quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Não acordes antes do café da manhã ou destapas-me a vergonha
Colocado aqui mui gentilmente por Andreia à(s) 14:35 4 opiniões
Etiquetas: autores blogue das artes, prosa poética
domingo, 22 de fevereiro de 2009
de interminável confusão
procuro-te.
Neste espaço minúsculo
que chamam Terra, não te encontro.
Não te sei procurar em lado nenhum.
Não te sei...
Mas sabia de ti quando
alegre sorria.
Sabia de mim quando
de ti sabia.
Para que sítio distante foste?
Perdi-me na confusão deste minúsculo espaço
que me acolhe
(desesperadamente)
Fujo.
cheio de sonhos perdidos...
Não te sei
mais.
Colocado aqui mui gentilmente por Heraclita à(s) 17:35 5 opiniões
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
ChAOs 4
Uma história por dia e por espaço, uma ligação humana ou não
Encontro e desencontro pela cidade fora.
Para mais informações ou reservas ligue 918626345 ou contacte-nos no mail: teatroensaio@gmail.com
Apareça e divulgue
Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 19:46 0 opiniões
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Olá a todos!
Está a chegar o Entrudanças!
http://www.cm-castroverde.pt/ad2006/adminsc1/app/castroverde/uploads/progr.pdf
Entre concertos, Oficinas, Bailes e Leituras, haverá também venda de Artesanato, na Praça Zeca Afonso.
Hobby by AV, de Andreia Vitorino (www.hobbybyav.blogspot.com) tem orgulho em poder estar presente e deixa o convite a uma visita!
De sábado, 21 a Segunda, 23, desfrutem e ofereçam alegria e cor às vossas amigas!
Acessórios ousados e diferentes, com um toque de beleza!
Simplesmente femininos!
Contactos: Andreia Vitorino - andreia.vitorino@hotmail.com
Carla Veríssimo - cavverissimo@gmail.com
Hobby by AV agradece a divulgação alargada desta informação.
Colocado aqui mui gentilmente por Carla Veríssimo à(s) 17:09 0 opiniões
Etiquetas: Carla Veríssimo
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
John Updike, um poema de Tiago Nené
JOHN UPDIKE
Morreu sem um critério rigoroso.
Não se poderá dizer que tenha sido a lei da vida
ou a lei da morte
ou uma derradeira e infinita
composição da urgência.
Hoje morreu-lhe o corpo, morreu porque assim
disseram os médicos, porque assim
disse o seu pulso frágil como o equilíbrio
da terra, e porque agora é o tempo que o respira.
Hoje morreu-lhe o corpo, repito em voz alta.
E isso é tudo o que,
da perspectiva da nossa memória incompleta,
precisamos de saber.
.
.
Tiago Nené
(in Instalação, obra a ser lançada em 2009)
Colocado aqui mui gentilmente por Tiago Nené à(s) 22:06 0 opiniões
Etiquetas: poema, poemas, poesia, Tiago Nené
domingo, 15 de fevereiro de 2009
encantada estou...
Colocado aqui mui gentilmente por © Piedade Araújo Sol (Pity) à(s) 17:33 1 opiniões
Etiquetas: pin-gente
domingo, 8 de fevereiro de 2009
VERSO IMPERATIVO

Briton Riviere
Nenhuma flor nasceu à boca
antes do emaranhar das asas,
singulares brancas borboletas
enroscadas aos lábios: você sorri!
Facho feito foco, luz ímpar,
selvagem intenso peito abrigo,
teus vales sigilosos vieram!
Eu devia tapar os olhos
e silenciar na redoma!
Mas natureza corrompida,
sou pecado somado e escândalo
fluída sensação de outra Era!
Foge minha fúria ao ver-te
pois que olhos são signos...
Imperativo é verter em mim
teu sorriso de domar as feras!
Colocado aqui mui gentilmente por Eleonora Marino Duarte à(s) 22:59 3 opiniões
Etiquetas: poesia - betina moraes
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Samizdat - divulgação
Eis uma revista on-line de literatura, com bastante qualidade.
