quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Antes da estupidez

Ter confiança numa mulher. As mulheres são perigosas, tão perigosas que traem, que fazem sofrer, que matam. Querer acreditar nelas, numa delas, ganhar confiança, casar, criar família. Só ter desconfiança. Uma palavra mais clara: cepticismo. Pensar no sexo. Agarrar o pescoço de uma fêmea e mordê-lo, beliscar as nádegas de uma senhora, espreitar pelo buraco da fechadura e ver uma dama despida e sentada em cima de uma sanita. Penetrar o sexo com o sexo. Transpirar abraçado a uma pele. O sexo é muito forte. E o erotismo e a imaginação. E o arrependimento. A fêmea está de pernas abertas, o pénis entra, joga o jogo, adormece e arrepende-se. Ganha consciência da fraqueza de certas vontades. A vontade que leva a trair é mais fraca do que o arrependimento. Se o indivíduo que vai trair conseguisse sentir sempre o mesmo estado de alma que se segue ao orgasmo, nunca pensaria em sair de casa. Faltar-lhe-ia o desejo. Quando vais na rua, queres violar X, rasgar o vestido de Y, ir para a cama com Z. Mesmo casado, pensas nisso. Um homem (ou uma mulher) não fica livre de vontades que a racionalidade não controla. Acordas sozinho e com vontade de fornicar. Se não fores comprometido, vá lá, se não fores casado, a tua consciência estará livre do pecado. Poderás pensar em mil mulheres. Se tiveres uma namorada, uma esposa, estarás preso. O pecado será o teu maior inimigo. Estará sempre presente. Como Deus. Um ao lado do outro a ver quem faz o quê. Queres trair sem arrependimento. O que acontecerá se traíres? Nada. Continuarás a ser o mesmo homem, só que com uma dose maior de pecado em cima do corpo. Acreditas em castigos? Também acreditas na atracção e no sémen espalhado pelo corpo da menina. E no arrependimento. E na vergonha. Se tudo isto está dentro de ti, não deverias trair. Há o arrependimento. Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. Há a vingança. Faz aos outros aquilo que te fizeram. Trai, bate, esfola, parte. Se fizeres o mesmo que te fizeram, sentir-te-ás melhor (que mentira) e arrependido. As mulheres são perigosas. Tu és perigoso. Somos animais. Não confies em ninguém. Ninguém confia em ti. O sorriso da tua senhora é um pequeno passo para a infidelidade e para o teu sofrimento e para o sofrimento dela. Queres trair se fores traído. Uma evidência. Mas não queres trair para sentires uma dor maior do que aquela que tinhas antes da estupidez.

3 Comments:

Carla Veríssimo said...

Um texto que prende, desde a 1ª letra até à última!
Brutal!
Espectacular!
MBM - Muito Bom Mesmo!
com sinceridade,
CV

© Piedade Araújo Sol said...

Muito forte!

Sempre!

Mesmo sem ler o autor já sabia quem era!

Fica um beij

Paulo Rodrigues Ferreira said...

obrigado às duas.

;)