Na foto:Eu e duas amigas do peito...a pequenina Bia e a Luísa:)
A Apresentação do livro Afectos Obsessivos na Livraria Leitura Books & Living ocorreu num ambiente muito caloroso e descontraído.
Cercada de amigos e de pessoas que me acarinharam imenso...só podia ter sido um momento muito especial...e foi.
O livro foi apresentado...a autora deixou-se guiar pela emoção que sentia e as palavras saíram bem cá do fundo do peito.
Depois a poesia foi rainha e muitas vozes quiseram partilhar emoções ...inesquecível.
Obrigado a todos os que estiveram presentes e me apoiaram nessa tarde...
Para quem quiser dar uma olhadela pelas fotos do evento...entrem no site EscritArtes e espiem o slide que lá se encontra
http://www.escritartes.com/forum/
beijinhos
Daniela Pereira
terça-feira, 11 de março de 2008
Obrigado:)
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Apresentação do Livro Afectos Obsessivos-Porto
Apresentação do Livro Afectos Obsessivos de Daniela Pereira.
O evento irá ocorrer dia 8 de Março na Livraria Leitura Books& Living (Centro Comercial Cidade do Porto) e terá hora prevista para o seu inicio sensivelmente às 17h30.
A Apresentação terá a colaboração de duas vozes da rádio...Pedro Correia da Rádio Mar-Póvoa do Varzim e Nelson Ferreira da Rádio RUM-Rádio Universitária do Minho e com a presença de um convidado muito especial.
Estará ainda patente nesse evento a Exposição Fotográfica "Palavras à sombra de um instante"da autoria do fotografo Nuno Reis e que funde a sensibilidade da fotografia a preto e branco com a poesia presente no livro Afectos Obsessivos.Uma experiência única onde as palavras respiram à sombra das imagens.
No final deste evento ainda poderá desfrutar de um momento muito especial...uma sessão poética partilhada por membros do site literário...O Luso Poemas.
O convite está feito e eu lá estarei para vos receber a todos de braços abertos :)
Daniela Pereira
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Chuva de Verão

Caminho numa praia deserta
e sozinha sinto
que os meus olhos choram
palavras magoadas
porque
todos os dias
espero pelo eco da tua voz
mas quando a noite chega
só os passos
do teu silêncio escuto.
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar-Edições Ecopy 2007
Foto by Deviantart-Wish_you_were_here_by_bloody_earth
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Blogue do Livro Afectos Obsessivos

É com prazer que anuncio a criação de um novo espaço para divulgação do livro Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar de Daniela Pereira
Poemas...curiosidades...sugestões e todas as informações sobre o livro poderão ser encontradas neste blogue.
Brevemente,divulgarei todos os pormenores de uma apresentação do livro na cidade do Porto prevista para o mês de Março
Passem por este cantinho...serão muito bem vindos:)
http://afectosobsessivos.blogspot.com/
beijos
Daniela Pereira
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Escreve o teu nome a preto e branco
e atrás de cada letra
diz o que ficou por fazer
antes que morras com as palavras presas na tua boca.
Tenta agora pensar um pouco
mas não tentes pensar tudo de uma vez
porque os teus pensamentos podem ser pesados...
Deixa que eles se passeiem livremente na tua cabeça
e em tempo algum não lhes force a saída
porque o teu coração é que tem na mão o comando
e tu aqui não mandas em nada!
Olha para o chão...
Estás à espera de quê?
Que te peçam por favor!!
Eu disse...OLHA PARA O CHÃO...
E não vale a pena tentares desviar o olhar
só porque não te agrada
ver os passos que deixaste ficar para trás
quando perdeste a coragem de seguir em frente
e recuaste no teu tempo.
Agora que já conheces a cor dos passos
com que pintas o teu chão de pedras
dá um passo em frente...
Achas que vai cair
só porque essa vertigem de lamentos que te assola
desequilibra o teu andar
e o corpo abana como se fosse uma boneca de trapos?
Desengana-te... porque ainda não chegou a tua hora
e nenhum buraco espera os teus ossos
com essa capa de carne tenra que ainda tens colada a ti.
Estás demasiado viva
para morreres de dor...
Queres saber um segredo?
Chega mais perto
e ouve bem ...
O teu nome não é JULIETA
e o teu amor nunca se chamou ROMEU.
Então... resta-te descobrir melhor o céu nos teus dias
porque a terra não tem ainda morada para ti.
Por isso esta noite olha para ele atentamente
mesmo que ele não te pareça tão estrelado como sonhaste ontem.
E se alguém te disser que as nuvens cinzentas
que vês pregadas às estrelas
no passado não existiam no teu horizonte...
Podes rir à vontade na sua cara
porque tu sabes
que essas nuvens estiveram sempre guardadas no teu bolso
Hoje limitaste a soltá-las um pouco mais cedo
e foi por isso que o céu chorou por ti antes da hora marcada...
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy-2007
P.s:foto by Deviantart -http://monocolour-photos.deviantart.com/gallery/
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sábado, 5 de janeiro de 2008
Amanhã...é sempre cedo demais

