sexta-feira, 16 de novembro de 2007

...que é como quem diz

Como quem diz alguma coisa, nada te disse – dei-te o som de palavras indecisas em vez de mãos apertadas, troquei sonhos em vez de olhares, comprei esquecimentos ao preço de vontades – como num entrelaçado silêncio de vozes, disse-te “olá” no mesmo e preciso instante do adeus. Melhor - como numa estranha forma de nada dizer mas dizendo, estranhamente calei o quanto te amava.

Outra vez. Como quem diz alguma coisa, nada te disse - enquanto as palavras voavam pelas noites, serpenteando estrelas para, de manhã, se entreterem apenas a embalar os dias nado-mortos.

Até que, um dia, olhei as minhas mãos – eram feitas de retratos de tempos e barcos e losangos e nuvens; tantas coisas mas, sem ti, vazias. Só aí, verdadeiramente, me apercebi que te havia amado muito mas muito para além das putas das palavras!

Nesse momento, morri. E, desde aí, limito-me a navegar silêncios.

1 Comment:

Scoya said...

O poder do amor é construtivo, mas também incrivelmente destruidor.
Por isso o desejo e o temo.

Um beijo