O seu nome é Samizdat e vai no 13º número. Clicando AQUI, pode-se baixá-los todos.
Em associação, desenvolve uma Oficina de escrita de contos.
Colocado aqui mui gentilmente por perplexo à(s) 01:45 1 opiniões
Etiquetas: autores língua portuguesa, contos, Crónicas, divulgação, Literatura, Perplexo, revistas, teoria literária
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Um livro - Berlim.
Eis um livro que eu tive a sorte de encontrar este fim de semana numa feira de livros usados em Lisboa, pois é uma obra muito útil e interessante para se compreender o período 1919-1933, essencial para tudo o aconteceu depois no século XX, e poder conhecer com mais rigor a vida e os hábitos da população Berlinense numa época em que Berlim era uma cidade extravagante, tendo contribuido muito para a cultura, a ciência e a política mundial do século passado.
Penso que é um livro especial para quem gosta de história, política, cultura, e já agora, para quem gosta de Berlim. (edições terramar)
Colocado aqui mui gentilmente por rack à(s) 20:55 1 opiniões
DAQUILO PARA O QUAL
Senti vontade de escrever, como na maioria das vezes acontece, mas algo parece que falta! Falta-me sempre alguma coisa entre os princípios substanciais, as formas da existência por dimensões que ficam por sintetizar.
As evidências são sempre objecto de reflexão, a expressão dinâmica gera um movimento especial onde o indizível se executa. Desfazem-se posturas, criam-se outras e a obscuridade da existência é uma postura.
Momento sintético que vislumbra outra condição, esta medida densa do pulsar existencial onde tomo de ti uma hipótese! Projecto-me numa tensão rumo ao infinito, uma busca incessante, apesar de ter encontrado aquilo que me parece razoável, pelas mais diversas vertentes, comungando assim do sentimento universal. Resta apenas este lugar onde tudo incide apesar das formas estranhas de abordagem, dos modos como a consciência concebe o que se lança… começo aqui a interioridade do irreflectido, em viagem ao absoluto daquilo para o qual não tens palavras.
Castro Marim, 26 de Janeiro de 2009 – 14:03h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma
Colocado aqui mui gentilmente por jorgeferrorosa à(s) 14:59 1 opiniões
Etiquetas: Jorge Ferro Rosa
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Derivas de Fevereiro - 27 e 28 de Fev. - Biblioteca Almeida Garrett
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
EM PROCESSAMENTO
Em processamento...
Ficou aquela palavra
As outras que não escrevi
Os agradecimentos que esqueci
Em processamento ficou sim
Tudo o que pensei e não vivi.
Tavira, 22 de Janeiro de 2009 - 22:15h
Jorge Ferro Rosa in Caderno da Alma
Colocado aqui mui gentilmente por jorgeferrorosa à(s) 22:12 0 opiniões
Etiquetas: Jorge Ferro Rosa, poesia
Paredes infinitas
Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 09:17 1 opiniões
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Algumas coisas
Fio assimétrico
Olho no olho
Olho na tela
Que não revela
A intensidade
Na integridade
De suposta interação
Escorrega por cabos
Mouses
Teclas viciadas
Atadas
Em qualquer persona
Frágil construção.
By Casti
Imagem: jornaldabatalha
Colocado aqui mui gentilmente por Casti à(s) 12:43 0 opiniões
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
A Naifa - Todo o Amor do Mundo - ao vivo
Paz eterna à alma do Grande e Eterno Génio Aguardela!
Deixo-vos este link para algo que escrevi em Novembro do ano passado e que inclui uma crónica com um concerto d'A Naifa em 19-04-2008, o meu último antes de sair de Portugal, para onde talvez não volte a ir viver...
A reinvenção da música tradicional portuguesa - Manuel Marques
...se quiserem deixar lá um comentário que seja...
