domingo, 19 de outubro de 2008

Última Parada 174

No dia 12 de Junho de 2000, o autocarro da linha 174 no Rio de Janeiro ficou detido por várias horas por um homem armado. Fez vários reféns e tudo foi acompanhado em directo pela imprensa brasileira. Este acontecimento daria origem ao documentário Ônibus 174, divulgado em 2002 por José Padilha (o realizador do filme Tropa de Elite). No vídeo abaixo poderão ver um excerto do mesmo.



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Bruno Barreto recupera agora a história e traz-nos um filme que promete ressuscitar o debate sobre o lado mais negro da realidade metropolitana do Brasil. Deixo-vos o trailer, o título é Última Parada 174


domingo, 17 de fevereiro de 2008

adivinhem quem está de volta...


Exacto, até Hollywood anda a aproveitar o Nostalgia Market, depois de Rocky no ano passado este ano esperam-nos o Indiana Jones e o Rambo (já nos cinemas) e, segundo alguns rumores, até o Roger Rabbit vai voltar ao grande ecrã... sintomática esta falta de inspiração em Hollywood. Aparentemente os anos 80 foram mesmo os anos de ouro, e esta hein?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

As mamocas da Soraia Chaves vendem bilhetes

A maior parte dos filmes portugueses que ninguém quer ver teve boas críticas, embora vos garanta não saber a quem servem tão ilustradas obras. O cinema português das últimas décadas esforçou-se arduamente por se fechar ao público, e conseguiu. Eu, nem que me paguem. Não há pachorra para histórias de incesto entre irmãos toxicodependentes que se automutilam até à morte, ou de prostitutos homossexuais que vendem os corpos decadentes em prédios macabros, onde por acaso também se traficam órgãos humanos. Que a fotografia seja muito boa, que o texto se encontro pejado de indescritíveis arroubos literários, nada me comove. O que eu quero é um história bem contada, um texto são e escorreito, sem tiques intelectualóides, inteligente e veloz. Mas eu sou o público, não a crítica, a qual arrasou Call Girl, o último filme de António-Pedro de Vasconcelos. Para a crítica, Call Girl não passa de um telefilme cheio de lugares-comuns. Os críticos, todos homens, alguns com blogue, saídos dos melhores colégios, possuem um livro de regras muito restrito, quase todo baseado no Casablanca ou outro histórico do cinema a preto-e-branco, que eu muito respeito. Não é que façam mal. Que eu me recuse a ler uma crítica antes de ver um filme é outra história.
Entretanto, António-Pedro Vasconcelos vai sorrindo. O filme vende. É comercial?! Claro que sim, mas o óleo Fula e a pasta Colgate, também. Se a ideia é fazer cinema, convém começar por algum lado.

Texto de Isabela, publicado no seu blogue pessoal O Mundo Perfeito. Ler o resto aqui.

SOMBRAS – UM FILME SONÂMBULO


20 Jan 2008 - das 19:00 às 21:00 - AUDITÓRIO

Longa-metragem de João Trabulo sobre os universos multifacetados do poeta Teixeira de Pascoaes


Um homem silencioso, de instinto vulcânico e visionário, habita num velho casarão com a sua empregada e o seu motorista.
Acordado de um longo sono, sai de casa certa manhã e percorre num automóvel estradas e caminhos.
O espírito desse homem, acossado por vultos e fantasmas, vagueia sonâmbulo e disperso por entre a densa bruma de uma floresta. Projectada na paisagem magnética e fluida, a sua sombra vai imaginando personagens, espectros desgrenhados que passam fantasmagoricamente pelo mundo, e vivem, para sempre, nos seus actos e palavras.

Ficção, 2007, 35mm, 85’, P&B
Com: Guilherme Pinto, João Grosso, Mónica Calle, Luís Castro, Nuno Vassouras, André Gil Mata.
Exibições: Competição Oficial no Indie Lisboa 2007

Uma produção Periferia Filmes, com o apoio do Ministério da Cultura, Instituto do Cinema e do Audiovisual, RTP, BPI, Câmara Municipal de Amarante, Assírio & Alvim, Centro de Artes Visuais.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Nicole, meu amor




Há uma tendência crescente para as mulheres se tornarem iguais. Por vezes, na rua, não sei diferenciar duas mulheres que vão ao lado uma da outra. A ver o Jay Leno, não sei qual é a actriz X e qual é a Y. Olho para as mulheres de 2007 e dá-me a sensação de que todas são irmãs. Os cabelos, a cor do verniz das unhas,as calças, as saias, as caras, as pinturas nas caras, os sapatos. É tudo muito parecido. Depois, aparecem as excepções. Nicole Kidman. Já não tem a pureza dos filmes iniciais (Far And Away, Batman Forever), no entanto, em termos de beleza e de classe, mantém-se sempre muito distante das restantes mortais. Eyes Wide Shut tem muita da sensualidade da mulher. Em The Others, Kidman aparece com uma beleza que não é desta terra. Mesmo em The Hours, Kidman não perde o seu toque pessoal, apesar de tentar atingir a fealdade de Virginia Wolf, o camafeu.

