terça-feira, 6 de novembro de 2007

Manifesto inter-artes de não submissão

Foi devido à conjunção de vários blogues que me vi convidado para o Blogue das Artes. A soberba fez-me aceitar o convite
(porque um anónimo ser convidado para um blogue de referência é algo que não acontece e mesmo que aceitemos que os blogues são outro passo não-natural na democratização e na liberdade de expressão só se tem voz quando há alguém para a ouvir ou letras quando há alguém para ler)
. Mas quando pensei mais seriamente percebi que tinha voltado a cair na mesma armadilha em que sempre caio
(na do orgulho pecado tão mortal se eu religioso fosse)
, sem que isso fosse, às vezes, tão mau quanto me faço crer. É. Deixei-me enganar pela expressão “blogue de referência”
(não é o autor que determina se é de referência ou não mas sim uma comunidade)
, tenho tendência para isso. Soberba uma vez mais
(não quero com isto fazer um volta face e chamar a todos os contribuidores deste blogue pretensiosos acho que são mais honestos que eu. pretendo a minha liberdade de expressão o meu manifesto individual de pés na terra)
.
Ignorância minha de escrever. Pessoas cuja expressão se transforma em arte
(transforma-se porque há uma comunidade que a trata como tal há uma comunidade que olha para um objecto como design como escultura como joalharia um texto verbal como prosa ou poesia um texto não verbal como pintura fotografia vídeo)
.
No entanto a dúvida artística subsiste se escrevemos sobre ou se escrevemos. Com o tempo.
O manifesto de liberdade
(e não libertinagem que a liberdade se exerce de acordo com regras sem as quais ela própria não seria possível)
é uma afirmação de identidade e independência contingente à minha experiência cultural e histórica. Não escrevo poesia e nem sei se escrevo algo digno de ser artístico
(a arte não é mensurável pelas suas características mas pela sua função social religiosa histórica cultural)
, mas escrevo e duvido. Tal como Brecht, duvido sempre.

1 Comment:

Scoya said...

E que Homem, produtor de arte, não duvida?
Tal como disseste, arte só é arte porque uma comunidade, um conjunto de leitores, observadores e críticos a vê como tal.
Mas também nós existimos e somos como somos devido a essa comunidade e ao nosso juízo sobre ela. Portanto, indagar torna-se arte quando indagas de uma forma que outros assim considerem.

Eu li. Eu gostei.