terça-feira, 5 de dezembro de 2017

AOS MEUS ALUNOS


Vós que sois meus alunos
Vós a quem me dedico!
Almas generosas, puras
Sois os homens e as mulheres
Da profecia do amanhã
O motivo da minha dedicação
A luz da minha vida…
Encantamento e cooperação,
Vós, a quem desejo o melhor;
De igual, quero bem a todos
Deixam-me sem palavras
Pessoas maravilhosas em evolução
Mundo de todas as cores.
A ti, que lutas por ser alguém
A ti, amigo das minhas horas
Dos dias de essência filosófica
Das palavras mais belas, perfeitas
Tu que me procuras e me escutas
Tu a quem desejo a felicidade…
Página preciosa do meu ser
Cadência de todas as entregas
Tanta valia, o tesouro mais elevado
Tu meu aluno, o meu obrigado
Deixo-vos a minha amizade,
Nada vos peço… sejam felizes
Vivam a vossa situação
Não chorem, nem se lamentem
Eu sou mestre da educação
Dócil, altar de sensibilidade
Sou um amigo, sou um irmão
Alcança o teu elevado feito.
Não critiques quem te ama
Lamento… não sou perfeito
Vós sois a bênção do meu peito
Apenas digo obrigado amigo;
Estuda e sê autónomo…
Eu aceito a tua condição
Sê livre, sem preconceitos
Sem dor, sem angústia
Sê tu mesmo, sem depressão
Liberta-te de toda a agitação
Vive a tua mocidade…
Da vida me vou libertando
Não fiques em estado de ansiedade
Sou o teu professor até quando
Preservar toda a minha sanidade
Por cada botão, uma rosa desabrochando.
A minha vida o ensino tem sido…
O exercício do pensar, da reflexão
Que para sempre fique esclarecido
Ensinar a filosofar, de profissão,
Compreensão de postura emocional
A ti, nesta simples poesia…
Deixo-te um abraço fraternal.

Moura, 05 de Dezembro de 2017 – 15:44h
Jorge Ferro Rosa

Escrito na Escola Secundária de Moura

sexta-feira, 27 de junho de 2014

MOMENTO PROSAICO

Palavras e vida, concertos do corpo e da alma, um reflexo turvo, entre olhares cegos, atentos a uma conspiração interior. Imagens alternativas, momentos prosaicos… na arte do silêncio e da redenção de todas as metáforas. Paralelos e guindastes de uma entrega sem sentido ou a procura dos sentidos que se esfuma entre as entranhas da presença. Mas será que estou presente nessas presenças? E este momento como o posso entender? Será que sou capaz de me envolver nisso mesmo do qual sinto um chamamento? Tão complicado, confesso. Lanço-me e nunca mais volto, tentei e perdi-me de imediato, como tantas vezes. Tantas são as vezes que nunca chegam a ter possibilidade do momento que idealizei.

Silves, 27 de Junho de 2014 – 11:04h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na Escola Secundária de Silves (Sala de professores)

