terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Laços

Duas da manhã. Empoleirado na varanda de um quarto de motel, um quarentão com chapéu de cowboy acaba de beber a sua garrafa de whisky. Dentro do quarto, deitada na cama, uma rapariga de cabelos loiros e de seios microscópicos tenta se esquecer de que está demasiado bêbada para adormecer.

Quando forem duas e quinze da manhã, o homem do whisky lembrar-se-á da mulher que trouxe para aquele lugar e sentir-se-á excitado. O pénis que lhe costuma morrer dentro de apertadas cuecas transformar-se-á em algo poderoso, invencível. O macho procurará a fêmea para fornicar. A mulher, que foi paga para ali estar, mesmo que não se sinta em condições de abrir as pernas, não terá outra opção.

Às duas e quarenta, a mulher e o homem já terão adormecido. Ela, com a barriga cheia de sémen seco, sonhará que é uma criança a andar de baloiço. Ele, torturado pela vida, não entrará no mundo dos sonhos.

Na manhã seguinte, acordarão os dois com vontade de voltarem a sentir o corpo de um dentro do corpo do outro. Posteriormente, cada um seguirá o seu caminho. Ele, cansado, triste, pateta, gastará o dia num bar a entornar cervejas. Ela, bela e casada, procurará encontrar as melhores desculpas para os ouvidos de um marido tonto. E este que, como se disse, é tonto, acreditará nas desculpas da sua bela e destemperada esposa.

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