Não me digas
com esse ar frenético
que eu te levo ao céu
quando montas nas minhas pernas
porque eu atiro-te ao chão
nesse mesmo segundo.
Por isso
ouve bem o que te digo
enquanto ainda consigo
trincar com calma
o teu ar afoito…
Se eu soltar a minha alma esta noite
não será o teu corpo
que a irá prender entre 4 paredes
e 5 grades de ferro
hoje não chegam
para encerrar as asas
que o meu coração
ontem amarrou às cegas ao pensamento.
Por isso
até que o dia nos corte às postas o desejo
e nos arrefeça irremediavelmente os beijos…
Deixa-te ficar
estupidamente em silêncio
aqui abandonado
no chão da minha boca
Daniela Pereira-Afectos Obsessivos,Edições Ecopy
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Até que as palavras morram de tristeza

A ti …que és poema
E fazes do meu grito a tua voz
Confesso-me!
Não esqueço…
Não apago…
Não perdoo…
Que o mar seja sempre azul
Mesmo que nos meus olhos
Ele seja só um ponto cinzento
Difícil de avistar.
Não me lembro
Quem lhe roubou a beleza da cor…
Quem se atreveu
A dizer-me que os meus olhos sabiam a sal grosso
E que o mar
Tinha nas ondas
Uma mordaça para o meu pranto.
Não perdoo
Que o céu tenha nuvens carregadas
E que esconda as estrelas do meu olhar
Quando a noite em mim cai…
Não perdoo…
Que o mel que barrei em mil palavras
Seja saboreado como se fossem fel.
Não apago…
Todos os passos que dei às cegas e com o coração às costas…
Não esqueço…
Que não caminhei em círculos
Porque sei que em todos os momentos
Não tinha os pés no chão.
Estou certa que neles sempre voei
Então porque me iria esquecer
O que é ter asas num segundo ?
A ti… que és poema
E sabes que no luar me refugio
Confesso-me!
Não sonho…
Não sinto…
Não vejo…
Que o tempo seja a cura
Mas acredito
que os dias nascem e morrem a toda a hora.
Não sinto…
Que o coração tenha segredos
Que o corpo desconhece mas que a alma confia…
Mas confiei…
E ele parou na areia
E quis ver o mar de perto
E eu confesso
Que o levei lá.
Que não pensei
Que ele fosse sentir frio
Quando o verão o abandonasse
Para aquecer outras paisagens.
Não sonhei
Com jardins de folhas caídas no chão
Mas dentro do meu peito
o Outono parece não ter mais fim.
A ti…que és poema
E em silêncio agora me contemplas
Não olhes para mim
Com os teus olhos piedosos
Suplicando que deixe os meus versos
Pingarem no teu rosto…
Hoje não…
Deixa-me ser eu…
a egoísta desta vez
e que todas as lágrimas dos poetas
nasçam e renasçam vezes sem fim
na ponta desta caneta
até que exaustas na sua confissão
morram de tristeza.
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-Edições Ecopy
Foto by DeviantArt
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sábado, 8 de dezembro de 2007
Perfurei a lua cheia!

Foto por mollixs in http://mollixs.deviantart.com/
Hoje sirvo ao teu silêncio
palavras cortadas num só golpe
na esperança que assim aguçadas
possam ficar bem atravessadas no teu pescoço.
Rápida… incisiva
e surpreendentemente letal
furo-te a alma
em meia lua ou em três quartos…
para mim tanto me faz!
Porque inteira…
hoje é que ela não fica!
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Somos cães que as larvas desprezam...

