domingo, 8 de junho de 2008

MEDO DA DOR!


Não ouso mexer-me. Já acordei?
Por onde andarão as minhas mãos?
Tenho medo! Não quis acreditar e desejei…
Que de olhos fechados, os ferimentos estão sãos…

Lembras-te? Humilhaste-me e perdoei…
Não ouso nem recordar todos os vãos
De tão perdida, com as feridas, andei…
E nem sequer ouso saber das minhas mãos…

Foi grave o acidente que me matou?
Ou apenas esta dor que minha alma sonhou?
Sem que minhas mãos descobrissem…

Mas não ousou mexer-me. Tenho medo!
Para descobrir minhas mãos é cedo…
Mesmo que por piedade mo encobrissem…


Hospital Pulido Valente
09.04.08

2 Comments:

Hermínia Nadais said...

Dor! Amarga e doce! Amarga pelas atrocidades da vida! Doce, pela melodia do amor!

© Piedade Araújo Sol said...

que soneto tão triste.

devo reconhecer que está excelente, tanto na metrica como nas rimas, o que faz um soneto limpo e perfeito.

parabéns!