corpo é uma maçã verde
que suculenta vai-se desfazendo na tua boca
e nos teus dedos
já se faz em pedaços...
Quero Vinho do Porto a regar-me o umbigo
e ser um cálice pronto a partir
ao primeiro toque
Quero lamber-te a pele
com a boca molhada
e a língua enrolada em puras brasas
mas sem te queimar o sangue
e só chamuscar-te de mansinho...
Quero beijos no pescoço
dados sem pressa
e sem destino nenhum
quero ver-te a percorrer-me as pernas
com as mãos pingando desejo
e os olhos aprisionados junto aos meus seios...
Podes fugir com a boca inquieta
e escalar-me o corpo com carinho
porque tens montanhas em êxtase
à espera de sentir a terra tremer...
Não me apetecem sombras nas paredes...
todos os objectos neste quarto
estão deformados no meu olhar
e eu só quero a tua sombra sobre mim
a esconder-me as curvas
entre vagas com uma ondulação vigorosa...


Murmuras baixinho
quando te desenterro a alma
com as pernas arqueadas
e voamos juntos
de asas abraçadas
deixando no chão do quarto
segredos curtos sussurrados e longas marcas de prazer...

Daniela Pereira
Direitos Reservados

Apresentação de Palcos Cruzados - Assoc. Cultural



No próximo sábado, dia 6 de Setembro, vamos apresentar formalmente a nossa Associação D´Artes PALCOS CRUZADOS, na Biblioteca Municipal de Vale de Cambra – às 21:00 horas.

Com este evento, vamos apresentar simultaneamente uma exposição de pintura, assim como escultura, fotografia, música, teatro e poesia.

Somos uma Associação Cultural, sediada em Vale de Cambra, criada para promover, divulgar e inspirar todos os tipos de arte e seus autores ou simples admiradores. Queremos roçar a tradição e a ousar a inovação, com declamação de poesia, teatro, exposições de pintura etc...



terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Homem ou é Tonto ou É Mulher

"O Homem ou É Tonto ou É Mulher" de Gonçalo M. Tavares

A peça é uma sequência de textos em que um homem "salta de assunto para assunto, em reflexão sobre si próprio e os outros e as suas relações com os outros". A ironia e o humor são uma constante no discurso.

"Mas não julguem que não penso.
Eu sou é um pensador doméstico.
Fecho-me em casa e penso muito.
Quando venho cá para fora é que começo a disfarça(...)
É muito difícil ser inteligente com tanta rapariga bonita a passar."

(by Gonçalo M. Tavares, 2002)


para os mais interessados em saber mais sobre o autor fica o endereço electrónico da sua página pessoal http://goncalomtavares.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

NO ÁLBUM QUE GUARDO

Recorto a imensidão das horas,
O espaço ressequído pelo calor...
A dádiva da canção dançante,
Este infindável desejo, acutilante
Fogo de todos os domínios
Ao espelho perdido e antigo.

No espasmo dos nomes escuto-te...
Envolvo-me no sorriso encerrado,
Na inarrável criação da lonjura,
A fonte acesa do dia esculpido,
Tavira azulada na vazante...
Entre o café da sugestão
A um telegrama sem corpo.

Longe de ti... não és ninguém!
Ateados os perjúrios do sangue
Bonanças da sugestão esfumada
A memória ardente da minha cidade,
O interstício da tripulação azul...
Palavras sinuosas na iminente despedida,
Alegrando a rua sem nome!
Rua ao fundo do tempo do Gilão.

Cidade do acaso entre cenários...
Amor que se dança mais além!
Ancestral sorriso a encetar olhares
Múltiplas páginas, posturas, imaginários
Ritual que o turismo acende
No pálco cenários acentuados...
Café e vinho que se aconchega
Neste apontamento, aquela demora
O navio, a ilha, a minha Tavira
O sono do meu jardim, gente gira
O povo de longas euforias...
Aventura contida naquele poema
Amor lilás, teu envolto tema.

