quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

RITMOS DO PERCURSO

A angústia do silêncio irrompe o olhar, o absoluto das coisas que sustenta a postura, a carga da grande dimensão, essa que serve o desejo em potência… isso tudo que faz de mim um ser em perdição. Perco-me ao tomar-me nas situações, na força dos sentimentos, lugar onde se derrama o meu ser, a grande força da tela da alma. Tomo-me perdendo-me constantemente no êmbolo dos princípios agitados, no incenso ilimitado de todas as viagens dos odores.
No sorriso aberto escrevo o vago da fronteira azul, cadenciando rotas interrogativas, essências discretas que os deuses julgarão enquanto o entendimento for semeado. O meu nome não é mais do que isso que possas considerar, nada mais do que o tempo que disponibilizas para o mesmo. Disponibilizamo-nos também no indisponível… a marca de cada qual é uma viagem planificada, está sempre no próprio sujeito. Escutas a voz que se libertou e não sabes de ti, o saber é a compilação da tua existência, cujo vértice é todo o fôlego vital, a súmula de crenças que não passam de ilusões que iludem a própria ilusão. Não sou ilusão de ninguém, o silêncio é a minha refeição matinal, nele engendro o meu futuro, a incógnita eterna, isso que flúi em todos os ritmos… somos até ao ritmo de não ser.

Aveiro, 31 de Janeiro de 2008 – 19:30h
Jorge Ferro Rosa, in Fronteiras

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