Eis uma revista on-line de literatura, com bastante qualidade.
O seu nome é Samizdat e vai no 13º número. Clicando AQUI, pode-se baixá-los todos.
Em associação, desenvolve uma Oficina de escrita de contos.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Samizdat - divulgação
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Os mortos
Não há mortos que morram tanto como os nossos.
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metadede
uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
poème a trois
um conto de Tiago Nené na Letrário Editora.
para ler [Aqui]
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domingo, 1 de junho de 2008
o princípio do amor
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Genoma Poético
Apreendido no aeroporto quando me revistaram.
o meu poema. o meu poema.
nada mais levaram.
ao menos levassem também os meus sessenta e cinco, quase sessenta e seis, anos de idade.
ao menos varressem, com todo aquele material técnico, a minha infância
e a sombra das minhas casotas.
Podiam até furtar-me o nascimento.
Que se fodesse.
Eles sabiam muito bem ao que vinham.
Quiçá tal acto tenha sido precedido de denúncia anónima
depois difundida, tímida ou amplamente - desconheço - , nos órgãos de comunicação social.
o meu poema. o meu poema continha o genoma poético,
era o poema dos poemas o meu poema!
continha os códigos e os caminhos secretos das palavras cruas,
e representava anos e anos
da mais completa solidão, do mais completo estudo
sobre o tempo que espera demais.
Pouco sabia o que fazer, cancelei o meu voo.
nos dias seguintes tentei sem sucesso
reproduzir aquela artilharia poética,
tentei refazer mentalmente os testes que conduziram àquelas palavras.
nada fazia sentido.
nada mais fazia sentido.
depois voltei a ligar o meu telefone
e a responder a algumas mensagens
e fiz até alguns telefonemas a familiares que viviam longe
e fiz dois amigos num minimercado perto de minha casa
e que hoje passarão cá um belo serão.
deixei de querer acumular todo o conhecimento
para viver em segurança
até porque, vistas bem as coisas, não disponho de outra vida.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A progressão aquática da vírgula
A progressão aquática da vírgula
descalça o náufrago - olhos de dezembro
na miopia das areias rastejantes,
é assim o recomeço de todas as linguagens.
A árvore o barco a quilha da vicissitude aquática
o mimetismo da espuma no núcleo da sombra
quem espreita pela fechadura de deus?
eis um resultado nómada.
40 braços do que pensas enquanto o sonho levanta uma heresia?
A progressão aquática da vírgula
descalça o náufrago.
poema de rui dias simão - poeta algarvio - in hipantropias
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domingo, 9 de dezembro de 2007
Mergulho

Pinta um quadro
Até veres os peixes
(Tiago Nené)
in Versos Nus, Magna, 2007
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Entrevista a Gonçalo M. Tavares
«Jerusalém» Canto Interrompido - O Incomodar -
Quase não se nota, quase nos podemos enganar. Mas há um fio, um transparente e inquebrável fiozinho que liga todas as palavras dos seus livros. Falará de loucos, de jogos, de inversões, de mundos ao contrário, de contrariadas solidões, de insólitos rostos, de estranhos lugares com pessoas tão estranhas como cada um de nós. O mago é Gonçalo M. Tavares. Talvez não goste do nome. A sua arte talha-se afinal numa constante leitura dos outros, só depois numa descoberta da sua própria escrita. Nasceu em Angola, tem 34 anos de idade e começou por editar um livro de poesia seguindo-se o ensaio, a ficção, o teatro. Com «O Senhor Valéry» obteve o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal «Expresso», e o Prémio Revelação de Poesia da APE com «Investigações. Novalis». Em 2004 é distinguido com o Prémio LER/millennium bcp, em 2005 com o Prémio Literário José Saramago. «Jerusalém» inclui-se no que designa de Livros pretos, a tocarem o desencanto.
Acaso . Destino
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Cocktail Bukowski
Naquele dia
Vestira o meu corpo
Sem a alma,
Vestira o meu corpo
Sem a alegria,
Lavei os dentes
E esqueci-me do sorriso no lavatório,
Lavei as mãos
E deixei o tacto na toalha;
Nesse dia
Após o trabalho fui dormir,
Deitei o corpo
E reecontrei a alma.
No dia seguinte
Vesti a alma
E deixei metade do corpo esquecido
E a memória no secador de cabelo...