DEVANEIO DO SENTIMENTO



O que dizemos das coisas? Dizemos! Perfeição requerida? Silêncio sem nome? Homeostasia do olhar? E para quê olhar? O emocional traça linhas de consideração, no jogo do ser e do estar. Não sei porque estou nesta consideração, na oscilação dos sentimentos, numa expressão sem relação, desvinculada. Todas as palavras são poucas e não quero outras, contudo, querer não significa que obtenha aquilo que desejo e o meu desejo oscila muitas vezes. Algo perturba o sistema do meu desejo, onde estou e não estou. As minhas emoções apelam a uma transferência fluídica, a um amor cuja ânsia é a minha “morte”!
Os meus sentimentos são forças que parcialmente mostram algo de mim, o mim é uma aproximação do “eu”, essa força estranha, num estado de actualização permanente; contrários executam o jogo do equilíbrio, em ângulos de compensação muito intensos.
Momentos insolúveis, alguns a que estou sujeito.
Paragem obrigatória, facticidade e fantasia de conceitos cujo critério é a tentativa de anulação do exterior. Estou, tento estar mas nunca estou e tudo é temporário, passa demasiadamente depressa.
Aproximo-me dos que me rodeiam, passado algum tempo afasto-me e tudo fica como se nunca os tivesse conhecido. Está em potência, dentro de mim uma luta entre o querer e não querer, isto é constante neste jogo.
Estou aqui junto do castelo de Silves, na esplanada do café inglês, tenho muito calor, procuro conforto, acabei de tomar um café, o preço aqui foi exagerado (1.25€), preço turístico. Enfim… os meus sentimentos são pequenos vulcões, cada vez me deixam mais confuso e o social lança-me a inibição da relação, uma vez que neste momento tenho consciência do inalcançável, o contexto de presença parece-me estranho.
Regresso a mim, pelas diferentes formas de sentir a realidade, no relevo do meu corpo, votado ao tempo, à ancoragem das situações numa métrica sem remetente de memória, enquanto o sonho embala a frescura da brisa que me acolhe.
O jardim dos pensamentos continuam a florescer… a orla singular toma-me num beijo lírico, com o verbo que vai solidificando a minha presença, ainda que só! Em meu torno falam inglês, não faço o mínimo esforço para entender… não. A música da tarde desfolha-se num compromisso declarado, na arte da tinta e nas rimas que me assaltam o espírito. Nomes, muitos nomes, demasiados neste movimento que me rodeia e a luz começa a escassear! Esplanada cheia… quase. Modos diversos, o pendor da sensibilidade, sentido convocado ao diverso, o espasmo do tempo das panaceias de ancestralidade, a presença do meu sangue colateral na flor do olhar.
As minhas vias são cordas que me seguram o corpo, neste silêncio implacável onde se relevam os mistérios da carne que possibilita a cor do espírito.
Ao longe o horizonte parece encerrar o seu espectáculo, a noite começa a chegar ante a desigualdade dos iguais! Tarde deverão, classificação de cenários, passagens, herdeiros da crueza das imagens, algumas escondidas, entre os traços mais vincados ante o arremesso da morada plena. Tonalidades diferentes, perspectivas da contingência do enlace das pausas. Expressão inolvidável, fruição deste delírio ancestral, o sublime trágico de um biografismo, este lugar, a minha morada, puramente factual, a iniciação de uma viagem em aberto. Impar momento, este, entre as coisas que ficaram por dizer. Tudo é muito breve e o devaneio do sentimento perde-se lentamente.

Silves, 26 de Junho de 2014 – 20:10h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na esplanada do “Café Inglês”, em Silves.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

TENTEI PERCEBER

TENTEI PERCEBER

Tentei perceber uma vez mais a roda que passou a meu lado, fiquei a olhar a ver se eras tu, fiquei num estado de estranheza dentro de uma caverna musical, tomei um copo de ideias kantianas e lancei-me na fúria dos deuses do amor! Hoje o dia tornou-se mais redondo, esculpi o teu rosto na palma da mão e olhei, saiu um pentagrama, fluídos do Zodíaco e dos outros astros que não te houvera falado; escorpiões... eu sou um deles, remamos no baú dos pensamentos e da lógica aristotélica, ficamos no meio dos silogismos, mergulhámos um pouco mais e encontrámos o fogo da realidade porque este local é o real, sempre te falei disso... Os dias do amor chegaram neste Inverno, a chuva veio e vim contigo e vou contigo... interrogamos milhares de vezes a nossa postura, mas da nossa janela possuímos um outro quadrante com maior densidade... e falam os químicos, os poetas e os filósofos... falas tu dos dias da presença.

