domingo, 2 de março de 2008

RÉQUIEM


Na festa vermelha dos sentidos,
verto o sangue do amor, incômoda utopia.

Dobro o corpo e me entrego,
sem remorso,
à féerica farsa dos tristes,
de quem ousou ter esperança.

Sobre a ilusão, enfim desfeita,
de fados,
de flores,
do amante em madrugadas
de íntimo e sereno desfalecer,
pousa a névoa do esquecimento.

Verto o sangue, sangro o seio.
Se pudesse secar o pranto,
seria suave a inelutável dor
pelo meu sonho de amor,
enfim morto.

2 Comments:

© Piedade Araújo Sol said...

muito bonito, como tudo o que tenho lido de ti.

beij

ContorNUS said...

Gosto da conjugação das palavras e imagem

voltarei...