quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Rainha Branca



Calei-me
e um silêncio estranho
sentou-se no horizonte,
encalhado em nuvens de pedra
fincadas na vontade.
.
Um silêncio fechado
à porta dos sentidos,um silêncio trespassado
por um vento de cardos
agrafado aos ossos das palavras
cegas com o ruído de tanta claridade.
.
Foi no mar desmedido do meu tédio
que gritei à ilha que te cerca,
que te vi,
rainha branca
emergida do nevoeiro do silêncio
em cabelos de água
de ondas calmas sem fim.
.
E o mundo voltou a sorrir ao espelhar-se nas estrelas
do incêndio dos teus lábios,
ao apagar-se no conforto
do murmúrio dos teus olhos,
porque lemos nos ecos da escuridão
as vozes que escrevemos corpo a corpo.



Poema: Nilson Barcelli © Agosto de 2007
Fotografia: Ira Bordo

1 Comment:

Alexandra said...

Maravilhosas as tuas palavras, Nilson, delicioso o resultado do jogo que fazes com as palavras e que tão harmoniosamente vences...


Um beijinho.