Tavira, 07 de Janeiro de 2014 - 17:17h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café "Veneza"

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

NO TEMPO APROPRIADO

A palavra recorta o tempo do olhar global, conjugando as secções dos equilíbrios atómicos, redimindo o meu desejo, transportando-me a um outro patamar onde vomitarei os meus sentimentos no papel antigo, como se isso pudesse resolver o meu vazio.
O dia do antigamente guardou pedaços de ti no bilhete de uma memória imortal entre os gigas de informação ao fluxo da corrente sanguínea. Gravo-te no DVD do meu coração e fazes a história da minha vida, sem que possas imaginar o quanto gosto de ti!
Missões, viagens ao planeta vermelho, na reconstituição ao ADN da alma, equacionando os momentos da física perdida.
Chegam as tecnologias e divulgas o amor… dentro do iPad, algo incontornável e o sonho ascende a uma nova dimensão. Sempre pensei em ti, de um modo diferente e navego pelos prazeres urbanos, invento nomes, mas não deixo de dizer-te o que sinto! Escrevo-te e aceitas sem saber que sou eu; transformo-me assim de um modo que te ultrapassa.
Todos os dias novas experiências… sensores da percepção. A nova era é inaugurada todos os dias, entre os prazeres da ocasião! O desejo atómico conduz-me para uma outra perspectiva, nas estradas da condução do amor. Esse sorriso da alegria funde-nos pela cumplicidade… alinho-te entre os felinos e o silêncio das aves, numa cristalografia espirituosa, ainda que me tenhas bloqueado no facebook e noutras redes sociais! Sei que estás lá… sei isso.
A vida íntima das palavras guarda-nos para sempre, na nossa galáxia tão diferente, à aspiração de uma nova via láctea. Pensamentos não-lineares sobrepõem-se, posicionam ritmos alucinantes, depois de uma micro pausa, ainda que estridente para o orgasmo dos sentidos intocáveis, ao teu (meu) sabor… passo ao silêncio e deixo que o corpo responda no tempo apropriado.

Porto, 02 de Janeiro de 2011 – 17:33h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “A Barcarola”

domingo, 2 de janeiro de 2011

BREVIDADE

A tua sensibilidade perdida,
O teu amor no cósmos... perfeito
Dissipa-se a ansiedade da vida
Porque tudo é uma breve corrida
Porque afinal, fica o lado imortal
Não entendo o que significa afinal
O forte pulsar deste peito.

Corre neste novo ano outra postura...
Não sei se engano
Quem sabe uma aventura.

Porto, 02 de Janeiro de 2011 - 19:51h
Jorge Ferro Rosa

sábado, 4 de setembro de 2010

O TEU SORRISO PARECIA FECHADO

O teu sorriso parecia fechado…
A verdade esculpida, silenciosa
Todas as palavras perdiam-se no nada
O olhar, fundo, desfocado…
Levou-me para uma mensagem agrilhoada.

Jorge Ferro Rosa
Escrito no Centro Comercial, Grand Plaza
Tavira, 04 de Setembro de 2010 – 11:03h
PS. Dedicado à minha grande amiga Isabel Carmo, com a amizade eterna.

PS2 – Após escrever esta estrofe, soube que a Isabel Carmo partiu às 11:00h. Fiquei sem palavras, contudo, algo parece que foi comunicado (primeiro toque – inspiração). Que a sua alma descanse em paz, circula no espaço à velocidade do pensamento, em luz, livre, desprendida de toda a matéria, do resto nada mais sei. Até breve Isabel! Somos eternamente… 13:32h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 24 de junho de 2010

HOMENAGEM A JOSÉ SARAMAGO

(dedicado a José Saramago)

