quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

VIAGEM


Se fora em Lisboa,
subiria a ladeira com Ricardo Reis
e temeríamos juntos, algum beco
de antigo e parco lampião.

Talvez um café entre silêncios,
cada um com sua saudade
se derramando quente,
em pires indiferente.

Haveria, porém, uma esperança
sob a ansiedade de todo não
a que ele e eu nos acostumamos.

Mas nem Lígia sou e o desamor
é sempre o que é...
irremediável dor
e seu remo de conduzir, o pranto.

Quem sabe no Porto eu seria feliz?
E o meu amor que julgara morto,
saltimbanco, torto, se assim ele fosse,
dobraria a esquina como quem diz:
- “vem, eu esperei tanto!”

3 Comments:

© Piedade Araújo Sol said...

Sara Mar

Gostei muito deste poema.

beij

Joaquim Alves said...

Além das referências pessoanas, viva o amor implícito e o Porto! bjs

Giovana Pessoa said...

Amo Pessoa, sou Poeta e gostei muito do li...
gostaria de ter seu e-mail e conversar com você...
Giovana Pessoa