terça-feira, 27 de novembro de 2007

À Beira do Mar

Pés perfeitos
água salgada e amor
ondas flamejantes
adormeço devagar
Apenas a água fria
tapando os pés
e a areia
E depois
outros pés
juntam-se em delírio
e as ondas rodeiam
As ancas rodeiam
a areia molhada
perto dos pés
salgados molhados
E sobra sempre tempo
para te abraçar
encostar a boca
À beira do mar
mesmo de noite
sem adormecer
devagar e sem saber
Apenas surpresas
conchas difusas
dissolvem-se na morta
estrela do mar seca
caso isolado
no paraíso
junto aos pés
delicados molhados
puro desejo
e lá em cima
o céu encoberto
vestido de branco
promete chuva doce
limpar os pés quietos
cobertos de areia
e agora as ancas
as nádegas perfeitas
juntam-se na areia
e sabe bem a água fria
abraçar-te
e ouvir as ondas
flamejantes
à espera de Vida
para se alimentarem

Ah o mar
entusiasmo sem inquietação
na Boca do Inferno
ou apenas em Stoupa
a ver o Sol engolido
memórias distantes
tortas figuras
de um passado
mumificado
porém engraçado

Lembrava-me agora
da última vez
a última mesmo
em que estive apaixonado
via o Sol ser engolido pelo mar

www.manuelmarques.com

1 Comment:

Scoya said...

São momentos que se verificam sempre diferentes, exceptuando a felicidade e o prazer que nos causam...

Beijinho