Bateram as horas, senti as forças tomarem-me como que se algo dentro de mim se fosse separar, assim de um modo violento! Um poema possível, uma outra mensagem que as entrelinhas guardavam entre mundos possíveis de palavras em construção ou talvez desconstrução. Os sons parecem inchar e os segmentos de recta quedarem-se sem que exista mais aquele atrevimento do ensejo… os caminhos conduziram-me aos pântanos da interrogação e das formas verbais com que escrevi o teu nome entre tantos nomes. Todos os nomes! Escrevi, fechei o caderno, mas senti que devia dizer-te muito mais ante tudo o que noutros tempos tivera escrito e que nunca partilhei.
As gotas do coração são manhosas, a angústia existencial corre, deixa-me tonto, vazio e sinto algo que me transporta para um outro patamar, muito esquisito. Relembro amigos e conhecidos, alguns morreram, outros ainda estão por cá! Sinto saudades e a dor atenua quando circulam as memórias… leio livros, desfolho recordações e nada passa de momentos. Morreste! Morreste-me diria o José Luís Peixoto! Recordo-te. Penso-te. Sinto o teu olhar, ouço a tua voz e toda a verdade corre-me pelas veias, o sangue do sentido… eras aquilo que eras, não podias ser outra coisa, a não ser um ser, uma verdade resistente!
Eras o homem que guardava aquilo que sentia de modo único, tu dizias por mim aquilo que silenciei… os outros ouviam, incomodavam-se mas, preferiam viver na ignorância. Agora digo, e continuarei a dizer. Desculpa-me, não tenho que partilhar contigo isto. Contigo, com alguém ou com ninguém. Esses outros preferiam… sentiam ódio por ti, por não conseguirem dizer o que tu dizias. Sempre disseste a verdade! Eras o que eras. Eras isso mesmo. Um homem, um humano, um talento, um racional, um verdadeiro… nada de hipocrisias, nada de faz-de-conta! Defendias a realidade e não a mentira ou mundos de outras palavras. Eras assim, assim como sempre achei que a realidade fazia e faz sentido. Que dizer depois? Que fazer? Nada. Político, poeta, escritor, Filósofo. Um homem de grande luz. O povo esteve contigo, ainda continua contigo mesmo depois de teres partido! José Saramago! Isso. Estamos todos contigo para sempre, ainda que as cinzas sem a poeira do cosmos!
Como me lembro de ti! Lembro… lembro-me desde os tempos de Faculdade, desde o tempo em que te lia com alguns amigos que já partiram – o Luís Caldeira! Outros… entre os meus amigos de Faculdade, figura o José Luís Peixoto, sim, aquele jovem que tem um pedaço de ti. Naquele tempo eram os poemas… Tudo é em determinado momento da vida! Não sei porque ao lembrar-me de ti me lembro também dele. Estranho! Li os dois escritores e os dois tocaram-me de modo diferente. É tão estranho isto, muito estranho mesmo. Mas deixa estar.
Palavras de homenagem, palavras que ninguém as pode apagar, nem com a cegueira, nem com os evangelhos, muito menos com todos os ensaios… nada. És imortal. Qual terra de pecado, apenas são as tuas palavras deste e do outro mundo, são nesta viagem apontamentos que ficam em cadernos, dos dias do sim e do não, seja de Caim a Abel! Seja o que possa ser, tu morreste-me como diria o José Luís Peixoto ou como escrevi naquele tempo no caderno da minha alma que agora ficou reservado a um outro período, a um outro cortejo! Não sei porque estou meio estranho nesta noite, apenas estou e o tempo continua a passar...
Chama-me do que quiseres, serei indiferente à tua posição, sou ateu, comunista, sou tudo e nada sou, porque parecendo que sou, a morte diz que não sou nada, apenas recordação temporária, mas tu, sim, tu és imortal neste meu Portugal. Este ano é o ano da morte! Foi a tua morte… terrível, essa maldita, assassina. Que impotência perante a morte, total resignação. Desgraçada morte e quem te inventou. Seria melhor que não existisses, uma vez que causas revolta e desordem. Esta é a desordem da noite neste momento em que o único momento é este, o ter-te no pensamento e em glória te dedico este texto, num erguerem-se todas as palavras à tua imortalidade pelos feitos das tuas palavras. José Saramago, és eterno e o mundo contigo é racional.
Bem, neste momento falar da morte pouco adianta! Porque ela te levou? O facto é que ela é a grande dona de tudo… já levou tanta gente da minha família, das mais diversas formas. Leva todos e a ti também que lês os meus desabafos, estas palavras ácidas, corrosivas, mas quentes, com o cheiro a sangue! Sobejamente agrada-me o ainda poder pensar-te e recordar-te, sinal que ainda estou vivo. O que me resta entre os devaneios da memória são palavras para te coroar e com todos os que estão contigo, José Saramago, o teu nome é para perpetuar. Até ao nosso outro encontro, face aos apetites do divino que será o descanso eterno entre as palavras que ficam por pronunciar.

