domingo, 24 de fevereiro de 2008

o amor é para comer


o amor é para comer

quão estranho é aquilo que pede a fome, ou o que a fome pede e estranha. e sem muito sentido para quem ama, e para quem ama perto de quem tem fome, que não seja, comer num instante, de repente...

a amar


Sónia Bettencourt, "As Três Faces de Eva", Corpos Editora, 2007

Foto: Filipa Toledo (wipa.deviantart.com)

pornografia pessoal


pornografia pessoal

pergunto-me por que ainda te quero

quero-te porque pouco resta a destruir


Sónia Bettencourt, "As Três Faces de Eva", Corpos Editora, 2007

Foto: Filipa Toledo (wipa.deviantarte.com)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Apresentação de Livro

O livro “As Três Faces de Eva”, de Sónia Bettencourt será apresentado no próximo dia 15 de Fevereiro, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, pelas 21h30, com apresentação do Dr. Luís Falcão.

Trata-se da segunda publicação da obra da jovem escritora açoriana, também sob forma de poesia.

Tripartido em personagens homónimas interpretadas por Joanne Woodward, “Eva Preta”, “Eva Branca” e “Jane”, no filme ("The Three Faces of Eve", de 1957), o livro faz uma alusão a três faces da mulher traçando a realidade contemporânea da condição feminina.

Recorde-se que “As Três Faces de Eva”, editado pela Corpos Editora, em 2007, já teve lançamento oficial na cidade do Porto no passado mês de Outubro e na cidade de Angra do Heroísmo, no mês seguinte.

No seguimento da apresentação do livro está previsto a actuação de YNot Band e Maria Bettencourt, também na Fábrica Braço de Prata, pelas 23h00.

Os “Ynot Band” são formados pelo líder Tony Silveira, do Pico, Luis Gil Bettencourt e Paulo Fonseca, da Terceira, e Williams ( Maninho) Nascimento, do Brasil. Têm como convidada a jovem cantora praiense Maria Bettencourt, que, ao longo dos últimos tempos, tem vindo a dar os seus primeiros passos na música e desde que foi levada ao palco pela mão do padrinho, Nuno Bettencourt, tendo actuado pela primeira vez, com os Extreme, na Maré de Agosto, na ilha de Santa Maria. Os “Ynot Band”, além de actuarem em muitos palcos da ilha Terceira, e de outras ilhas, aos poucos, preparam-se para uma série de clubes, desde Paris, Bruxelas, a Amesterdão, de acordo com Luís Gil Bettencourt.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Deixar Morrer


(...)

Procuro o teu rosto em cada homem que vejo. Nesta noite particularmente. O dia a seguir ao nosso encontro torna-se, por excelência, o mais vazio e o mais aterrorizador do meu arrastar. É o dia em que tropeço nas horas, esquartejadas pelos meus humores cruéis, tentando viver entre a fantasia e a realidade, ou como tu mesmo costumas chamar, a perpétua imposição: relembro as curvas do teu corpo convulsivo ao mesmo tempo em que enfrento o trânsito logo pela manhã; relembro o cheiro do teu cabelo ao mesmo tempo em que deixo as crianças no colégio; relembro a marca dos teus cigarros ao mesmo tempo em que tomo a sopa para enganar a fome; relembro o sabor do vinho que bebemos ao mesmo tempo em que percorro os corredores do supermercado; relembro, relembro, relembro, pinto e invento a tua imagem até o minuto em que, antes de me deitar e fingir o prazer e o sono, deixo-me tranquilizar pela televisão – o verdadeiro ansiolítico.
(...)

Gostava de ter alguém












«É-nos possível viver sozinhos, desde que seja à espera de alguém»
Gilbert Cesbron
Ás vezes saio sem saber para onde vou. Gosto de deambular sozinha pelas ruas e travessas da cidade, ver pessoas a passar a pé e de carro, entrar nas lojas onde na realidade não há nada que queira comprar, e imaginar que necessito daqueles artigos que estão expostos nas montras e nas prateleiras; frequentar um café ainda que por alguns minutos e ouvir parte de conversas: ao telefone, ao balcão, na mesa ao lado e nas pessoas que passam na rua junto à porta; comprar um bilhete de metro e sair numa estação por impulso, por uma urgência que me toma em desfazer as horas ou simplesmente procurar-te mesmo sem te saber o rosto.


Quem és? De onde vens e para onde vais? Ocorre-me vezes sem conta e submeto-me a uma investigação clandestina, muito íntima e divirto-me a interpretar uma vida ao cruzar contigo por acaso, num sítio qualquer.

(...)

sábado, 1 de dezembro de 2007

Sem Título



amo-te

mas na verdade nunca te amo tanto

como quando te odeio

é como se fosses o amante indesejável

que se esconde e chora sem parar


odeio-te

mas na verdade nunca te odeio tanto

como quando te amo

é como se fosses uma fonte de água fresca

jorrando beijos e carinhos


mas minto

e minto verdadeiramente

sobre o ódio que sinto em amar-te


Foto: Hans Bellmer


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sónia Bettencourt lança livro de poesia em Angra do Heroísmo


O livro de poesia “As Três Faces de Eva”, de Sónia Bettencourt, é lançado no próximo sábado, pelas 20H00, no Havanna Club, no Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo.
A apresentação do segundo livro de poesia da escritora açoriana, cujo lançamento oficial ocorreu, em Outubro, no Porto, está a cargo de Sandra Bessa, sendo a entrada livre.


Editado pela Corpos Editora, o livro está dividido em três partes (Eva Preta, Eva Branca, Jane), numa alusão às três personagens homónimas interpretadas por Joanne Woodward no filme “The Three Faces of Eve”, de 1957, em que cada uma integra 12 poemas.


Sobre “As Três Faces de Eva”, o escritor Victor Rui Dores escreveu no posfácio: “Tematicamente agarras muito bem a mulher na sua qualidade de herdeira de venialidade humana e denuncias melhor ainda a sacralização maldita da fêmea. Na tua poesia a mulher é sempre ambígua e fascinante, principio e fim de todas as coisas, isto é, portadora da vida e da morte, conhecedora dos segredos do mundo, ela que é ainda prisioneira de muitos e múltiplos preconceitos ancestrais (…)”.