domingo, 4 de novembro de 2007

Receita para fazer um Herói

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.


Reinaldo Ferreira

4 Comments:

Teresa David said...

Conheço bem a obra do Reinaldo Ferreira. Tenho quase a desfazer-se as memórias dum ex-morfinomano e li-o enquanto reporter X. Este poema é admirável e é pena que ele não seja mais conhecido.
Vou tentar corresponder ao desafio
Um abraço
TD

Carla Milhazes Gomes said...

Afinal não estou sozinha no meu apreço e admiração pelo Reinaldo Ferreira! Mas, de facto, como a Teresa bem o diz, é um autor ainda bastante desconhecido o que é uma pena tendo em consideração a QUALIDADE SUPERIOR da sua escrita... Há que impulsionar o ressurgimento deste notável homem de letras:)
Obrigada e abraço:)

Tiago Nené said...

excelente poema;)

nao conhecia;)

Scoya said...

E com toda a certeza, um herói serve-se somente morto, pois vivo são raras as pessoas que se apercebem do seu valor.

Boa escolha!

Um beijinho