Vila Real de Santo António, 22 de Junho de 2010 – 23:02h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

NO CRIVO DO ACONSELHAMENTO

A questão que coloco consiste em saber pelo que passa o conceito de filosofia, tendo em conta o que se diz, evolando-se o crivo dos filósofos consagrados até à intoxicação do ridículo (filosofia de andar por casa), ou não seja isto, uma fogueira de chamas esterco, como algum dia alguém disse sem reflectir acerca disso mesmo, onde se tiram ilações que mostram a condição natural do homem.
Veiculam-se ideias, traçam-se pontos de vista e a conversa aplica-se a todos os que estão na ordem do dia com as suas tendências naturais. Complexidade dos parâmetros filosóficos? Inquietações mentais, sexuais, ideias em ebulição ou aconselhamento filosófico? Uma coisa de cada vez! Cada caso é sempre um foco de consideração a uma assistência de situação. É possível a cura pela Filosofia! Tem o utente algum resultado prático pela consulta de um técnico na área científica? Será que nunca se pensou na utilidade prática da Filosofia? A atitude filosófica evoca uma prática, sem dúvida alguma. A experiência vivida tem em si arreigada um cunho filosófico, uma ânsia de actualização pelo saber, um saber fazer! A dimensão vivencial do outro ajuda sempre a compreender a quem busca ajuda face a uma clareza de situação onde o paciente está envolvido e o conceito de filosofia instala-se para lá do campo teórico. A relação com as coisas chamam-nos à responsabilidade de nós mesmos face a uma vertente social considerada, onde cada um vai marcando a sua presença. A questão é sempre acerca do para que serve a Filosofia, a sua utilidade numa sociedade materialista. Usamos a razão com o intuito de dar soluções e exclua-se o campo do irracional que a lado nenhum conduz, apenas a abismos de desespero; é a Filosofia que pretende iluminar e fazer sair o homem do abismo do paranormal, ou das ditas ciências obscurantistas, diminuídas pela escassez da razão. A filosofia clarifica o escudo da fé, mostra o porquê das coisas, ajudando a orientação do humano para que assim este possa encontrar a sua felicidade.

Fuseta (Algarve) 27 de Agosto de 2009 – 15:57h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 23 de julho de 2009

OS DIAS CONTINUAM

Os dias continuam sempre iguais, sempre e sempre. As questões colocam-se desde a tarde e desde a manhã, morrem pessoas, nascem pessoas e o ciclo continua a repetir-se. Surgem as crenças na tela da ilusão, mas, a ilusão é bela, confere sentido aos que estão sem referência.

23.07.2009

Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

sábado, 21 de março de 2009

MINHA TERRA AINDA É LINDA

Palavra opaladina que em verso deixo,
Neste dia consagrado à poesia...
Nesta tarde onde te ofereço rosto novo...
Neste escrito onde me afirmo, tu nesse grito
Palavra do campo, da cidade, da aldeia em sitonia
Minha terra Santo Estêvão que abençoa...
Noutra estrofe outra miragem
Qual passagem que nos vai consumindo...
Momentos que não posso esquecer
Por aqui, por ali, rasgo o teu nome
Guardo na alma de criança o meu viver.

Foi aqui que meus passos dei, caminhei
Foi aqui que esculpi a minha poesia, então
Pedaços do meu ser, do coração
Agora tenho aqui, nestes braços o fulgor
Também a música co acordeão...
A seiva do que chamas amor, derramado
Santo Estêvão meu santo poderoso
Da saudade aquela miragem e o amor dedicado!

Abril, feito tempo de liberdade
Terra amiga, da casa do povo à sociedade
Estes passos de novo remodela a Igreja
Onde tocam os sinos e o altar que se beija
O amor que eleva corações e a morte!
A minha e a tua sorte...
Minha terra tem riqueza, poetas com poesia
Gente boa, acolhedora, movimentos
Imensa sintonia quando se param os ventos
Santo Estêvão meu fado, saudade que não finda...
Deixo-te meus pedaços dos meus pensamentos
Aldeia amiga, à beira-mar tu és linda.


