segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A Naifa - Todo o Amor do Mundo - ao vivo




Paz eterna à alma do Grande e Eterno Génio Aguardela!

Deixo-vos este link para algo que escrevi em Novembro do ano passado e que inclui uma crónica com um concerto d'A Naifa em 19-04-2008, o meu último antes de sair de Portugal, para onde talvez não volte a ir viver...


A reinvenção da música tradicional portuguesa - Manuel Marques


...se quiserem deixar lá um comentário que seja...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma bomba relógio no peito


É melhor
fechares
os olhos,
meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.

Os ventos todos
fechados dentro
da minha mão.
quantos ciclones
queres?

Procurava
nos outros a
ternura, mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina

Aquele
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.

Éramos
rebeldes por
sistema,
a sonhar uma
revoluçao por dia.
à tardinha,
na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.

O terrorista
apaixonado
carregava, às
escondidas,
uma bomba
-relógio
. era
no peito. era o
coração.
Em contagem decrescente
Dez, nove, oito, sete
Cresces
Seis, cinco, quatro
E entras dentro de mim
Três, dois, um
Fogo de artifício.
Constelações de estrelas.
O teu olhar que queima.
[Foto: Graça Loureiro
Música: Naifa]
(Também aqui)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

«Todo o amor do mundo não foi suficiente»


foto do concerto na Sala Galileu Galilei retirada do blogue d'A Naifa


A primeira música que me fez chorar ao vivo, arrepiar-me e tremer ... A Naifa e a voz para lá de sublime de Maria Antónia Mendes, a melhor voz portuguesa, linda, maravilhosa, indescritívelmente bela... que vi apenas 5 vezes ao vivo... emoções ao rubro com um poema surpreendente de José Luís Peixoto... outro génio... mas é claro que ela não canta o poema à letra...

O poema:

Todo o amor do mundo não foi suficiente

todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. ficaram

os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da
morte.
os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e
foram
demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como
lágrimas.
sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, cada hora,
não irei negar isso. não irei negar nunca que te amei. nem mesmo quando estiver
deitado,
nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a
foder.

_josé luís peixoto

visitem também: www.anaifa.com

e o blogue: http://anaifa.blogspot.com/

«um dia tão bonito e eu não fornico» mas isso são andanças de Adília Lopes e a sua «Metereológica»... outra das minhas favoritas...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Da série roupa vermelha: as calças

(amanhã vou comprar umas calças vermelhas porque não tenho rigorosamente nada a perder contei um a um todos os degraus sei quantas voltas dei à chave sublinhei as frases importantes aparei os cedros fechei em código toda a escrita. amanhã comprarei calças vermelhas fixarei o calendário agrícola afiarei as facas ensaiarei um número abrirei o livro na mesma página descobrirei alguma pista)
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