quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O VIOLINO DE GARDEN (também para ouvir)

O Violino de Garden


@ joaquim alves, monotipia de 2007



Era de infinito que eu estava a falar

afinal o infinito é tão simples como

as preocupações diárias e o pão de azeite

para quem ama a serra de azeitão

mais conhecida por arrábida

é tudo relativo na teoria de eistein

curiosamente também no dia a dia da gente vulgar

é claro que tudo o que está em cima

é semelhante ao que está em baixo

e versa-vice de algum modo se aproxima

mas prefiro o som do violino

que juntamente com o do piano

alegram a vida e a alma

é só experimentar juntá-los

noites após noites e em local adequado

para sonatas e melodias de encantar

como as de alguns criadores sem nome

já que estamos no século do futuro

e o futuro nunca teve nome

vem aí devagarinho

só os homens têm pressa

o futuro nunca é mensurável nunca

mesmo com a agitação dos dias

a inflação e o caderno de contas nacionais

o futuro é o presente melhor

à partida

à chegada revela-se o mesmo de sempre

a corda na garganta

as contas sempre difíceis de manter em dia

e aquela chatice do tempo

ou melhor dizendo da sua falta

é isto a vida dos homens

deixo para uma mulher falar das mulheres

sempre insatisfação

e o infinito a espreitar sobre a nossa cabeça


Joaquim Alves


***************


Este e o poema "Figura" (mais abaixo) podem ser ouvidos no Podcast,
na voz excepcional de Luís Gaspar, o homem da Truca e do Estúdio Raposa.
Visitem esses lugares e deliciem-se!



2 Comments:

Tiago Nené said...

poema enormeeeeeeeeeee:)

vou ouvir o podcast:)

Joaquim Alves said...

Os poemas é que comandam a mão.
Por vezes, basta isto:

Morrer devia ser assim:
Lavar a cara com areia fina
e mergulhar no mar adormecido.
(Pode ser ouvido em porosidadeeterea).

Ou:

Não havia memória.
Havia chão.

in "Amphora"
(pucaradojaquim.blogspot.com)

Enfim, a forma e os conteúdos
são decididos caso a caso.
Sempre diferentes...

Abr. do Joaquim Alves