quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

A casa dele

Na casa dele cabiam cabides para casacos dos outros, haviam luzes que economizavam solidão, sabia-se o tempo pelo movimento nas paredes. No dia que deixei de o conhecer pela boca larga de um jornalista, emagreci o desconhecimento que julgava ter dele e junto à portada, ainda junto à portada, sorrimos. Talvez pela diferença de idades comum mas diferente, talvez pela guitarra portuguesa a lembrar anos verdes, talvez pela cumplicidade da sombra de uma oliveira, naquele momento tanto dele como minha. Com o cheiro a café misturado no açucar da sua conversa, num alpendre interior à sua alma, exterior à casa, conheci uma multidão.
Quando mostrei a minha felicidade já regressava sozinho a outra casa, que também seria dele.

www.mentequebrilhas.blogspot.com

4 Comments:

PJ: said...

Gostei do estilo, repleto de voltas e reviravoltas. Vou tomar mais atenção adiante.

Abraço,

Pedro José.

M. Alves said...

Obrigado Pedro

Espero que continues por aqui a ler... e a escrever!

Abraço

© Piedade Araújo Sol said...

gostei das nuances...tá com um brilho de trocadilhos e mais nao digo...

espero novos textos...

M. Alves said...

Obrigado Piedade ;)