Olhão, 21 de Março de 2009 - 20:28h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

DAQUILO PARA O QUAL

Senti vontade de escrever, como na maioria das vezes acontece, mas algo parece que falta! Falta-me sempre alguma coisa entre os princípios substanciais, as formas da existência por dimensões que ficam por sintetizar.
As evidências são sempre objecto de reflexão, a expressão dinâmica gera um movimento especial onde o indizível se executa. Desfazem-se posturas, criam-se outras e a obscuridade da existência é uma postura.
Momento sintético que vislumbra outra condição, esta medida densa do pulsar existencial onde tomo de ti uma hipótese! Projecto-me numa tensão rumo ao infinito, uma busca incessante, apesar de ter encontrado aquilo que me parece razoável, pelas mais diversas vertentes, comungando assim do sentimento universal. Resta apenas este lugar onde tudo incide apesar das formas estranhas de abordagem, dos modos como a consciência concebe o que se lança… começo aqui a interioridade do irreflectido, em viagem ao absoluto daquilo para o qual não tens palavras.

Castro Marim, 26 de Janeiro de 2009 – 14:03h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

EM PROCESSAMENTO

Em processamento...
Ficou aquela palavra
As outras que não escrevi
Os agradecimentos que esqueci
Em processamento ficou sim
Tudo o que pensei e não vivi.

Tavira, 22 de Janeiro de 2009 - 22:15h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma

domingo, 28 de dezembro de 2008

SIMPLICIDADE E SENTIDO

Procuro-te no infinito, mas isso não passa de uma abstracção, uma paralaxe após a matéria, num embarque de enlevos. A insuficiência da descrição gera o silêncio, deixando um trémulo de focagem. Só a razão clarifica, a fé ilude, injecta a ilusão.
Todos os efeitos ecoam a sua origem e a razão conduz o entendimento cada vez mais perto do primeiro princípio!
Ainda estou distante… o cansaço apodera-se lentamente para que o corpo se desprenda! Vamos a isso? Interrogo-me imensas vezes acerca do nada e nada sei, ou a possibilidade de saber presentificado é apenas uma ilusão. As vivências são manifestações da realidade… um atrito separa as formas, sobram ideias que procuram o seu repouso, uma possível adequação. Adequações…!
Nenhum sentimento é universal, o que interessa é o lado prático, aquele que produz, aquele que cria, que é motor gerador de situação.
O tempo conduz-te para as propriedades íntimas da matéria onde perdes a noção da presença e o esquecimento anula o ser. O acesso está desprovido da essência, por isso nunca estás, és aparência, projecção… ainda que te tente dizer, nunca estás, ficas distante, numa ebulição e evaporando, lentamente. Tenho por aqui uma presença temporária, tal como tu, apenas o regulamento mantém as situações e os desfasamentos. A cegueira absorve-te, pois que fiques nessa preocupação, eu, lentamente me irei afastando de ti, até à ausência total. Não vale a pena chorar, o fim anuncia-se! A harmonia unifica e reconduz a desordem para o adormecimento da origem. O sopro eterno promove o esquecimento, reconhece a estabilidade do sono sem a preocupação do restante. O único sentido é o sentido da harmonia, onde não existem preocupações. A matéria é motivo de apego… é esta azáfama que produz a inquietação, a angústia, nas suas diversas manifestações. A razão ainda vive o seu estádio de infância, abe-lhe o amadurecimento! Ainda é cedo… não compliques o que é simples.

Fuzeta, 28 de Dezembro de 2008 – 13:02h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