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 23:09 0 opiniões
Etiquetas: A Naifa, João Aguardela
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Os mortos
Não há mortos que morram tanto como os nossos.
Se um daqueles que nos pertence morre sete
ou setenta vezes no coração,
de quem apenas ouvimos falar morre uma vez, na sua data,
e os que sempre viveram longe
morrem-nos metade ou um oitavo. E metadede
uma morte é quase nada, são casas
decimais no sofrimento. (Que digo? Milésimas, milésimas!)
(Gonçalo M. Tavares, in "1"/ Relógio D'Água Editores)
Colocado aqui mui gentilmente por Liliana Jasmim à(s) 03:41 1 opiniões
Etiquetas: autores língua portuguesa, Gonçalo M. Tavares, poesia
domingo, 11 de janeiro de 2009
Luminescências
eruptioColocado aqui mui gentilmente por Alexandra de Pinho à(s) 15:16 1 opiniões
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
A dureza a sair do soldado
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 20:18 0 opiniões
Etiquetas: paulo rodrigues ferreira
Oficina de Introdução ao Teatro

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Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 01:10 0 opiniões
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Lançamento
Colocado aqui mui gentilmente por © Piedade Araújo Sol (Pity) à(s) 19:32 0 opiniões
Etiquetas: Lançamentos
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
O acordo ortográfico é um acordo político
será a arte objecto de unificação???
Facto: afecta 16% da ortografia portuguesa de Portugal.
Fato: afeta 0,45% da ortografia portuguesa do Brasil.
Factor negro: ??? Em África ninguém vota nunca na matéria, têm guerras, morrem à fome e por isso muda-se e ninguém se queixa... é triste mas é assim...
Aproveito este tema que me revolve o estômago muito mais do que os compostos químicos que põem na comida.
É um facto que os tempos evoluem e que na língua de cada povo há que acompanhar essa evolução, quanto a isso nada tenho contra, nem contra a inclusão do k, w e y (quase que dava kiwi mas não chegamos lá...) e das palavras que se falam todos os dias por influência dos meios de comunicação, da arte, seja do que for (todos somos influenciados ninguém o poderá negar).
Quanto aos acentos talvez se chegássemos a um consenso se pudessem banir alguns (assim como se podia banir algumas das sumidades que propuseram esta reforma).
Porém a coisa terminaria por aí, sobretudo essa alarvidade que é acabar com o hífen em tantas palavras.
Não me lembro de um ataque tão cerrado a uma língua que tende mais a morrer que a ser revitalizada, porque a cada reforma se vão perdendo referências, se vai empobrecendo uma língua com intuitos comerciais.
Lamento profundamente esta aproximação do idioma. Cada povo tem a sua cultura e a unificação não vai trazer benefícios senão às editoras que venderão novos dicionários em papel ou electrónicos (talvez nem a elas porque terão que ser retirados milhões de livros que servirão para a fogueira e sabendo da predisposição incendiária de alguns portugueses e alguns brasileiros diria que é um festim) e sobretudo aos dos costume, sim os políticos e os seus amigos de sempre, os empresários, os mais ricos do mundo e afins. A esses sim decerto que vai trazer todas as vantagens.
Não vejo aqui africanos, seria interessante ver a opinião de um qualquer africano daqueles que ainda falam português (aí decerto que lhes fará mais falta um mero pão para lhe matar a fome, mas isso é tema de outras esferas, que os seus governantes corruptos se encarregarão de silenciar com a tortura, a morte ou qualquer coisa se se queixarem). Mas qualquer dia pergunto a algum amigo meu de Angola ou Moçambique, decerto que torcerão o nariz a muitas das barbaridades cometidas contra os vários tipos de português e a sua aproximação.
