Adiante. Após me ter sido feito o convite para participar neste blogue, fiquei a pensar se não deveria abrir uma excepção. Será que, mesmo a freira mais devota, uma vez na vida não sonha com Cristo em trajes menores? Será que um tomate não pode, um dia, atravessar uma auto-estrada? Será que o mais extremoso chefe de família não fica, por uma única noite que seja, em frente à televisão vendo programas do “National Geographic” com animais completamente nus? (O que é um nojo, digo eu. “Uma saia plissada verde com lantejoulas”, dirá o leão transsexual do último programa, se questionado sobre as suas expectativas para o Natal).
Seja. Se os outros podem abrir excepções, porque não eu? Decidi, então, participar. Em todo o caso, para que não restem dúvidas - não só sobre o meu não pensamento como da forma e linhas gerais da minha colaboração -, resolvi escrever este manifesto, evitando, assim, futuros equívocos e eventuais doenças venéreas. Assim, tenho a esclarecer que:
1) Protesto veemente e energicamente pela minha inclusão neste blogue, da qual discordo em absoluto;
2) Sou contra toda e qualquer forma de Arte, nem que sejam as mais elevadas, nomeadamente o Marco Paulo a cantar na Venezuela para filhos de raptados;
3) As crianças não deveriam, sequer, aprender a ler e a escrever – tal teria evitado, por exemplo, o livro da Carolina Salgado;
4) Deveríamos ir viver para as árvores, nem que fosse só para fazer cocó para cima dos animais que passassem, atirando as culpas para os rouxinóis;
5) Parafraseando a Dona Miranda, toda a minha escrita poderá e será usada contra si e toda a sua estabilidade mental – que provavelmente será pouca, já que leu isto até aqui -, não tendo direito a advogado se me resolver processar;
6) O chapéu do Papa é fixe.
Bom. Agora que estamos esclarecidos e para que isto não fique muito longo, deixo-vos, como aviso para não voltarem a ler os meus escritos, um pequeno exemplo das parvoíces que irão aparecendo por aqui em meu nome - pelo menos até ser expulso ou provocado a debandada geral dos leitores. Este texto chama-se “o olho experimentado da autoridade” e, como podem constatar, por uma espantosa coincidência tem o mesmo título.
O olho experimentado da autoridade
Um morango passou por mim, pedalando numa bicicleta. Não liguei. Um polícia de giro também reparou mas, com o seu olhar experimentado de autoridade, viu logo que ali havia algo de estranho. Mandou-o parar – era a matrícula que estava torta. Arranjaram-na e o morango seguiu viagem.
