sábado, 19 de abril de 2008

Monumento ao 25 de Abril ... O

Perante uma obra de arte, cada observador faz dela uma leitura diferente, o que atesta a multiplicidade de sentidos que as obras de arte, geralmente, têm, mas que também reflecte a diversidade de cultura, de aspirações e de concepção do mundo de cada observador.

Perante o monumento de João Cutileiro colocado no alto do Parque Eduardo VII, muita coisa já se disse. Muitas observações esboçam um sorriso condescendente pela marotice que a escultura parece representar, outras mostram revolta pela ordinarice que lá lêem, ou pela boçalização dum acontecimento com a pureza que é atribuída ao 25 de Abril.



O que o artista quis transmitir, não sei. O que eu vejo é uma crítica violenta e desencantada ao processo começado em 25 de Abril.

Todos falam do pénis, do pirilau, do falo. Eu também vejo um membro masculino, mas tão frouxo, tão impotente, tão pequeno, que mais se deve falar em pilinha. Não vejo um erecto e túrgido símbolo masculino pronto a lançar um jorro de sémen fertilizador. Vejo uma erecção diminuta, que mal sai do escroto, sustentada artificialmente por espeques, escorrendo uma aguadilha. Talvez seja xi-xi, o que podia configurar a leitura de que o 25 de Abril não passou de «tesão do mijo».

Em frente está um cravo. Parece um ninho de cegonha, mas é um cravo, sem dúvida: tem um cálice verde e pétalas. Mas são pétalas que foram esmagadas a partir de cima. O cravo foi esmagado. (Regado a xi-xi também não ia longe).

O monumento implantou-se no local onde existia um pequeno pedestal. O pedestal foi semi-desmoronado para ilustrar a velha ordem que o 25 de Abril queria derrubar.
O que o 25 de Abril queria construir está, talvez, ilustrado por duas elegantes e pouco pretensiosas colunas, mas como se vê, foram quebradas durante a construção.

Todo o monumento se lê como: escombros. O 25 de Abril não teve tempo para construir um novo edifício nacional ou quem liderava não teve «tomates», não teve vontade, não teve pujança eréctil para levar a Revolução mais longe. O cravo foi esmagado, as colunas partidas. De antigo, só se derrubou um pequeno pedestal. Sobranceiros, lá se mantêm intactos os majestosos pilares do Estado Novo, poderosos, eternos!

[Publicado no blogue Universos Assimétricos]

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Artista desperto


Terry Jones - um dos famosos Monty Python - está em Lisboa para ensaiar o musical Evil Machines. O libreto foi escrito por ele e a música é do compositor Luís Tinoco. A estreia mundial está marcada para 12 de Janeiro, no Teatro S. Luiz.
Artista desperto, como demonstrou em 13/12 no lançamento dum livro dos Monty Python na Fnac-Chiado, Terry Jones escreveu a seguinte carta aberta ao jornal londrino London Observer, em Janeiro de 2003, num momento em que Bush intoxicava a opinião pública com as mentiras das Armas de Destruição Maciça, como forma de tornar tragável o seu hediondo acto da invasão do Iraque, perpetrado 3 meses depois.

Domingo, 26 de Janeiro de 2003

Caro Observer

Estou bastante excitado com o último argumento do George Bush para bombardear o Iraque: ele está a ficar sem paciência. E eu também! De há algum tempo para cá estou a ficar mesmo passado com o Sr. Johnson, que vive algumas casas a seguir à minha. Com ele e com o Sr. Patel, dono da loja de comida saudável. Têm ambos andado a deitar-me uns olhares estranhos e tenho a certeza que o Sr. Johnson está a planear alguma coisa contra mim. Não consegui foi ainda descobrir o quê. Já fui à casa dele várias vezes para ver o que ele andava a tramar, mas ele tem tudo muito bem escondido. Isto só mostra como ele é falso.
Quanto ao Sr. Patel, não me perguntem como é que sei, mas eu sei – e a partir de fontes seguras – que ele é na verdade um Assassino em Massa.