Imaginem apenas um acordo ortográfico entre Inglaterra, Austrália e Estados unidos... estão a ver a unificação? É um pouco como ir a Espanha e falar em unificação das várias línguas (que se ofendem se lhes chamem dialectos), castellano, català, gallego, euskera... talvez se arrisquem a algo mau, porque essas comunidades defendem a sua cultura e o espanhol é uma obrigação na sua cultura, mas quem fala português é, por natureza, submisso (Fernando Pessoa e Camões ou mesmo Vinicius de Moraes ou ainda Mia Couto que me perdoem).
Já agora talvez queiram um acordo ortográfico com a Espanha (são tantos a falar espanhol, quem sabe qualquer dia têm a ideia) e se acabe com o til (usado apenas pela língua portuguesa em cima de vogais) e o h porque tamaño desperdício de letras e acentos confunde a juventude que tem mais em que pensar... pensar em nada muitas vezes... e depois o que querem? Gente culta? Aparece sempre, mas há cada vez menos...
O português aproxima-se da língua mais básica que há ao cimo da Terra, sim o inglês. Apenas e só negócios. Mas vivemos numa sociedade de capitalistas selvagens, damos-lhes o nosso voto e por isso caluda, há que aceitar as regras sem queixumes de espécie alguma. Em nome do lucro, em nome de assentos na ONU, em nome do servilismo (podem chamar-me de comunista que sempre gostei do vermelho, antes isso que calado)
Já agora e sendo radical porque não fazer renascer o latim. Vai tudo para a escola e o latim passa a ser a língua mais falada no mundo? Não é de lá que vem a origem de tudo? Talvez com uma reformazita a coisa passasse a funcionar. Mas é difícil, obriga a pensar e não há tempo para pensar.
Voltando ao português. Cada povo tem as suas idiossincrasias e a cada período de tempo há mudanças, por vezes radicais, isso convoca a necessidade de uma mudança. Agora tornar a língua escrita mais parecida com a falada é estupidificar quem ainda não a aprendeu, ou seja os nossos descendentes, filhos ou netos ou vindouros que ainda não passaram de projecto.
É um facto que desde sempre escrevi faCto ou aCção assim, assim como no Brasil, em Angola, Moçambique, etc se adoptou outra forma de escrever, porque há diferenças, e são essas diferenças que tornam tudo mais delicioso, mais estimulante. Esta é uma pseudo-unificação. Apenas e só negócios. Crie-se então o português empresarial.
Com o tempo sou capaz de vir a adaptar-me aos acentos porque escrevo no PC, de resto passarei a escrever em português antigo, aquele que acabou em 31-12-2008.
Ficou uma miríade de coisas por dizer, porque este tema tem um sem número de sub-temas a abordar e só mesmo a indiferença, a apatia e a miséria cultural (e não só) dos povos é que permite coisas destas se tornarem regra. Mas nós, poetas, escritores temos o dever de nos insurgirmos pela defesa da nossa cultura, de manifestarmos a nossa liberdade perante essa escumalha que manda, seja de que lado de que Oceano for!
Ao contrário do que se possa dizer vale a pena espernear, porque quem nos faz de estúpidos quer sempre silenciar-nos. Valerá a pena lembrar que só quem se dedica às letras é que se chateia com essas coisas e que os governos cada vez menos se preocupam com a cultura... é pouco rentável!
E será preciso lembrar que Fernando Pessoa preconizava que 'A minha pátria é a língua portuguesa' ? Talvez seja melhor mudar-lhe o nome...
Manuel António Marques (se calhar já não se escreve assim em Portugal...).
A versão abrasileirada que vos convido a visitar também:
Jornalismo Político
Restarão opções ou a acção termina por aqui?
Colocado aqui mui gentilmente por Manuel Marques à(s) 21:08 1 opiniões
Etiquetas: Manuel Marques
domingo, 4 de janeiro de 2009
BALADA
Vinil rotativo, antigo, canção de fumaça,
Couraça desmonta, embalado coração,
Vitrola roda meu amor em letra e música!