NA DIALÉCTICA DO VERMELHO

Perco-me na procura de mim, entre a doçura dissimulada, no arrojo do espírito que se perde na libido, no verbo sânscrito, entre a metade da incompreensão.
O cantar vulgar amordaçou o ventre do bem e do mal, onde a suavidade acrescenta uma alcova contemporânea, tomada da letargia das horas místicas. Falas da minha filosofia e dos encantos que o coração não contorna.
As pedras continuam duras com o sopro ausente do invisível, conjugando a lei da estética.
Ética privada e depravada, prostituída pelo inconsciente… lugares mitológicos, carne e sangue no erotismo do espelho degradado a um eterno retorno de refúgio.
O verbo maldito não possui mais piedade, ficou contaminado pelo retorno, pelo sexo instintivo onde repousa depois das horas dos porquês. A visão sublime desorganiza-se, encarna no gesto das metáforas, depois do café em comunhão!
O enlevo da carne torna-se impessoal, sustenta a figura do multiplicável nas orações do caminho das flores, violetas e orquídeas, ante o espelho renegado, por uma ilusão que a aurora sustenta.
Tomo no meu sangue a ilusão cósmica, o juízo das coisas que se perdem no jardim da corrupção. Não sei o que resta… as horas foram prostituídas e o conceito de Deus não tem acordo possível! A discussão é uma constante… não existe comunhão, corromperam-se as posturas e os prazeres e o mestre da boa vontade está morto.
O meu livro das gargalhadas foi tomado pelo cântico dos ventos e o ribombar dos trovões, a um visionário de misóloga visão.
Ofereço-te o trópico poético de um texto profanado, na batalha dos mitos e da luz trémula. O teu olhar missionário não guarda mais a parábola das horas, nem o sol nem a noite, apenas a dialéctica do vermelho no silêncio da premonição.

Tavira, 26 de Dezembro de 2008 – 13:16h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ELEMENTOS DE UNIFICAÇÃO

No seio da ânsia profunda acolho-te ainda que o teu silêncio humedeça o meu olhar e todos os corolários da grande passagem. Guardo a tua palavra pela máxima compreensão dos encantos entre o anónimo de uma passagem ocasional. Ainda tenho nas veias a sedimentação do todo, a vaga flutuante do templo do amor! Sou a tua ponte, o universo do inacabado por um maior granjeamento, voluptuoso… senti-me cúmplice da floração no momento de aceleração da imagem. Profanei uma vez mais o olhar da manhã, tomei-me na poeira do tempo entre sucos purificados ao fôlego da existência. Todos os sabores tomaram-me no anónimo do tempo! Vou com esta fisionomia, não posso ter a que não tenho, apenas estamos separados por uma muralha que tu criaste naquele dia. A minha pátria também é a tua, o que nos separa é a água da nascente e o vento unificado.
Sou contigo no suspiro implacável, na ânsia funesta e deserdeira, onde as pregas da palavra insuflam cadencias, mecânicas de um novo compromisso. Não quero compromissos, sempre te disse isso!
Uma luz brilhou em agradável momento, numa ardência de inspiração por um timbre silencioso.
A mecânica dos laços ainda faz mover a grande roda do tempo e as palavras do grande livro enchem as veias de renovada serotonina! O encanto é fogoso… continua a arder no grande império ante a forja do corpo alveolar. A epiderme é o nosso elemento de unificação, somos na respiração o grande encontro e a vontade de fervor desdobrado.
Na força do meu desejo escondes a tua existência… pela dinâmica múltipla da identidade concilias o ideal do encanto que fica por acontecer.

Tavira, 17 de Dezembro de 2008 – 11:49h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “Veneza”. In Caderno da Alma

sábado, 29 de novembro de 2008

A PALAVRA QUE GUARNECE

No laço que o meu peito dá enlevo deixo-te a palavra que guarnece a felicidade, outras ficam por dizer, de todas, a maior é a amizade, aquela enorme, a totalidade que faz do fim o princípio do viver. Amizade, é a semente que deixo para que no teu coração possa crescer.

