sexta-feira, 9 de maio de 2008

Duas cidades, a distância


É um fim de tarde e há pressa pelas ruas.
As pessoas passam e não sabem
que trago a morte dentro de mim.
Não sabem que os teus olhos eram
como duas chamas e que, por olhar-te,
sou apenas cinza que se arrasta pelos caminhos.


É um início de noite e há pressa pelas ruas.
As pessoas passam e não sabem
que estou numa cidade e que tu estás
noutra cidade e que essa evidência
é tudo o que me resta.


É já noite longa e há silêncio pelas ruas.
As luzes da cidade apagaram-se
e as pessoas já dormem em suas casas.
Não sabem que tu estás num quarto
e que eu estou noutro quarto e que, por isso,
a minha cama é um caixão que acolhe o meu corpo gelado
e que a tua cama, em outra cidade,
é a palha onde se incendeiam dois corpos.
Foto: Katia Chausheva
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2 Comments:

violeta13 said...

muito bom, cheio da imagem da solidão.
parabéns
um abraço

Andreia Ferreira said...

Violeta13: Obrigada :) Um beijo.