quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Pinta-me de cinzento!



(Fotografia de Nuno Reis-http://www.noir-sur-blanc.blogspot.com)

Deito-me numa rocha imaginária...
Não tenho tempo
Para escolher uma cama mais mole
porque hoje a mente está dura comigo...
Fecho os olhos...
As cores que pintam o mundo
Metem-me nojo
Porque inspiram os quadros dos amantes
E o amor deixou-me tinta cinzenta nos dedos.
Então...fecho os olhos!
Não há mais céu
com o seu azul a acenar
apelando para a ternura dos corpos verdes.
Não há mais mar...
E ainda bem
Que ele se evaporou vestido de branco
Porque hoje até na maré negra me afogava
De tão pesado que estou a sentir este peito.
Sonhos de algodão doce...
Afinal eram sonhos de algodão em rama...
Para curar as feridas
Que se adivinhavam no fim.
Dá-me luz!
Peço eu à escuridão adormecida...
À nuvem que atravessa o meu nevoeiro...
Dá-me luz!
Faz-me esquecer as verdades...
Ou então inventa novas mentiras
Para eu acreditar.
Não gosto de me sentir assim tão vazia...
Se calhar não estou vazia...e afinal estou mas é cheia...
Demasiado cheia de sentimentos inexplicáveis
Para que em mim possa caber
Algum amargo de boca descartável
Se não...
Hoje espumava de raiva
E odiava de morte
A minha franca estupidez.
Estou lotada!!
Com lotação esgotada...
Não fico mais à porta de sorriso cruzado
À espera que o meu sonho
compre um bilhete para conhecer o mundo
de mãos dadas comigo
Pinta-me mas é de cinzento...
Porque a dor
É para curar com pinturas de guerra.

Daniela Pereira
Direitos Reservados

http://devaneiosazuis.blogspot.com

3 Comments:

PJ: said...

Lindíssimo poema! Adorei toda a brincadeira de ideias e palavras.

Beijos,

Pedro José.

blueiela said...

Obrigado Pedro José

É bom receber o teu apreço... :)

Boas leituras e boas escritas...

beijinhos

Daniela Pereira

Scoya said...

Isto quando ainda há forças para pegar no pincel.

Muito bom.