E algo inesquecível de que não me lembro aconteceu:
Porque hoje tenho a alma mutilada
E nem o corpo tenho.
Tiago Nené (direitos reservados)
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Tic-Tac
Os ponteiros, de súbito esconderam-se atrás do tempo,
A multidão desvanece-se no silêncio das ruas.
Sem rosto, os corpos movem-se como loucos que procuram no caos
um sentido, um quadrante, uma fórmula que elimine a indeterminação das horas.
O tempo assiste, sereno.
O tempo sorri.
O tempo sem horas...
O tempo sem tempo.
Os ponteiros voltam
e num ápice, devolvem o tempo...ao tempo.
...
O tic-tac recomeça
A multidão respira, aliviada.
O tempo é tudo
O tempo é ... nada.
(Sara Rocha)
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Metamorfose. Quase.
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Grande Evento na Ler Devagar (Lisboa)
Sulscrito/Palavra Ibérica na livraria Lerdevagar,
dia 8 de Dezembro às 21:30.
Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1 (em frente aos Correios do Poço do Bispo).
Projecto Cultural – Círculo Literário do Algarve
Programa:
- Apresentação da revista de literatura Sulscrito, com a presença de alguns autores/colaboradores.
- Apresentação da colecção de poesia Palavra Ibérica.
- Apresentação da 3ª edição do encontro de autores Hispano-Lusos Palavra ibérica (Punta Umbría-Huelva, 2008).
- Apresentação do projecto cultural ALIANÇA CULTURAL – Faro. (Literatura, Artes Plásticas, Património, Música).
- Apresentação de um jovem poeta de Faro, recentemente publicado.
Sulscrito:
Fernando Esteves Pinto
Pedro Afonso
João Bentes
Tiago Nené
Editor:
Luís Filipe Cristóvão (Livrododia Editora)
Aliança Cultural:
José Bivar
Adão Contreiras
Rui Dias Simão
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
A forma de...
Conhecer a forma de conhecer
estudar a forma de estudar
matar a forma de matar
beber a forma de beber
respirar a forma de respirar
sentir a forma de sentir
ler a forma de saber
tirar uma cópia de mim
e mandá-la viver a minha vida.
(Tiago Nené - direitos reservados)
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Psicopatia
Oh sim, talvez aceite
a informatização dos meus sentimentos
talvez aceite a evidência
uma vez que estou quase morto.
Há uma jovem miúda que documenta
os vestígios da sede do meu espelho
o que senti um dia e fossilizou
com uma pinça recolhe a bela moça...
Cientistas vieram dos Estados Unidos
com aparelhos iniventados
para estudar o caso da minha psicopatia
e enfim me tornar real.
Autor: um amigo meu chamado Pedro.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Grande Entrevista
Para ler Aqui
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Não resolve!
"Não resolve!"
Cortar a língua não resolve
quando muito impossibilita em termos práticos
mas não resolve
Porque:
enquanto houver vento, e porquanto sensações
enquanto houver nuvens, e porquanto lágrimas
enquanto houver sol, e porquanto alegrias
enquanto houver sorrisos, e porquanto felicidade em potência...
haverá naturalmente coisas por dizer
quer em vida, quer em morte
quer de língua, quer directamente da alma.
Tiago Nené (direitos reservados)
PS: não esquecer: este sábado apresentação do meu livro Versos Nus, na Fnac do Algarve Shopping (Guia), às 16 Horas. Quem faltar leva processo disciplinar:P
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
A memória de um tempo satisfeito (O Lago)
cuspi para cima de um papel
porque queria escrever a imagem de um lago
e me faltavam as palavras.
Com a caneta contornei
aquele lago momentâneo, que escorria vivo
e que me animava de alívio.
Passado pouco tempo secou.
ficaram os contornos
e a memória de um tempo satisfeito.
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domingo, 11 de novembro de 2007
Restos de fins
A cada passo, empresto-me às areias dos passeios. Nas praias, cubro-me com elas, e atapeto o rosto com a aspereza da morte que choro. Cedo-me à asfixia na imensa agonia das tuas reminisências, quando a areia me respira com o beijo que nela guardaste. Vejo-te nítida no adeus, pairando sobre as águas claras, impossivelmente claras, como o espírito fecundo que inaugura e despede. És minha como nunca foste, demais para a entropia dos meus dedos que preservam as tuas memórias calejadas, escassa para as ânsias sangrentas, em romaria pelas minhas veias de cicuta. Encarno no remanso da tua mão, onde me extraviei do fim para reviver um início. Mas temo que o fim chegue antes do resto.
