domingo, 11 de novembro de 2007

ESCREVO PARA NÃO DIZER

Para quê escrever e ser mais um?
Tudo o que escrevo não presta!
Não vejo que tenha nisso valor algum
O que escrevo, todo o meu ser contesta
Desaprova, condena, não resta nenhum!
Olho assim e não sei porque passo aqui…
Qual o significado se é que isso existe para mim!
Vejo gente que escreve bem, sim, alguém
Nisso não vejo reconhecimento…
Vejo dar valor a quem não o tem
Lamento, por ser tão baixo sentimento.
O que posso dizer ainda mais? Mete dó!
Dizer com que finalidade? Para aborrecer?
Não me apetece… fico no meu lugar, só!
Não escrevo para ninguém… é o meu viver,
Escrevo não para ser maior, ou menor
Nem triunfar ou disso deixar… apenas escrevo!
Não escrevo por vaidade… e se escrevesse?
Escrevia então! Olho apenas os escritos…
Uns elevados, outros nem por isso…
Digo-te enfim, sem te dizer nada…
O que digo vai silenciar… dentro de mim
O que não digo fica em espera, a aguardar.
Aguardo, deixo-me disso, deixo sim
Vou embora, vou como todos também
Não sei da minha hora… será no fim!
Da tua não sei, nem de ninguém.
Não comento, não concordo com isso!
Oh que comentários despropositados…
Apenas para fazer jeito… falsificados,
É assim! Isso é arte, tudo é arte…
A arte de ser e não ser dos agrados,
Formas de sentir a existência no seu ser
De ficar ou de partir, merecer ou não merecer,
É isto mesmo… escrever ou não escrever…
O que escrevo é para nada, apenas para não dizer.

Vila Franca de Xira, 11 de Novembro de 2007 – 01:06h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma

1 Comment:

Scoya said...

Quem escreve por gosto, quem incute sentimento no que "diz" e quem o faz bem, é reconhecido.
Nem sempre da melhor forma, mas é-o.
Agora há aqueles que nada escrevem e, mesmo assim, por falarem coisas simples e rápidas, são comentados.
Não é o teu caso. Comentei porque gostei e, apesar de "te sentir" um pouco irritado, vi também uma forma de protesto em relação a algo que concordo parcialmente.
Veremos no que dá...