Nicole Kidman, nascida em 1967, parece ter uma grave desvantagem em relação às restantes peças femininas que compõem o panorama mental masculino: a idade. O tempo não abona a favor da australiana. Porém, até essa desvantagem parece ilusória quando olhamos para a cara angelical da mulher. As outras mulheres não lhe devem dar inveja. Em Birth, filme péssimo, Kidman aparece diferente. Com um cabelo curto e pintado de castanho, com roupas mais recatadas do que noutros filmes. Pior, dir-se-ia. Mas não. No meio do filme, aparece o suposto noivo da personagem interpretada pela musa numa tórrida cena de sexo com ela. Dá vontade de fechar os olhos. Parece que o homem está a entrar num templo que não merece. O namoro da ex-mulher de Cruise com Lenny Kravitz deu a mesma sensação. Um escravo a emancipar-se da sua condição. Uma Penélope a fugir do altar.

Numa altura em que o factor Pussy Cat Dolls ameaça tornar-se cada vez mais enraizado no seio do sexo oposto, Kicole Kidman é factor de quebra com a normalidade. Sendo diferente de todas, situa-se num patamar muito elevado, quase divino. Deveria ser mulher em que nenhum homem tocasse. Quanto mais um Keith Urban ou um sujeito irritante que cantou um tema ainda mais irritante, chamado Fly Away.

Também aqui.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

As canções de amor

Língua contra língua. Um diálogo de surdos


[Uma sugestão para o fim-de-semana]

Sequela de Em Paris, que em 2006 foi considerado pela revista Les Inrockuptibles como o Melhor Filme do Ano, este As canções de amor passa-se na mesma cidade e conta a história de Ismael (brilhantemente interpretado por Lois Garrel), Julie (Ludivine Sagnier) e Alice (Clotilde Hesme), um trio amoroso que se centra na personagem masculina.
Ismael, 30 anos, trabalha na redacção de um jornal até tarde, não tendo tempo sequer para levar a namorada ao cinema. Julie sente-se aborrecida com a situação e decide apimentar a relação convidando para a sua casa e a sua cama Alice, colega de trabalho de Ismael. A história a três vai ter um final trágico com a morte inesperada de Alice.
É este o momento que divide a primeira parte (A partida) da segunda (A ausência). O filme começa a crescer à medida que os minutos passam. Curiosamente à medida que as canções (o filme está classificado como um musical e muitos dos diálogos fazem-se a cantar) vão diminuindo.
A película não impressiona pela música, mas pela irreverência com que Christophe Honoré (o realizador) trata todo o processo de luto pelo qual Isamel passa. Sem preconceitos, limites nem sequer lógicas. Antes recorrendo á poesia:
“Os meus dias de Inverno passo a esquecer-te”, diz Ismael pelas ruas de Paris, bem presentes ao longo de todo o filme.
É durante esta segunda parte que Isamel, quase num "diálogo de surdos” se vai aproximando de Erwann (Grégoire Leprince-Ringuet), o homem ao lado de quem vai reencontrar o amor (ele é vivido na terceira parte do filme, O regresso).

“Ama-me menos, mas por muito tempo”, diz Ismael no final ao seu novo amor.

De uma simplicidade que impressiona, o filme conta todos os processos pelos quais o amor passa. À excepção de uma ou de outra de maior qualidade, as canções são, afinal, o quase dispensável. Resta aguardar pelo próximo filme de Honoré, na esperança de que ele seja a sua obra prima - uma promessa cada vez mais solidificada.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

CINANIMA - animação em Espinho


O CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho está na sua 31ª Edição, que decorrerá de 5 a 11 de Novembro de 2007.

