quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

POR SULCOS E INSTANTES

Não sei mais onde vou escrever,
O cais da tarde dissolve o ferro…
Tomo-me na monotonia de mim,
Entre os arbustos antigos e o fim
Como se o outro lado sorrisse;
A preocupação é vazia na tua lógica,
O instante ilumina o imóvel
Entre os horizontes da respiração.

O corpo é um poema de círculos,
A gravidade une-me a ti!
A espera um tapete de encontro
No incêndio dos sentimentos
Que se fecham nos vidros escuros.

As palavras contornam movimentos,
Enquanto dormes na memória…
Rasgando as minhas pálpebras
Este sorriso de crepúsculo
A um vazio que desaparece na maré,
Por sulcos de brilhos atirados
A um medo que a noite silencia.

Aveiro, 24 de Janeiro de 2008 – 13:18h
Jorge Ferro Rosa, in Fronteiras

1 Comment:

© Piedade Araújo Sol said...

O corpo é um poema de circulos...

bonito poema, ainda que a noite silencie o medo...