Igreja... igrejas, recantos da fé!
Sentido cúmplice, inscrito até
Nos anos lavrados da tradição...
Rasgando a frescura e o Sol algarvio,
O arco e o castelo, sombra e luz
No álbum que guardo além Jesus.

Tavira, 25 de Agosto de 2008 - 12:27h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

Livro "Nas Águas do Verso"


No cantinho do Blogue das Artes aqui vos deixo uma boa nova...a minha participação numa colectânea de poesia que já se encontra disponível. O livro "Nas águas do Verso"... escrito a 100 mãos com muita alma..sorrisos e sal...
Aqui deixo o meu agradecimento ao João Ferreira e ao Pedro Lopes por fazer parte deste projecto de partilha das palavras de um mundo onde a poesia é um rio de sentimentos puros e transparentes...


Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes.
Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.
Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito.
Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras.
Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia.
Sejam bem-vindos ao barco poético e uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso.




Titulo: Nas Águas do Verso
Subtítulo: 100 Autores - 100 Poemas
Editor: Edições Ecopy
Colecção: Poetas Contemporâneos
Ano de Edição: 2008
N.º de páginas: 128
ISBN: 9789898080684
EAN: 9789898080684
Dimensões: 20,5 x 14,0 cm

Um livro fantástico, com textos de 100 pessoas tão diferentes que se unem para criar uma obra de imenso valor... Recomendado a quem aprecia a arte de ler e a magia das palavras...

Onde comprar:

Editora Ecopy
ecopy@macalfa.pt

Livraria Leitura (Porto)
http://www.livrarialeitura.pt
Rua de Ceuta, Nº 88
Telefone 222 076 200

Livraria Byblos (Lisboa)
http://www.byblos.pt/
Rua Carlos Alberto Mota 17 Edíficio Amoreiras Square
1070-313 LISBOA

Bulhosa Books & Living
Galeria Comercial das Amoreiras ( e restantes Livrarias Bulhosa)
Av. Engenheiro Duarte Pacheco, s/n Loja 1129
1170-103 Lisboa
http://www.bulhosa.pt/

NAS ARESTAS DA PÁGINA DESAVISADA

No silêncio da água branca navego, pelas arestas
Tomo-me na amplitude dos horizontes lácteos
Nos sulcos que me vergam o braço…
O lugar definido das cidades e da ausência
Esta minha entrega nas arestas da morte total.

No indesejável eco escondo os meus silêncios…
Os passos de uma metáfora que se perde,
Os encantos que desautorizam e desfazem!
Chamo-te à interrogação no espelho delimitado,
Fico com um olhar de aço quase impossível…
Quase acorrentado pelas novas posturas,
Fico e nunca mais estou nessa faixa, nesse lado.

Pensei saber-te novamente… pensei sim, ausente
Desesperam os nomes no telegrama final…
Este momento colorido pela noite dos açoites,
Os esconsos dos símbolos no desastre da manhã adiada!
Assim, todas as cores, vermelho, carmim, lilás…ou nada
As outras na inarrável aproximação do sentido ideal.

Adias o nome tanto desejável… a aurora frágil
No fálico tempo de estátua revelada no universo
Por herméticos sons de harpa e acordeão fugaz,
A um desconhecimento impróprio de todos os olhares
Neste hiato de permanência, sem gesto possível.

A página cobre-me o corpo com um sorriso…
Dentro de mim o choro dos fantasmas da imaginação,
A vibração do corpo e da alma… assim, em vulcão
Entre as estrelas e a neblina da esperança dançante
O uníssono da carne perfilada às órbitas da nudez,
No ébrio sentir do remanso minucioso desavisado.

Tavira, 24 de Agosto de 2008 – 19:05h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

LANTERNA


Alexandre Zlotnik


É na espera que a estrada se cria,

entre musgos e fungos e pedras,

cratera na terra é fogo que esfria.


O tempo é o tear onde se fia o dia,

meu vestido é linho de horas novas,

a linha na agulha amarra a história.


Se eu esperar e a estrada escurecer,

pego um fio fósoforo na aura do anjo

e dou vestimenta ao passo, na luz.