Lembro tanto de você, mesmo sem querer,
“Vento de maio” é orvalho na flor furta-cor,
Colocado aqui mui gentilmente por Eleonora Marino Duarte à(s) 21:52 0 opiniões
Etiquetas: poesia - betina moraes
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
É inevitável
é inevitável o silêncio nos teus ombros
é inevitável a chegada do Outono
é inevitável o adeus
in http://lilianajasmim.blogspot.com/
Colocado aqui mui gentilmente por Liliana Jasmim à(s) 11:37 4 opiniões
Etiquetas: Liliana Jasmim
O Luar
O luar,
é a luz do Sol que está sonhando
O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar...
A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...
poema de Mário Quintana
Colocado aqui mui gentilmente por Liliana Jasmim à(s) 11:22 3 opiniões
Etiquetas: Mário Quintana, poesia
Esquece, apaga, desmaia
Ele queria esquecê-la, apagá-la, fazê-la desaparecer do passado. Deixou de a procurar com os olhos nas ruas por onde, antigamente, um casal apaixonado costumava passear. Mesmo que se cruzasse com ela, jurara, não levantaria o queixo para a cumprimentar. Abriu mil gavetas para rasgar algumas (poucas) fotografias felizes. Embora soubesse que ela nunca o voltaria a procurar, mudou de número de telefone e de residência. Procurou novos amigos, novas mulheres para idolatrar, decorou piadas diferentes, apegou-se a outras músicas. Começou a sair todas as sextas-feiras para dançar tango num clube nocturno com prostitutas. Um dia, viu-a e tudo voltou ao ponto de partida, isto é, ao segundo no qual o coração julga que existem dores que não aparecem com a falência do corpo mas que são capazes de matar. Todos os seus esforços para se livrar de sentimentos antigos tinham sido infrutíferos. Ajoelhou-se perante a mulher e chorou, esgravatando o chão com os dedos e suplicando-lhe para que voltasse para casa, porque não conseguia continuar a viver sem os beijos, os abraços e o calor dela. Mas ela era forte, dura e perversa. Deixou-o sozinho na noite fria, com o ranho a encher-lhe os lábios de vergonha.
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 01:39 0 opiniões
domingo, 28 de dezembro de 2008
SIMPLICIDADE E SENTIDO
Procuro-te no infinito, mas isso não passa de uma abstracção, uma paralaxe após a matéria, num embarque de enlevos. A insuficiência da descrição gera o silêncio, deixando um trémulo de focagem. Só a razão clarifica, a fé ilude, injecta a ilusão.
Todos os efeitos ecoam a sua origem e a razão conduz o entendimento cada vez mais perto do primeiro princípio!
Ainda estou distante… o cansaço apodera-se lentamente para que o corpo se desprenda! Vamos a isso? Interrogo-me imensas vezes acerca do nada e nada sei, ou a possibilidade de saber presentificado é apenas uma ilusão. As vivências são manifestações da realidade… um atrito separa as formas, sobram ideias que procuram o seu repouso, uma possível adequação. Adequações…!
Nenhum sentimento é universal, o que interessa é o lado prático, aquele que produz, aquele que cria, que é motor gerador de situação.
O tempo conduz-te para as propriedades íntimas da matéria onde perdes a noção da presença e o esquecimento anula o ser. O acesso está desprovido da essência, por isso nunca estás, és aparência, projecção… ainda que te tente dizer, nunca estás, ficas distante, numa ebulição e evaporando, lentamente. Tenho por aqui uma presença temporária, tal como tu, apenas o regulamento mantém as situações e os desfasamentos. A cegueira absorve-te, pois que fiques nessa preocupação, eu, lentamente me irei afastando de ti, até à ausência total. Não vale a pena chorar, o fim anuncia-se! A harmonia unifica e reconduz a desordem para o adormecimento da origem. O sopro eterno promove o esquecimento, reconhece a estabilidade do sono sem a preocupação do restante. O único sentido é o sentido da harmonia, onde não existem preocupações. A matéria é motivo de apego… é esta azáfama que produz a inquietação, a angústia, nas suas diversas manifestações. A razão ainda vive o seu estádio de infância, abe-lhe o amadurecimento! Ainda é cedo… não compliques o que é simples.
