
Peter Hook playing with Joy Division in Preston, England
Pontifica a relação cordial
Lançando o sorriso de circunstância
Petrificando o amor encalhado no peito
A noite segue o seu caminho inexorável
Rumo ao contínuo prazer de copular
E depois de sujar o corpo e sorrirem satisfeitos
Apenas vestir o preconceito sempre presente
Seguir pela floresta abandonada
Ao som de um baixo eléctrico e melodioso
Aqui jazem os excluídos da sociedade
E depois de avistarem os primeiros raios de luz
Degustarem um pouco mais de cada corpo oferecido
Um grito lancinante que assusta a águia imperial
Algo majestoso que não era preciso interromper
Vibram na insanidade fatal de enganar
E ao contemplar a dor da humilhação
Da doença no coração
Algo impeditivo de provocar felicidade
Os excluídos dançam freneticamente
Sonhando na ignomínia de uma insolúvel viagem
Não liguem aos excluídos
Façam de conta que a vossa vida pode ter algo melhor
Envelheçam os sentidos
Recordem as pisadas no caminho tortuoso da vida
Glorifiquem a vontade de desbravar a noção de alegria
Algo que contínuo incessantemente à procura
Alguém que saiba o que é a alegria
Que nunca tive dentro de mim
Não sei o que é
Alguém me explica?
in 'o medo do dia seguinte' , Manuel Marques, magna editora 2007
www.manuelmarques.com
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Eternamente Excluídos
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
O MEDO DO DIA SEGUINTE
Sempre quis começar o dia com algum tipo de felicidade
viajar pelas ruas sujas de seringas usadas à tua procura
caída nalgum canto à procura de uma morte rápida, menos indolor
que a vida gasta, mas segui sempre indiferente ao destino
e à entrada do teu pesadelo virava sempre as costas, cobarde, longe
da consciência, do sentido de dever, das constelações de merda e
da futilidade em que se havia tornado a vida das pessoas, seguia, ia.
E tu vendias os restos inglórios em que se havia tornado o teu corpo,
abandonado pela alma que já morava em mim e não te queria saber.
De qualquer forma uso as palavras e digo que sim, que tudo fiz
que tentei tudo o que podia por ti e ao chegar à tua rua de amargura,
virei as costas, disse ao meu medo que não te conhecia
para não cair no saco roto das consciências imberbes, podres.
E um dia pus uma pedra no assunto, fiz de conta que não era nada o que nos unira e lá
apareceste numa página de jornal sensacionalista
como um peso de que a sociedade se livrara, virei a página e segui.
Quantas vezes se vira a página e se segue?
Como é fácil viver sem essa consternação,
ignorando a vida com a cabeça escondida na areia,
onde inúteis, nos refugiamos.
17-12-2006
www.manuelmarques.com
in o medo do dia seguinte, magna editora, 2007
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