Foto by DeviantArt
Não quero ser arrogante nas palavras que exalo, mas a arrogância aqui faz todo o sentido. Estou a olhar o mundo que está lá fora e sinto nojo por senti-lo assim....bruto e grotesco. As pessoas parecem uma matilha de cães esfomeados lutando pelo melhor pedaço que a vida lhes atira ao chão.. e como cães que são mostram-se bichos rudes e insensíveis não hesitando em morder os fracos e derrotados até ficarem com os dentes bem cravados na carne... porque neste mundo só os vencedores merecem comer. Vale tudo para se ser feliz neste planeta de mesquinhez e cobardia! Queres ser feliz ? Então, não penses mais porque a maneira mais fácil de lá chegares é devorares a felicidade dos outros...engole-a só para ti...tira-lhe o ar e depois deixa-a seca e vazia num canto qualquer da tua rua. De preferência, num canto escuro, só para que ninguém veja o teu trabalho sujo a brilhar na sujeira que amontoas na tua alma. Não podes ser descuidado e deixar á mostra de todos, as lágrimas daqueles que espezinhaste porque ainda rompes a tua máscara e toda a gente vai saber que és um monstro horrendo. Montas-te ao meu coração um cenário lindo de morrer! Só podia porque no fim ele será o meu cemitério ...e a morte de um sentimento tem que ser celebrada com euforia e cor. Fico a rir dos teus rios límpidos e cristalinos, onde a água é na tua dimensão imaginária um objecto de pureza extrema. Achas que não consigo ver que ela está conspurcada de restos maltratados? Louco e inocente...é isso que és! Tenho olhos de breu, mas ainda consigo ver para lá da mentira porque a verdade nunca me enganou e sabe bem guiar os meus passos. Iludiste-me... enfeitiçaste-me com palavras doces e lenga-lengas, mas o meu peito sempre desconfiou dessa doçura reforçada. Batia mais forte...é certo que batia! Mas em todas as corridas que fazemos o coração acelera mesmo que tu vás direito a um precipício ...ele não pára. Não escolhe porque bate...apenas sente debaixo de um emaranhado de músculos entalados na carne e abraçados por sangue que tão depressa ferve como congela a uma velocidade estonteante.
O mundo gosta de pregar sermões aos peixes... de cuspir amabilidades e falsas certezas pela simplicidade do acto. Ser sincero é muito mais trabalhoso! Custa sofrer quando se diz uma verdade e ela é sentida até à raiz dos teus cabelos....imagina-a como uma dor dentes. Assim mesmo...aguda...fininha mas percorrendo cada espaço do teu ser com a subtileza de um elefante numa loja de louça francesa. E tu finges que não dói, porque achas que é justo não a sentires, então porra...se eu disser ISTO NÃO DÓI NADA, só pode não doer. Tem lógica e é a consequência esperada do teu esforço animal.
Olhas nos olhos?... não tu não olhas, porque te arriscavas a ver alguém por inteiro e ainda acreditavas que as pessoas têm um lado negro escondido. E isso iria contrariar o modo que tens de ver as coisas á tua volta. Tudo é perfeito num mundo temporário... num mundo que controlas a teu belo prazer e ao sabor das tuas vontades. Gosto disto!....Então tem que ser meu...pensas tu possuído pelo espírito de um caçador.
Escolhes as armas... as mais convincentes...aquelas que nunca falham! Estudas os terreno...analisas as fraquezas que terás que fingir cuidar e depois resta-te elogiar os pontos fortes até que mel escorra das nossas bocas. Atiras uma rede para o fundo do meu mar, porque no fundo tens alma de pescador... e ficas sossegado e em silêncio a ver o peixe enrodilhado e quando o sentes cansado de tanto se debater...toca a comê-lo crú e com muito sal à mistura!
Mas hoje, não sou mais caça nem bicho do mato... muito menos sou taínha. Porque por ti, fiz-me leoa...fiz-me tubarão! Despi a pele de cordeiro e renasci lobo com corpo de serpente... uni as minhas fraquezas que tanto desprezaste e fiz um manto de aço que na pele fundi. Por isso cospe para aí no meu prato...apagas as minhas estrelas e pinta de negro o meu céu. Já não me importo...ganhei forças para decorar o mundo ao meu gosto. Não preciso de conselhos...nem de panos quentes para por nas minhas feridas. Posso muito bem lambê-las ...a saliva sempre foi o remédio para curar as chagas dos animais. E é isso que eu sou...é isso que tu és...é isso que somos todos até que o odor da morte nos chame à razão.
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Sussurros e poesia-2ºFôlego

