sábado, 3 de novembro de 2007

Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.


Fernando Pessoa

2 Comments:

Coccinella said...

Oco céu alto...

Anónimo said...

Somos todos pedaços crentes de algo superior. Este grande senhor é prova viva que "separados" em diferentes "almas", somos uma unidade muito melhor.
Um beijinho