quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A Poesia


A poesia é uma espécie de revolta das palavras que se insurgem no sentir. Percorrem-nos o corpo e sem querermos lá estão a espalhar-se no dizer , no pensar ou no agir. Confundo, vezes muitas, poesia com cor ou com desenho, e até com gestos, quando estes se transformam no verbo dar. Ando à procura do mecanismo que transmuta a palavra em algo vivo, com vontade própria que se precipita pela alma e pela pele. A poesia não se guarda, é um grito que nos acompanha nos caminhos. Vai de mão dada, à escuta, è espreita. A poesia não se escreve, nem se diz, nem se vê. Empurra-nos na vida e desenha-nos o sentir…
Autor:Almaro
Foto:Autor Desconhecido

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

.....

Papá, papá diz-me, porque estou sempre a voar? Porque ando sempre a fugir-me? Diz-me papá que eu ando tão perdido…O sonho, meu filho, não é fuga, é um sorriso da alma que nos fortifica o querer…Mas papá, diz-me, então porque ando sempre tão triste, e só me sorrio quando me invento?Tu inventas-te? Finges-te?Não sei papá, mas as minhas asas são desenhadas….Mas meu filho, tudo que é desenhado com o sentir, existe-te, porque é autentico…Papá, papá, mas eu não sei o que fazer com o sonho…Não faças nada com ele, deixa que ele se dissolva no olhar e verás que cada vez que isso acontecer, cresceste no teu caminho…Toma as minhas asas, papá. Não as quero mais…Não as posso aceitar, meu filho, cada um só pode voar com as suas próprias asas, não se empresta o sonho… Guarda-as com carinho, porque foram elas que te trouxeram até aqui.Papá, papá diz-me, porque é que quando voo sinto-me sempre tão sozinho…se tu também desenhas-te as tuas asas e voas, porque nunca te vejo no meu voar…O voar é o teu questionar, apenas te ensinei a acreditar nas tuas asas, se assim não fosse perderias toda a capacidade de as usar, porque elas só funcionam com o sentir, e esse meu filho tem a medida de cada um…



AUTOR ALMARO — August 29, 2005
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Foto :Pedro José olhares.com.galeria pessoal


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Distâncias do sentir



Há silêncios que agridem, outros há, que abraçam. Entre eles, há um enorme abismo de vazios...

Autor:Almaro
18/02/2005
Foto:desconheço o autor

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Frios


Tenho as mãos frias,,,de agarrar o sonho.Só os olhos insistem em abraçar o fogo…


Autor: almaro
2006/10/26
Foto:Autor desconhecido

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

calai-vos!

Cientistas de todo o mundo,
calai-vos!
Biólogos,
Médicos,
Físicos,
Genéticos,
Róboticos,
Engenheiros,
Filósofos,
Sábios,
E outros que tais,
Relinchem bestas!
Sebentas,mortais!
Parem de mentir,
de ser banais!
Porque não dizem o simples!
Porque não ensinam
que Morrer, é deixar de Sentir!

Parem, não digam nada!
Não façam nada,
recolham a vossas casa,
aos Hospitais
Não vos vou ouvir,
JAMAIS!
Vou,vou gritar!
Vou por aí, de porta a porta,
até deixar de sentir,
até deixar de sonhar,
não importa,
vou, dizer, nem que seja a cantar:Deixem os poetas falar…

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

terra-memória

Caí em abismo,
nos sons de África,

( a cavalo numa trovoada que me “tempestou” a noite em sonho escondido
do Eu. )

batuque
longo
no fundo da noite,
feiticeira monge,
num
tuque
tuque
que foge
se tinge,
em sangue de sangue
ao longe,

(Espreito a magia que me abraça em cores-de-terra-memória, com o desejo de me
esfumar lento-longe no horizonte. )
Finjo-me vento,
sinto-me terra.
Vermelha-de-dor a evaporar-se em Vidas.


(Formigas. )

Caí em abismo,
desamparado,
estilhaçado em relâmpago perdido na noite que não foi dia,
foi “cousa” rasgada,
(ferida… )

sábado, 19 de janeiro de 2008

sou

Procuro nas nuvens que passam,
as lágrimas que verti,
olho-as ao vento,
disformes,
brancas,
negras,

procuro atento,
pedaços de mim.

Sou,
arqueólogo,
sem história,
que anda sem rumo, por ali.

lágrima esculpida ,
azul,
verde,
carmim…

Ah, velas sem navio,
mar sem fim,
deixem-me ser nuvem,
palhaço-criança,
jardim...

Procuro no céu,
a ave migrante
que fugiu de mim...

Sou,
flamingo azul,
que anda por aí,
perdido,
réu,
navegante...
Ah,
Sou,
poema sem véu,
peregrino sem (a)deus,
pintor sem tela,
sem Tempo,
Livro
esquecido,
evaporado,
queimado-vivo…

sem chama,

letra só,
sem sentido!

sábado, 12 de janeiro de 2008

o meu piano

Escrevi um piano,
negro-branco.
Um piano.
Só os dedos são coloridos,
sombras pintadas,
cor-sangue,
atados,
doloridos,
derretidos,
no piano,
no escuro.
Sopra,
sozinho,
silêncios-muro.
Escrevi um piano,
cigano,
bailarino,
sem palavras,
lento,
negro-branco,
sem banco,
ao engano …
Toca,
o piano,
ao vento,
só,
sem palco, nem encanto.
Chora,
o piano,
hora a hora,
sem tempo,
lágrimas de pó.

Escrevi um piano,
Negro-branco,
Sem dó!