Foto por Nuno Reis http://www.noir-sur-blanc.blogspot.com
Se alguém te perguntar se estás triste, sorri e mente. Não mostres os teus olhos vermelhos porque os homens preferem vê-los pintados de outra cor. Quando sentires frio dentro de ti, cobre-te de luxúria e prazer e espera que o teu corpo aqueça. Por precaução, costura o teu passado no decote e espera que num momento mais quente o rasguem de olhos fechados para não o verem...o mundo é mais compreensivo quando é cego.
Depois embrulha o teu corpo numa fita veludo e aguarda que um olhar te deseje como presente, mas não esperes receber flores da mão que te despir. ..porque as rosas são para os contos de fadas e tu perdeste a tua magia quando arriscaste amar a sério alguém. Agora do amor que sentes só mereces uma coroa de espinhos e as flores nunca serão para ti.
Então não chores nessa janela porque ninguém te vê por detrás desse vidro empoeirado , és invisível aos olhos de quem por ela passa . Sempre foste assim, apenas já não te lembravas de como era senti-lo...
É por isso que te refugias nas palavras como um vagabundo que procura abrigo em cada canto da rua? Não encontras palha para fazer o teu ninho e então gritas com elas para libertares toda a tua fúria contida. E porque gostas de manter aquela imagem suave e doce que acalma os outros sorris...e quem te acalma a ti, quando sentes que vais explodir em pedaços? Olhaste bem em teu redor?
Não te admires se não vires ninguém e não te belisques porque não é um sonho...é apenas o teu maior pesadelo.
The Arcade Fire - Rebellion (Lies)
Porquê ter medo da solidão
se a solidão é a tua única companhia?
Porque choras quando olhas
Para as paredes vazias?
Foram só recordações que delas arrancaste...
Tens tela e pincéis
Então, porque não pintas novos quadros?
Tens tantas cores nos reflexos das tuas lágrimas
Porque não tentas
pintar um arco-íris nos teus olhos...
Não desistas
De imaginar que salpicas o céu
Só porque Deus
Fez os teus olhos com a cor da terra...
Porque a tua imaginação
Tem asas
Sabes bem que o chão nunca poderá ser a tua casa...
Se tiveres de voar sozinha, então não receies a solidão do teu voo porque os pássaros abrirão caminho por entre as nuvens e o sol não te faltará. Tu és como eles e vives cantando sentimentos por isso nunca te pedirão que silencies a tua dor nem que escondas os teus desejos por conveniência só porque temem as tuas tempestades.
Tens nos dedos a força da liberdade das palavras e a coragem para encher o céu com palavras apaixonadas mesmo que o mundo teime em caminhar com os olhos postos no chão...
Pelo menos tu sabes como fazer dos teus lábios rebuçados e escolhes livremente as bocas que os poderão provar... não te limitas a distribuir a mil porcos os teus beijos como se fossem guloseimas só porque por eles salivam.
Por isso...
Beija estes lábios
que em chocolate
foram moldados
e deixa-te ficar assim
perdido na minha boca
até que o meu corpo
se ofereça a ti como sobremesa.
Depois com o meu coração nas tuas mãos
caminha lentamente
até aquela janela empoeirada onde eu chorava...
Então, abre-a com cuidado
para eu não a ouvir gemer
e solta-me com os olhos fechados
porque eu só
sei voar na escuridão...
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
O Livro Afectos Obsessivos

O livro Afectos Obsessivos - A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy de Daniela Pereira
Reserva de exemplares com dedicatória minha e com muito prazer:),através do email:ielapausas@gmail.com ou através do meu hi5: http://BLUEIELA.hi5.com
Outros Postos de venda
Livraria Leitura
Rua de Ceuta 88
4050-189 Porto
Livraria Buchholz. Lda
Rua Duque de Palmela, 4
1250 - 098 Lisboa
Catálogo on line das Edições Ecopy:Colecção On Demand
http://ecopy.macalfa.pt/ (já disponível)
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Sussurros e poesia-1ºFôlego

Foto by DeviantArt - devotion_by_emilola
Shiu não digas nada, por favor! Não corrompas a lealdade deste silêncio a dois e escuta comigo o que ele nos segreda enquanto sonhamos...
Não existe mais nada numa paisagem em chamas
para além de sombras e labaredas
que abraçadas com paixão
alimentam um fogo
com sonhos húmidos.
Tens carne que cheira a queimado
cravada na tua pele
e esse odor forte
que sentes quando inspiras
vem dos meus pedaços
que no teu coração arderam.
Espera, não grites ainda ....espera que eles te queimem por completo a alma. Depois sim, grita à vontade mesmo que eu já não te oiça. Porque esse teu grito vai-me encher de prazer enquanto dispo este corpo fútil de todas as sensações humanas para deleitar os teus sentidos com as minhas miragens. Podes vir comigo se quiseres, porque nesta cama vestida com lençóis de carne há sempre lugar para mais um...
Mas não venhas já, dá-me tempo para apagar todas as luzes do quarto porque quero a tua imagem à luz de velas forrando as paredes. Só assim o quarto ficará acolhedor para te perderes em devaneios mais quentes.
E na penumbra apenas te verei a ti porque só para ti farei poesia no escuro... para o resto do mundo estarei cega e muda...
Dois corpos nus
ainda vestidos
contorcem-se de costas voltadas
num êxtase solitário.
Não existe mais nada neste quarto
que deixei em chamas...
Nada mais escuto agora
que a noite se deitou em mim...
Só estes sussurros que escapam da minha boca
tentados pela poesia que declamas com o teu corpo...
Daniela Pereira-Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy
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terça-feira, 27 de novembro de 2007
Elogio fúnebre a um Nada