O CINANIMA oferece aos amantes da sétima arte um programa diversificado e de vanguarda. Para além da secção competitiva internacional, contempla ainda uma série de actividades que vão desde a organização de workshops, debates, exposições, passeios turísticos e sessões especiais e retrospectivas.
O CINANIMA é já conhecido por proporcionar ao seus convidados e público em geral um ambiente agradável, descontraído e familiar. Criam-se, assim, amizades que perduram ao longo do tempo. Espinho, a cidade que todos os anos acolhe o festival,situa-se no litoral, a escassos 17 kms do Porto e é o enquadramento perfeito para um dos festivais de animação mais antigos do mundo.

Como já é habitual, o CINANIMA apresenta uma Secção Competitiva Internacional e uma Secção Não Competitiva Internacional. Assim, na Competição Internacional haverá seis sessões no concurso internacional de curtas e médias metragens e cinco sessões no concurso internacional de longas-metragens. A Competição Nacional contempla duas sessões: uma para o concurso Prémio António Gaio/ Prémio FNAC e uma outra para o Prémio Jovem Cineasta Português.
No que diz respeito à Secção Não Competitiva Internacional do Festival vamos poder contar com sessões Panorama (três), Retrospectivas e Mostras, das quais destacamos: um Best Of de filmes Noruegueses, uma selecção das obras de John R. Dilworth, um Programa especial designado "O Som da Animação", bem como uma Mostra de filmes de uma Escola de Cinema de Animação de Luzern (Suiça) e ainda uma outra de filmes japoneses da Open Art. Nesta secção vamos ainda exibir uma sessão com os filmes Premiados no CINANIMA 2006, bem como 5 sessões com o Palmarés desta 31ª Edição. À semelhança de anos anteriores, o Festival apresenta as habituais 10 sessões especiais destinadas aos alunos das Escolas Infantis e Primárias e outra dezena de sessões para os alunos das Escolas Secundárias.

Por estas e muitas outras razões, são todos muitos bem vindos ao CINANIMA 2007 e a Espinho!!!

Mais info no Site Oficial

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Elizabeth

A propósito de um interessante filme que se encontra em cartaz (Elizabeth), aqui vos deixo a "voz" da Rainha Virgem, reveladora do seu profundo sentido de dever para com o país que governa, em detrimento de uma vida pessoal.
(reparem na constante oscilação entre o sentimento e a necessidade de o ocultar)

On monsieur's departure


I grieve and dare not show my discontent,
I love and yet am forced to seem to hate,
I do, yet dare not say I ever meant,
I seem stark mute but inwardly do prate.
I am and not, I freeze and yet am burned,
Since from myself another self I turned.


My care is like my shadow in the sun,
Follows me flying, flies when I pursue it,
Stands and lies by me, doth what I have done.
His too familiar care doth make me rue it.
No means I find to rid him from my breast,
Till by the end of things it be supprest.
Some gentler passion slide into my mind,
For I am soft and made of melting snow;
Or be more cruel, love, and so be kind.
Let me or float or sink, be high or low.
Or let me live with some more sweet content,
Or die and so forget what love ere meant.















A guerreira em mim

Ontem fui ao cinema ver um filme cujo trailer muito me atraiu e cujo atestado de qualidade me foi dado por um amigo que “sabe da coisa”. Só pela versão portuguesa do filme eu certamente que não o veria, “A Estranha em Mim” parece mais o título dum romance lamechas, daqueles que se lê para ocupar o tempo livre inutilmente (sem apreender nada) do que o filmaço que realmente é, e que filme meus senhores e meninas.

Tenho sempre um certo receio em escrever crítica cinéfila, primeiro porque não é a minha especialidade e segundo porque nunca sei ao certo quando parar, ainda vos estrago o visionamento do filme com pormenores que devem ser degustados no seu lugar próprio: na sala de cinema.

Ora bem, comprometendo-me já a não contar o fim do filme (embora o visionamento das séries CSI eliminem um pouco a magia deste filme) vou iniciar a minha crítica (ou recensão) do mesmo:

O filme tem a substância que vende filmes: tem algum sexo (mas com muito bom gosto, algo a que Hollywood nos habitua cada vez menos), violência quanto baste (alguma bastante gráfica), e pronto, fora isso, pareceu-me completamente politicamente incorrecto, Erica Bain (brilhantemente interpretada por Jodie Foster) tem um programa de rádio e ama a cidade (Nova Iorque) em que vive, passa os dias a passear-se pela cidade, a gravar os sons que ouve e a partilhar tudo o que belo e feio consegue observar na sua cidade, que sente mesmo como sua.