Fuzeta, 28 de Dezembro de 2008 – 13:02h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma
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sábado, 27 de dezembro de 2008
SUGESTÕES ÍNTIMAS PARA DESEJOS E ANSEIOS ALHEIOS. PARA 2009 OU EM QUALQUER TEMPO.
Colocado aqui mui gentilmente por Eleonora Marino Duarte à(s) 13:08 3 opiniões
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
a propósito do natal: arte em exposição na basílica da estrela. Um presépio ou uma obra de arte ?
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NA DIALÉCTICA DO VERMELHO
Perco-me na procura de mim, entre a doçura dissimulada, no arrojo do espírito que se perde na libido, no verbo sânscrito, entre a metade da incompreensão.
O cantar vulgar amordaçou o ventre do bem e do mal, onde a suavidade acrescenta uma alcova contemporânea, tomada da letargia das horas místicas. Falas da minha filosofia e dos encantos que o coração não contorna.
As pedras continuam duras com o sopro ausente do invisível, conjugando a lei da estética.
Ética privada e depravada, prostituída pelo inconsciente… lugares mitológicos, carne e sangue no erotismo do espelho degradado a um eterno retorno de refúgio.
O verbo maldito não possui mais piedade, ficou contaminado pelo retorno, pelo sexo instintivo onde repousa depois das horas dos porquês. A visão sublime desorganiza-se, encarna no gesto das metáforas, depois do café em comunhão!
O enlevo da carne torna-se impessoal, sustenta a figura do multiplicável nas orações do caminho das flores, violetas e orquídeas, ante o espelho renegado, por uma ilusão que a aurora sustenta.
Tomo no meu sangue a ilusão cósmica, o juízo das coisas que se perdem no jardim da corrupção. Não sei o que resta… as horas foram prostituídas e o conceito de Deus não tem acordo possível! A discussão é uma constante… não existe comunhão, corromperam-se as posturas e os prazeres e o mestre da boa vontade está morto.
O meu livro das gargalhadas foi tomado pelo cântico dos ventos e o ribombar dos trovões, a um visionário de misóloga visão.
Ofereço-te o trópico poético de um texto profanado, na batalha dos mitos e da luz trémula. O teu olhar missionário não guarda mais a parábola das horas, nem o sol nem a noite, apenas a dialéctica do vermelho no silêncio da premonição.
Tavira, 26 de Dezembro de 2008 – 13:16h
Jorge Ferro Rosa, in Caderno da Alma
Colocado aqui mui gentilmente por jorgeferrorosa à(s) 15:32 1 opiniões
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O texto que se segue é baseado em factos: Tristes.
Tristes, porque Verídicos.
Vamos chamar-lhe Rui.
Mas podia ser Ricardo, André, Nuno, Paulo, João, Sérgio, Luís, Pedro, Bruno,…
Rui conduzia o carro. Alexandra ia ao seu lado.
Vamos chamar-lhe Alexandra.
Mas podia ser Marisa, Andreia, Jacinta, Raquel, Verónica, Rita,…
Rui e Alexandra tinham deixado o filho de 4 anos em casa dos pais dele.
Não vamos chamar-lhe nome algum.
Podia ser todos os nomes.
Rui e Alexandra conversavam acerca da casa nova, para onde iam mudar já no próximo fim-de-semana.
- Como vamos fazer as mudanças?
- O melhor seria alugar uma carrinha e levávamos tudo de uma vez, não achas?
- Estou desejosa de ver a biblioteca cheia de livros!
Rui tinha acabado de sorrir para a Alexandra, quando vê um carro vir em direcção a eles.
Só tem tempo de dizer:
- E agora o que é que eu faço?
Alexandra acordou no hospital.
Tinha um braço partido e os médicos preparavam-se para operá-la, quando lhe disseram:
- O seu marido morreu no acidente.
