quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Procura-se um amigo verdadeiro...





Hoje apetecia-me colocar um anúncio nos jornais...Amiga fiel procura por amigo verdadeiro...

Não tem que ser alto...mas tem que ter um ombro onde possa encostar a cabeça,quando me sentir cansada e com vontade de chorar.Não precisa de ter o ombro livre sempre para mim, mas precisa de saber distinguir quando as lágrimas são sentidas e demasiadas pesadas para carregar sozinha.

Não tem que pedir desculpas por não estar presente em todos os maus momentos...mas tem que me fazer sentir que desejava estar .

Não precisa de sorrir sempre...mas de ter um sorriso para me dar quando me sentir triste,por saber que nunca lhe neguei o sorriso quando de um sorriso meu precisou.

Não deve guardar-me numa gaveta com cheiro a passado...e deve sempre dar-me flores se a vida mostrar que o futuro tem espinhos no olhar.

Não deve fazer de mim uma recordação e sim um pedaço...grande ou pequeno...mas um pedaço de si,porque aos amigos dou-me por inteiro.

Não deve perguntar se estou bem...porque o coração deve saber sentir quando não estou,porque algures nesta amizade há-de existir uma ponte para puder viajar de uma ponta à outra do peito.Só a ausência pode ter força para quebrar esta ponte construída com tanta harmonia...Talvez um dia esqueças o caminho...

Hoje procura-se um amigo verdadeiro...com braços para abraçar...ouvidos para escutar..mas com uma boca para nos encher de palavras com gosto a conforto.

Todo o vazio é inimigo do sentimento...todo o silencio é desprezo se não houver um sussurro ouvindo-se ao longe para nos fazer sentir amparados.

Vou para a janela escrever Amizade em mil aviões de papel e vou atirá-los em direcção às nuvens,para ver se do céu ..hoje ainda me chove um amigo assim...

Daniela Pereira

3 Comments:

Andreia Ferreira said...

"Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas por que já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Vinicius de Moraes

Manuel Marques said...

Para lá de belo este texto (que tantas vezes sonho para mim, e tanta gente o quer para si, mas foste tu que o escreveste), mesmo que lancinante, mesmo que verdadeiro ou então os silêncios ensurdecedores que nos afastam dos que amamos como gostaríamos que nos amassem são a chaga que temos de suportar pela verdade, pela entrega sem limites que damos sem qualquer tipo de esforço a esse ombro amigo que tanto afagamos e depois não aparece quando precisamos. Utilizando um verso de uma música dos Pearl Jam chamada Indifference: 'I swallow poison until I grow imune' poderia ser a forma de reagir, mas a indiferença nunca pode ser a forma de agir dos que têm a alma a arder, a imaginação em permanente ebulição, a simples vontade de ver retribuída, mas de livre vontade um pouco da amizade que dispensamos, por gosto, porque nos fez sentir bem, e sentirmos-nos bem é viver, e viver de bem connosco é transmitir energias positivas aos outros. Apenas é preciso que os outros entendam isso e retribuam e nunca devemos deixar que o veneno que nos fazem engolir nos transforme em bichos horrendos de indiferença por nós próprios até! Beijos! E sem querer ser repetitivo adoro ler-te!

blueiela said...

Andreia e Manuel:)


Obrigado pelas palavras tão reconfortantes que me deixaram...Eu não sei ser amiga dando indiferença a ninguém...não faz parte da minha maneira de ser.Quando sou amiga...ñ nego uma palavra..um apoio..ou um carinho.Para mim...quando isto deixa de existir numa amizade,é porque ela está moribunda.E eu sofro muito com a morte de uma amizade,porque é um pedaço de mim que estão a matar.Mas sobrevivo sempre...um pouco mais amarga...mas sobrevivo.

beijinhos

daniela