E muitos fins houve no resto.
Nas noites, dispersas-te pelo cosmos em poeiras de oiro estrelar que fumo. Semeio-te na alucinação para que vivas no meu vazio, para que grites o silêncio, para que sopres o vento e ouças o teu nome no descompasso cardíaco do meu colapso. A lua cega goteja os teus mistérios ocultos, e eu farejo rastos dos teus restos nas areias do fim. Durmo, sonho e acordo nas praias perdidas, onde me viste partir para trás do teu tempo. Nunca te disse que decidi viver no passado das tuas horas para te amar em atraso. Porque há sempre futuro para te encontrar.
Esta noite, morreste-me em mentira e eu ressuscitei-te com as sinapses de medo. Pouco mais me preocupa na vida do que o cansaço deste pulsar timbrado que nos sintoniza. Morrer é o que resta de mim, e não me preocupo. Seco a mágoa do adeus com a resignação da fatalidade. Limpo as penas molhadas com a pena de gaivota que conspira à noite, sobre a seita atlântica, até à rocha emersa, onde me atiras pelo abismo do teu grito. A diferença, na morte, é que te ouvirei noutra onda.
Morrer não me preocupa. Preocupa-me, muito mais, a velhice, porque quero evitá-la e vivê-la. Quero ser velho e amnésico, para me poder apaixonar, todos os dias, à primeira vista, quando estenderes a mão à minha identidade caída. Vou cair às vezes e esquecer todas as quedas para cair mais vezes. Vais erguer-me todas as vezes, e lembrar, sempre, que sufoco a memória para que ressuscites o nome que fui. Irás reconstrui-me com a minúcia do teu amor, até que o fio com que coses me vista de morte. Diremos nossos nomes e partiremos, juntos, como pedimos à sorte.
Aceita, amor. Vamos ser velhos e mentirosos, vamos esquecer que já vivemos, vamos ser jovens e acreditar nisso. Mintamos à vida e sejamos eternos.
Vítor Sousa
(Estranho Estrangeiro, por Terras de Vera Cruz)
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sábado, 10 de novembro de 2007
O mundo é um bom lugar para viver

quero viver no mundo
sim, o mundo é um bom lugar para viver
um dia experimentei viver numa estrela
mas fazia muita luz
antes ainda vivera próximo do sol
e estava quente e perdi as ideias
no dia que me apaixonei
pagaram-me uma noite na lua
mas senti-me incomodado
pois apercebi-me que já lá vivia muita gente
quero viver no mundo
definitivamente o mundo é um bom lugar para viver
viver no mundo é ter um sítio para me perder
ninguém se perde numa estrela!
ninguém se perde no sol!
ninguém se perde na lua!
quem não se perde não se encontra
quem não se perde não se esquece
quem não se esquece não se reiventa
quero viver no mundo
ser cronicamente emotivo
qualquer que seja a origem e a direcção da emoção
qualquer que seja o local onde ela durma
ou o lugar do meu corpo onde se esconda
ou a pessoa em que ela encarne
ou a veia por que corre
ou a ferida onde se revele...
e agora com licença que vou fazer as malas
e vou apanhar o primeiro foguetão
para esse lugar onde vou passar a viver:
o mundo.
Tiago Nené (todos os direitos reservados)
Foto de John Sadowski
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
O iogurte
Bebi um iogurte. Fi-lo como quem bebe um pouco da vida que lhe falta. Bebi fragmentadamente, sorvendo cada ingrediente a uma só vez, cada sonho de cada pessoa que o terá pensado.
Era um iogurte adagio, daqueles com pimenta e chocolate preto, daqueles que só quem tem poesia na vida consegue criar.
E bebi o seu corpo em vinte segundos que desafiaram a não infinidade da vida, sorvi vinte segundos de quem cria, faz, transporta e trafica aquele produto, vinte segundos de quem publicita na TV com uma cara bonita de quem bebe mais do que um por dia.
Tiago Nené
Colocado aqui mui gentilmente por Tiago Nené à(s) 04:17 0 opiniões
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