sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Parado no tempo

Sem motivação para se levantar da cama, deprimido, ressacado, um escocês de cinquenta e cinco anos abriu os olhos e, sentindo que os primeiros raios solares daquela manhã lhe afectariam a visão, tapou-se com os lençóis. Permaneceu coberto como uma criança durante largos minutos. Não estava acostumado a beber, a fumar ou a pagar a prostitutas para que dormissem com ele, no entanto, a sua vida actual dava-lhe acesso a alguns excessos.

A mulher trocara-o por outro homem mais novo e mais bonito.

Com algum esforço, o escocês levantou-se da cama. Doía-lhe o estômago. Bebera demasiado na noite anterior. Mas o relógio dizia-lhe que não se poderia demorar mais tempo naquele quarto de motel. Bebeu um copo de vodka. Vomitou. Lavou a cara. Pôs-se na rua.

Todo nu, de pé, com o queixo a apontar para o chão, o escocês reparou que tinha um preservativo cheio de esperma enfiado no pénis. Na sua cama, dormiam duas mulheres que pareciam irmãs gémeas.

Pôs-se na rua.

A imagem da esposa com outro homem não saía da cabeça do escocês. Precisaria de voltar a levar mais mil mulheres para a cama até esquecer a sua.

1 Comment:

Scoya said...

Pobre escocês, assim nunca mais chegará a lado algum...
Um beijinho e boas entradas!