Olhão, 29 de Novembro de 2008 – 17:55h
Escrito no Clube da Simpatia
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

sábado, 11 de outubro de 2008

NO INEFÁVEL DA ARTE

NO INEFÁVEL DA ARTE

Perco-me na arte, na escultura que a natureza concebeu, no momento de todos os momentos, por traços cada vez mais totais, mais perfeitos, mais cheios de desejo, com todas as cores, desde a manhã e a noite. Somos noite e o dia exibido! Somos neste reino de sentido por vezes proibido.
Artes, talvez um pouco daquilo que o espírito contém, talvez! Direi talvez, porque não sei, não posso saber, quando tento saber disso que deve ser, perco-me no esquecimento e toda a verdade derrama-se na terra do esquecimento. A arte é mesmo este esquecimento das coisas prometidas, das coisas que te digo, do que te continuo a dizer e tanto que não podes avaliar. Hoje foste capaz de avaliar tudo o que fiz, tudo o que disse e escrevi e a arte traçou uma nova aventura. Sabes bem que toda a nossa arte conjuga-se na arte da existência e de tudo isso que foste capaz de traçar no reino dos sentidos. Apurei todos os sentidos e os sentidos lançaram um novo ser, o ser que te foi dado a tomar, no corpo singelo e complexo, mas total. Apuro as palavras e apenas ficas no lugar inefável.

Vila Franca de Xira, 11 de Outubro de 2008 - 23:32h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

NO ÁLBUM QUE GUARDO

Recorto a imensidão das horas,
O espaço ressequído pelo calor...
A dádiva da canção dançante,
Este infindável desejo, acutilante
Fogo de todos os domínios
Ao espelho perdido e antigo.

No espasmo dos nomes escuto-te...
Envolvo-me no sorriso encerrado,
Na inarrável criação da lonjura,
A fonte acesa do dia esculpido,
Tavira azulada na vazante...
Entre o café da sugestão
A um telegrama sem corpo.

Longe de ti... não és ninguém!
Ateados os perjúrios do sangue
Bonanças da sugestão esfumada
A memória ardente da minha cidade,
O interstício da tripulação azul...
Palavras sinuosas na iminente despedida,
Alegrando a rua sem nome!
Rua ao fundo do tempo do Gilão.

Cidade do acaso entre cenários...
Amor que se dança mais além!
Ancestral sorriso a encetar olhares
Múltiplas páginas, posturas, imaginários
Ritual que o turismo acende
No pálco cenários acentuados...
Café e vinho que se aconchega
Neste apontamento, aquela demora
O navio, a ilha, a minha Tavira
O sono do meu jardim, gente gira
O povo de longas euforias...
Aventura contida naquele poema
Amor lilás, teu envolto tema.

Igreja... igrejas, recantos da fé!
Sentido cúmplice, inscrito até
Nos anos lavrados da tradição...
Rasgando a frescura e o Sol algarvio,
O arco e o castelo, sombra e luz
No álbum que guardo além Jesus.

Tavira, 25 de Agosto de 2008 - 12:27h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

NAS ARESTAS DA PÁGINA DESAVISADA

No silêncio da água branca navego, pelas arestas
Tomo-me na amplitude dos horizontes lácteos
Nos sulcos que me vergam o braço…
O lugar definido das cidades e da ausência
Esta minha entrega nas arestas da morte total.

No indesejável eco escondo os meus silêncios…
Os passos de uma metáfora que se perde,
Os encantos que desautorizam e desfazem!
Chamo-te à interrogação no espelho delimitado,
Fico com um olhar de aço quase impossível…
Quase acorrentado pelas novas posturas,
Fico e nunca mais estou nessa faixa, nesse lado.

Pensei saber-te novamente… pensei sim, ausente
Desesperam os nomes no telegrama final…
Este momento colorido pela noite dos açoites,
Os esconsos dos símbolos no desastre da manhã adiada!
Assim, todas as cores, vermelho, carmim, lilás…ou nada
As outras na inarrável aproximação do sentido ideal.

Adias o nome tanto desejável… a aurora frágil
No fálico tempo de estátua revelada no universo
Por herméticos sons de harpa e acordeão fugaz,
A um desconhecimento impróprio de todos os olhares
Neste hiato de permanência, sem gesto possível.

A página cobre-me o corpo com um sorriso…
Dentro de mim o choro dos fantasmas da imaginação,
A vibração do corpo e da alma… assim, em vulcão
Entre as estrelas e a neblina da esperança dançante
O uníssono da carne perfilada às órbitas da nudez,
No ébrio sentir do remanso minucioso desavisado.

Tavira, 24 de Agosto de 2008 – 19:05h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma