segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Vagueando

Estava vento e os cabelos dela balouçavam com a brisa, deixando um rasto dourado a cada ondulação.
Parou frente ao mar e sentiu a água gelada molhar-lhe a ponta dos pés.
Já não havia dor nem reacção naquele corpo... Apenas um desejo louco de vaguear... Vaguear num Mundo onde a sua existência fosse mera passagem de uma vida.

Fotografia de Scoya @ Praia de Leça da Palmeira
Modelo: Diana

BOAS ENTRADAS EM 2008

6 Comments:

© Piedade Araújo Sol said...

Scoya

Muito bonito o texto e a foto.

Parabéns!

Scoya said...

Obrigada, Piedade :)

Manuel Marques said...

...o mar, e o Sol a ser engolido por ele... recuo uns 15 anos e vou mais para o Oriente e lembro-me de o ver ser engolido todos os dias (férias do fim da adolescência)... quanta fantasia quando a personagem principal é o mar e as saudades se esvaem em nostalgias que seriam facilmente amaciadas com um mero abraço! (isto é da hora... mas já tenho na memória imensos momentos como esse da tua foto que está fantástica!) beijo e bom ano!!!

Scoya said...

Manuel, como "compreendo" e recordo esses momentos como meus... Apesar de não o fazer em solo oriental, muitas vezes isso me acontece aqui pelas zonas :)
É da idade, também eheh
Bom ano, beijinhos

Liliana Jasmim said...

A combinação perfeita. As palavras fundem-se na fotografia com profundidade.

Muitas vezes as pessoas não param para pensar...e o corpo só é sentido quando a dor chega...
O mar é um lugar íntimo, onde se deixam os desabafos num fim de tarde, quando a areia arrefece debaixo dos nossos pés, quando o sol nos reconforta, quando as ondas silenciam o pranto ensurdecedor dos pensamentos, quando ...vaguear se torna num encontro com a própria "pele".

Beijinho e obrigado pelos comentários:)

Scoya said...

Liliana, muito obrigada, antes de mais, pelas tuas palavras :)
De facto o mar é dos melhores "ombros" que podes encontrar quando precisas desabafar, isto porque absorve más energias (para quem acredita nelas).
Daí ser tão "perigoso" e fatigante para aqueles que têm "a alma aberta" e que captam essas mesmas energias do mar, sentindo que têm o peso do mundo nas costas.
E esse vaguear que tão bem descreveste exprime a minha ideia (subentendida) no texto.

Beijinhos :)