Em vésperas do seu casamento com David Kirmani (interpretado por Naveen Andrews, que todos conhecerão do Perdidos), no decorrer dum simpático e romântico passeio pelo parque o casal é brutalmente assaltado por um trio de marginais, o resultado são três meses de coma para Erica e a morte de David.

Tudo muda ( e só então compreendi que o título português até está muito bem conseguido, embora nada a ver com o original The Brave One), Erica mas a cidade que outrora amara agora mete-lhe medo, impressiona-se com o mundo urbano, o modo como as pessoas têm medo da noite, mulheres têm medo de ir para casa sozinhas, pessoas têm medo de pessoas… “Nunca compreendi como se consegue viver com medo…” revela a mesma no seu programa. Para se sentir (artificialmente) mais segura, Erica compra uma arma, e é a partir daqui que o enredo anima.

Casualmente, enquanto se encontrava a fazer compras numa loja de conveniência, presencia um episódio de violência que culmina com o assassínio duma esposa pelo seu próprio marido e que, notando a presença de Erica na loja, parte em busca dela de arma na mão. Resultado: Erica dispara primeiro, matando o criminoso.

A partir daqui Erica começa a bater as ruas de noite, a fazer aquilo que a polícia não pode fazer, os jornais enchem as primeiras páginas com relatos de um vigilante que executa criminosos violentos nas noites de Nova Iorque, a personagem – que todos acreditam ser um homem – torna-se num mito, odiado por uns mais humanistas que discordam que alguém se considere no direito de julgar e matar, mas – e em muito maior número – este novo vigilante consegue suscitar uma onda de apoio popular que preocupa o status quo: aparentemente ninguém se importa, e uma ampla maioria da população até gosta, que os criminosos violentos sejam abatidos nas ruas por algum justiceiro.

“Imagina que um José Povinho tinha decidido que já tinha aturado o suficiente, uma pessoa perfeitamente normal que nem notemos, e decide começar a fazer justiça pelas suas próprias mãos”, nas palavras do detective Sean Mercer (Terrence Howard), encarregue dos casos do vigilante.

Um filme pelo qual me apaixonei, de recordar o diálogo com um polícia que a interroga depois de recuperar do coma:

Polícia: “Nós estamos do seu lado.”

Erica: “Eu sei! Vocês são os bons.”

(silêncio)

Erica: “But why doesn’t feel like that?” (tradução livre: mas porque é que não parece (que os policias sejam os bons)?

Na cena em que Erica se confronta com um conhecido mafioso o mesmo questiona “Quem és tu? És da polícia?”, a resposta da Erica: “Isso querias tu!”.

Entendo plenamente porque é que este filme já atraiu críticas, já o chamaram de racista e fascista, nomes utilizados pelo politicamente correcto para afastar os seus próprios fantasmas, o filme realmente demonstra duas situações com gangs étnicos, mas também não faltam criminosos caucasianos, portanto é inusitada a acusação de racismo.

Quanto a um cidadão achar que tem todo o direito de se defender e aterrorizar os criminosos que lhe enegrecem os dias…

Mar Adentro



Mar adentro,
mar adentro.

Y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo,
es como penetrar al centro del universo.

El abrazo más pueril
y el más puro de los besos
hasta vernos reducidos
en un único deseo.

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras
'más adentro', 'más adentro'
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto,
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.
Rámon Sampedro, Cartas del Infierno
(A mais bela forma de versar a morte: dentro dela)

domingo, 4 de novembro de 2007

Tropa de elite

"A maioria das pessoas não gosta de guerra e o major Oliveira não era excepção. Toda a sexta-feira ele subia o morro para buscar o arrego, a grana que os policiais corruptos cobram para aliviar o tráfico de droga. Os traficantes vivem em guerra mas também querem sobreviver. Para quê trocar tiro com a polícia se dá para negociar?
Só que naquela noite tinha um policial que não estava ali para pegar dinheiro. Era o capitão Fábio. Ele estava lá obrigado e com o cu na mão. Se o Fábio não estivesse naquela patamo, o Neto e o Matias não iam ter subido a favela também. O Neto e o Matias nunca iam se omitir nem se corromper. Eles eram honestos.
A verdade é que a paz no Rio depende de um equilíbrio delicado entre a munição dos bandidos e a corrupção dos policiais. Honestidade não faz parte do jogo. É um equilíbrio instável que pode ser abalado pela menor das brisas, e naquela sexta-feira, ventou forte no Babilónia. Foi naquela noite, que o Neto e o Matias decidiram ir para a guerra…"