Rui tivera morte imediata.
Os dois carros chocaram frente a frente. Condutor com condutor.
Os passageiros do outro carro não sofreram quaisquer lesões.
A polícia ainda não chegou a conclusões acerca de como tudo terá acontecido.
Imaginamos o desespero de Alexandra, a raiva, a tristeza, a incompreensão e todo um rol de sentimentos a que não vamos chamar nomes, por não sermos a própria Alexandra.
Chamamos-lhe Alexandra, mas podia ser Marisa, Andreia, Jacinta, Raquel, Verónica, Rita.
Imaginamos o filho deles….
O filho tem 4 anos. Mas podia ter 8, 20, 40.
Imaginamos os pais dele….
Mas podiam ser os pais dela.
Chamámos-lhe Rui.
Mas podia ser Ricardo, André, Nuno, Paulo, João, Sérgio, Luís, Pedro, Bruno,…
Este Natal:
Vão, mas voltem todos vivos!
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Etiquetas: Carla Veríssimo
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Veneno Cura de Raquel Freire em breve num cinema perto de si !

Veneno Cura com estreia prometida para Janeiro de 2009 deixa-nos em pulgas à espera do novo trabalho de Raquel Freire.
São cinco as histórias de amor contadas por Raquel Freire no filme Veneno Cura, no regresso da realizadora à cidade do Porto. A película retrata a capacidade humana de não ter medo de amar e de ser amado e do risco de partir em busca de sonhos.
Veneno Cura conta histórias de amor impossíveis, imorais, politicamente incorrectas, socialmente inaceitáveis. As personagens de Raquel Freire são completamente humanas, mas não têm medo de assumir a necessidade que todos têm de amor, de serem amados e de amar. Numa época em que se tem tanto medo, ninguém quer ser vulnerável, onde mostrar essa capacidade de amar é tido como um sinal de fraqueza.
Há um momento em que todos nos cruzamos.
Na noite escura.
Quando perdes tudo o que há para Perder, o que é que te faz continuar?
O teu pior?
O teu melhor?
O que te impede de te atirares da ponte na primeira oportunidade?
O que és capaz de fazer para sobreviver à mais terrível das dores?
Amas com as tripas de fora.
O que és capaz de fazer por amor?
Como é que sobrevives com o coração partido?
Quanto tempo dura um sentimento?
Tem prazo?
Já morreste de amor?
Não se pode viver sem amor.
O amor salva.
O amor mata.
O amor cura.
Há um Porto onde se morre de amor.
Há um clube onde tudo é permitido.
Imperatriz.
Vem.
Para ir cuscando no MySpace da Raquel Freire e no Site Oficial do filme
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
ELEMENTOS DE UNIFICAÇÃO
No seio da ânsia profunda acolho-te ainda que o teu silêncio humedeça o meu olhar e todos os corolários da grande passagem. Guardo a tua palavra pela máxima compreensão dos encantos entre o anónimo de uma passagem ocasional. Ainda tenho nas veias a sedimentação do todo, a vaga flutuante do templo do amor! Sou a tua ponte, o universo do inacabado por um maior granjeamento, voluptuoso… senti-me cúmplice da floração no momento de aceleração da imagem. Profanei uma vez mais o olhar da manhã, tomei-me na poeira do tempo entre sucos purificados ao fôlego da existência. Todos os sabores tomaram-me no anónimo do tempo! Vou com esta fisionomia, não posso ter a que não tenho, apenas estamos separados por uma muralha que tu criaste naquele dia. A minha pátria também é a tua, o que nos separa é a água da nascente e o vento unificado.
Sou contigo no suspiro implacável, na ânsia funesta e deserdeira, onde as pregas da palavra insuflam cadencias, mecânicas de um novo compromisso. Não quero compromissos, sempre te disse isso!
Uma luz brilhou em agradável momento, numa ardência de inspiração por um timbre silencioso.