Enchi a rua de folhetos dizendo que se não agirmos primeiro, ele dará cabo de nós, um por um. Alguns dos meus vizinhos dizem que se eu tenho provas, porque é que não vou à polícia? Mas isso é simplesmente ridículo. A polícia vai dizer que precisam de provas antes de acusar os meus vizinhos de um crime. Eles vão arranjar um monte de burocracias e falar dos prós e contras de um ataque preventivo e tudo o mais. Enquanto isso o Sr. Johnson irá continuar a finalizar os seus planos para me fazer coisas terríveis e o Sr. Patel irá silenciosamente assassinar pessoas.
Dado que eu sou o único com armas de fogo suficientes, acho que me cabe a mim manter a paz. Mas até à data isso tem sido um bocado difícil. No entanto, agora o George W. Bush tornou claro que tudo o que eu preciso é perder a paciência e depois posso avançar e fazer o que me der na cabeça! E se formos a ver, a política cuidadosamente pensada do Sr. Bush em relação ao Iraque é a única forma de promover a paz mundial e a segurança. A única forma segura de evitar que os bombistas suicidas muçulmanos e fundamentalistas ataquem os EUA e o Reino Unido é bombardear uns quantos países muçulmanos que nunca nos ameaçaram.
É por isso que eu quero explodir com a garagem do Sr. Johnson e matar a sua mulher e filhos. Atacar primeiro!

Isso vai-lhe ensinar uma lição e depois ele vai deixar-me em paz e parar de olhar para mim daquela maneira inaceitável. O Sr. Bush deixa claro que tudo o que precisa de saber antes de bombardear o Iraque é que Saddam é um homem mau e que tem armas de destruição maciça – mesmo que ninguém as consiga encontrar. Tenho a certeza de que tenho tanto direito de matar a mulher e filhos do Sr. Johnson como o Sr. Bush tem de bombardear o Iraque. O objectivo a longo prazo do Sr. Bush é tornar o mundo um lugar seguro, eliminando para tal os "estados delinquentes" e o "terrorismo". É um objectivo a longo prazo muito inteligente porque, como é que se vai saber que ele já foi atingido? Como é que o Sr. Bush sabe quando é que acabou com todos os terroristas? Quando é que todos os terroristas morreram?

Mas, e então um terrorista só é um terrorista quando comete um acto de terror. E o que fazer acerca dos potenciais terroristas? Esses são os que queremos mesmo eliminar, dado que a maioria dos terroristas conhecidos, ao serem bombistas suicidas já se eliminaram a eles mesmos.
Talvez o Sr. Bush precise de eliminar todas as pessoas que possam vir no futuro a ser possíveis terroristas? Talvez ele nunca tenha a certeza de ter alcançado o seu objectivo até que todos os fundamentalistas muçulmanos estejam mortos? Mas, e então alguns muçulmanos moderados podem converter-se ao fundamentalismo.

Talvez a única medida segura seja o Sr. Bush acabar com todos os muçulmanos?
Passa-se o mesmo na minha rua. O Sr. Johnson e o Sr. Patel são apenas a ponta do iceberg. Existem inúmeras pessoas na minha rua que eu não gosto e que – com franqueza – me deitam olhares estranhos. Ninguém estará completamente seguro até eu ter acabado com todos.
A minha mulher diz-me que eu sou capaz de estar a ir longe demais, mas eu respondo-lhe que estou apenas a utilizar a mesma lógica do Presidente dos Estados Unidos. Isso fá-la calar-se.
Tal como o Sr. Bush, eu perdi a paciência e se isso é uma razão suficiente para o Presidente, também é suficiente para mim. Vou dar à rua duas semanas – não, 10 dias – para sair cá para fora e entregar todos os extraterrestres e sequestradores interplanetários, bandidos galácticos e patrões do terrorismo interestelar e se eles não os entregarem todos a bem, dizendo "Obrigado", vou fazer explodir a rua toda sem dó nem piedade.

É apenas o mesmo que o George W. Bush propõe e, ao contrário do que ele quer, a minha política irá apenas destruir uma rua.

Atenciosamente,
Terry Jones

Passaram 5 anos, tudo é mais claro agora. Mas será que conseguimos ver com clareza que basta alterar Iraque para Irão para que tudo esteja actual?

[A publicar no blogue Universos Assimétricos]

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O carneiro e o lobo


Em 2003, o Bush e o Saddam estavam a beber num regato.
Diz o Bush:
– Estás a sujar-me a água!
– Eu? – riposta o Saddam – Eu, como, se é daí que vem a corrente?
– Se não és tu, é o bin Laden! – E certeiro, espetou-lhe um corno no fígado.


[Publicado no blogue Universos Assimétricos]

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Arte e política

Angola

Brasil

Burkina Faso

China

EUA

Somália

UE

Trabalho de um artista plástico cujo nome não sei para uma qualquer dessas organizações de muitos países
(carregar nas imagens para ficarem grandes)
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