domingo, 18 de novembro de 2007

A Névoa Confusa do Discurso

Sentei-me ali quieto à escuta das preces de um voz melodiosa, algo que me pusesse um sorriso no rosto, um qualquer encanto, que me levasse ao céu junto a qualquer entidade divina.
Quedei-me algo estranho até mesmo sentindo aquele perfume que me fazia sentir vontade de saltar para cima dela, possuí-la ali mesmo no meio daquele discurso enfadonho que me dava sono.
Pura negligência, olhando para o lado via um gajo conhecido de boca aberta a olhar para o decote dela e pouco se lixando para o aquecimento global ou para a morte atroz das lontras. Fui-me ao gajo, o sangue, esse jorrou livre para o banco da frente incomodando ao de leve uma velha feia que nem um bode de fato branco e penteado de laca em forma de popa.
Voltei ao meu lugar, com o idiota do voyeur a levantar-se e a vociferar pragas pelas chagas no nariz martelado, e eu sorria. Ai valente murraça e o gajo a borrar-se todo!!!
E lá ao fundo lá estava ela com o decote brilhante e os seios da face rosados, com a certeza da humidade e do prazer para deleite de alguém de quem nem ela quer mesmo quereria saber.
Fiquei quieto, a sua voz provocou-me um orgasmo de tortura quente, em sofrimento, pelo erro e abuso, o coração ardente haveria de consolar o corpo presente!

www.manuelmarques.com

1 Comment:

Scoya said...

Gostei da "rudeza" pouco habitual das palavras. Mas o cenário é tão vívido que seria impossível não imaginá-lo.
O impulso é tão excitante, por si só.