A mecânica dos laços ainda faz mover a grande roda do tempo e as palavras do grande livro enchem as veias de renovada serotonina! O encanto é fogoso… continua a arder no grande império ante a forja do corpo alveolar. A epiderme é o nosso elemento de unificação, somos na respiração o grande encontro e a vontade de fervor desdobrado.
Na força do meu desejo escondes a tua existência… pela dinâmica múltipla da identidade concilias o ideal do encanto que fica por acontecer.
Tavira, 17 de Dezembro de 2008 – 11:49h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “Veneza”. In Caderno da Alma
Colocado aqui mui gentilmente por jorgeferrorosa à(s) 12:56 0 opiniões
Etiquetas: Jorge Ferro Rosa, prosa poética
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
O Pai Natal não existe...
Colocado aqui mui gentilmente por Unknown à(s) 10:15 0 opiniões
sábado, 13 de dezembro de 2008
O cheiro da carne
Tudo morre à nossa volta porque a carne se degrada, apodrece, arde. Os amantes morrem com o acabar dos minutos. O sabor de um beijo piora com as rugas. O cheiro da boca, o hálito, apodrece à medida que os pequenos ossos alojados nos maxilares, os dentes, ganham cáries. A tempestade abate-se sobre a árvore e racha-a, abate-a, tira-lhe vida. É trágico ser madeira que dá fruto no meio de trovões. Mas a carne existe, é real, faz-te respirar. Tem muito poder. Desvia-te do essencial: o espírito, o pensamento, o interior do cérebro. A carne vicia-te na carne, dá-te vontade de comer, de mastigar, de fornicar. Degolar o porco para chupar meia dúzia de costeletas sebosas. Passar a tarde a olhar para as pernas da mulher à espera que essas mesmas pernas lancem o convite da cama. Prazer da carne, imbecilidade. Como esperar que o amor dependa da saliva, da transpiração, do esperma, dos fungos, do sexo, se o que persiste não reside no corpo? Fazer amor não é o corpo. Este está a mais, ocupa espaço, como os bifes de galinha que enchem o frigorífico. Dar importância à alma, portanto. Mas como não pensar que aquela linda mulher está ali a olhar para ti, aguardando que te esqueças da cobardia para a galanteares? Como fazer amor sem sair do intelecto? Esquecer que o pénis tem as suas próprias necessidades. Acontece que estás sentado numa sala da qual não podes sair e sentes-te observado por duas belas pernas. Coras, ficas vermelho, derretes. Julgas que não mereces tanta atenção por parte da perfeição. Pensa, no entanto, que nada de perfeito surgirá a partir daquilo que encarquilha. Olha para as pernas: envelhecerão, ganharão varizes. Queres lamber as futuras linhas verdes das pernas da mulher? Repara nisto: a carne tem pêlos. Se a moça não os cortar, terá tantos que te dará vontade de vomitar Olha para aquelas pernas. Ai pernas, belas perninhas. Imagina o nojo. Vê o pavor da carne e salva-te, salva-te. Toda a gente quer ser salva de algo. Do Inferno, do fogo inextinguível que tudo consome, da consequência do pecado, do minuto após o prazer, da condenação, do castigo.
Colocado aqui mui gentilmente por Paulo Rodrigues Ferreira à(s) 15:53 2 opiniões
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Dedicatória
Seres minha, sem ter forma; Teres um véu, meu sonhador... Seres a luz do meu crepúsculo, Ser o céu, teu resplendor. Escolho-me hábil, sonoro, imerso. Trémulo peito, meu suor-frio. Sempre que pára viajo disperso, Imagem silente, informe, vazio. Seres teu, sem ter forma; Teres um véu de sonhador… Seres a luz do teu crepúsculo, O teu céu de resplendor. Escolho-te hábil, opaco, imerso. Treme-te o peito, o teu suor-frio... Sempre que falas, viajas disperso. Imagem silente, anónimo, vazio
Colocado aqui mui gentilmente por rmf à(s) 00:32 11 opiniões
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