Não és nada
e nunca foste nada
para os outros
que são tudo para ti.
Nem mesmo aquele ínfimo pedaço
que de ti deste
julgando ser o teu maior pedaço
chegou para preencher
algum espaço no céu com o teu nome.
És um vazio na terra
que nada tem por dentro
para além de sentimentos ocos
e emoções emprestadas .
Não tens vida própria
e vives à custa dos outros
esperando alimentar os teus sonhos
com as migalhas que os outros te dão
em troca do pouco que lhes dás.
Depois é ver-te a escrever como louca
a pensar que alguém escuta as tuas palavras
e só porque as carregas com toda as tuas forças no papel
julgas estupidamente
que podes assim deixar alguma marca.
Mas não...
Digo-te que não deixas nem um traço
porque és apenas pó
e o vento sopra-te rapidamente da folha sem remorso algum.
Não amas
e nem sequer podes mais amar
com esse coração assim desfeito
por tantos medos aguçados.
É que tu sabes bem
que assustas qualquer sentimento
que passeie alegremente pelo teu peito
com todo esse medo que tens colado a ti
e nem sequer te importas.
Já não enfrentas o mundo...
Se é que alguma vez o enfrentaste de frente
porque sempre te vi fugir
como um cachorro assustado.
Já não sabes como se luta
porque te esqueceste como isso se faz
de tanto estares
enfiada nesse teu buraco seguro
cercada de fantasias.
Esperneias...
Gritas e choras
e enquanto te debates sozinha
por entre dúvidas e certezas
nos teus pensamentos mal amanhados
vais suplicando
como um peixe fora de água
que te deixem ao menos respirar.
Então, hoje sei que olhas sufocada
para aquela caneta
que tantas vezes te fez sorrir
e até ela baixa os olhos
perante toda essa tristeza
que adivinha estar estampada nesse teu rosto.
E tal como tantos outros
ela também já se sente enfadada
das tuas lamurias sem nexo
que esculpes com as tuas mãos
nas curvas da poesia morta.
Agora ela só quer
procurar outros poetas
que saibam celebrar com as palavras
essa vida que tu
já não tens nos teus dedos.
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições Ecopy
Já disponível para reserva de exemplares com dedicatória da autora,através do email:ielapausas@gmail.com :)
Foto by Nuno Reis - http://www.noir-sur-blanc.blogspot.com/
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Vamos falar de amor...calados?

Fotografia de Nuno Reis in http://www.noir-sur-blanc.blogspot.com/
O tempo passa e o coração permanece parado
Estático na sua timidez de amar…
Ávido por uma batida mais intensa
Por um fôlego apressado..
Por um toque na pele sentido na boca.
O amor não pensa…
O amor entrega e rouba
Tudo o que é racional…
Prende-te os sorrisos
Com teias de mel…
Amarra-te os sentidos
Com abraços sem folga..
Bebe-te o olhar
Com dois copos de vinho branco bem servidos.
Devora-te o peito
E tu lambes os restos que amores antigos deixaram
Ansioso pelo gosto de uma nova sobremesa.
Como mostramos o que sentimos ao amar?
Como se pinta o tecto com beijos multicolores
Usando o vermelho como fundo na tela?
Como se respira devagar
Quando os pulmões
Fazem redemoinhos com ar na boca?
O amor não pensa…
Fecha os olhos à noite
E a tua imagem vem-lhe à cabeça
Como um sonho bom
Que cortas em pedaços
Para saborear com sumo de limão.
Amas demais…
Esqueces tudo à tua volta
E só vês um corpo
Esculpido nas sombras…
Todos os rostos
São monótonos
Se não são aquele rosto
Que idealizaste em ti.
Todos os beijos
São iguais…
Sabem a pouco
Se os teus lábios
Não estão despidos
De beijos passados.
Então amas com cuidado…
És frágil nas entregas
Porque o teu coração dos portões de ferro
Fez portas de cristal.
Amas com o coração
Mas amar... fode-te sempre a cabeça
Daniela Pereira in Afectos Obsessivos-A poesia curiosamente sem açúcar,Edições ECopy
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