terça-feira, 29 de julho de 2008

CAPICUA DO IPIRANGA


A falta de poder de decisão é hereditário,

com a pompa e circunstância duma revolução

és incapaz de ser negligente,

mas precisas de muletas e escadotes justos

para converter os escapes em atitude íntegra.



Há uvas que valem muito pouco,

são vulgares e sem o sabor próprio de sua casta,

tudo o que aparentam é jogo de luz insatisfeito

para afastar, com dogmas, sonhos díficeis

sem auxílio nem da cafeína, nem de catanas.


Olhas-me como um telecrã desconfiado,

curioso como doce de manga mais interessado

em pregar o rigor escrito do seu partido.


Foge já do diafragma sem pressões e

come-lhes a vulnerabilidade do desconhecido,

deixa-me os caroços cirúrgicos que estão a mais

no mau olhado constante de frustração e seiva

que é ser intermediário submisso de algo impossível.


Fala comigo portanto

sem gritos, tenho-te preso a

essa sabedoria majestática, meu

favorito impotente, podes

bater-te e expulsar-me que estou em ti

reprimindo a dobrar,

sabendo que existo falhado como

migalha de açúcar demasiado

estática, escuteiro reinvindicativo

por viver verdadeiras aventuras.


Insistes tanto

que nunca irei contigo, meu

reles colonizador dum único

infiel sem religião, vais perder

tua fama descontrolada aqui e,

sairei, deste reino amaldiçoado, calmo,

pelo ar, garantindo fraternidade igualitária

cujos motivos desconheces;

desde as entranhas dos indígenas até à

poeira e areias das praias do inconsciente,

ignorarás tudo o que não quiseres ouvir,

morreremos sozinhos assim e

será injusto e será excusado, mas

só trepas palmeiras pelos silenciosos

frutos do teu bem estar, que

demonstra eterna gratidão

arrependida.


IN foto-síntese 2003

2 Comments:

LetrasAlinhadas said...

Gostei, ainda que de dificil interpretação, mas provavelmente, está aí mesmo o seu encanto...

Augusto Bual said...

eu achei uma valente cagada