terça-feira, 6 de novembro de 2007

Poema sem um título à altura

escrever é encontrar-me
escrever-me é desencontrar-me
escrever-te é encontrar-me
(porém na ilusão)
escrever-nos é enlouquecer.

mas enlouquecido escrevi-te
e ganhando inspiração
de seguida escrevi-me.

(a seguir não sei o que se passou
mas alguém me disse depois
que fui encontrado morto.)

serviram-me a ti
sem saberes escreveste-te, escreveste-nos, escreveste-me!
mas não tinhas os mesmos sintomas

escreveste-me e eu acordei
e minutos depois eu peguei na caneta e escrevi
logo, encontrei-me
logo, desencontrei-me porque passei a escrever-me
logo te encontrei na ilusão, saberás porquê
logo enlouqueci de novo
e fiz aquilo de novo
e saí de novo
e entrei de novo

repetidamente

até ao fim de todas as forças.



Autor: uma pessoa muito especial que me pediu para não ser revelado o seu nome.

1 Comment:

Scoya said...

É viver, é sobreviver...é escrever nas entrelinhas o que nos magoa e o que nos faz descobrirmo-nos mais ainda...
É sermos...e isso é sempre uma loucura!