sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Murcha...

Publicado em: Alguns Anos Depois


Fala, diz, conversa, cala, consente, sente, pára, e fica tudo igual mas ao mesmo tempo está tudo bastante diferente.


Seca, murcha, dói, sente, pára, e não levanta para o sol, não caminha para a luz, senta e pensa no que lhe seduz, se ainda resta, se ainda sobra.


Grita, chora, briga, sente, pára, e volta tudo ao normal vindo do nada, não se ouve, nunca se ouve, por isso se fala tão alto, não se sente, por isso chora, nada muda, por isso briga.


Caí, tropeça, rebola, deita, levanta, sente, pára, e volta a fazer o mesmo, a magoar da mesma maneira, pois quando se tropeça ainda podemos sentar para curar a ferida e aí pensar, se rebolamos podemos acabar por ir parar a outro lado.


Agarra, puxa, solta, sente, pára, e parece que está sempre a fugir, ou então nunca esteve realmente agarrado, está por estar, não importa como está, não se pode estar sempre a fingir.


Foge, corre, volta, parte, regressa, sente, pára, e quando percebemos o que existe não era suposto, o que está lá não era para estar e o que fizemos talvez tenha sido um erro, precipitação misturada com paixão e agora confusão misturada com desilusão.


Inspira, respira, dorme, acorda, come, sente, pára…

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Com uma pequena lágrima perdi-te para sempre...
Dói tanto ver-te e não poder ter-te de novo!

Olha para trás! Por favor!
Eu estou aqui...

Ai! Não vês que sofro? Vê-me!

Amo-te!
Esta palavra está tão magoada...
Dizer amor faz doer o coração.

Estou aqui, meu querido.
Volta desse lugar que te acolhe,
que te prende para sempre.

Ai! que sofrimento!
que angústia é viver sem ti para me abraçares...

Choro por ti, que não mais voltarás...

Saudades, meu docinho.
Amo-te!
onde quer que estejas lembra-te:
Eu estou aqui.

Liliana Martins

sábado, 22 de dezembro de 2007

MOMENTOS QUE PASSAM


Olho por aqui e além
Quero olhar-te uma vez mais
Mas nem tu, nem ninguém
Nem o eco dos meus ais…

Olho e não vejo as minhas mãos
Procuro em vão o fumo em espiral
E nem a cinza daquele último cigarro…
Parece que tudo foi nada num momento
Nem anéis, nem dedos nas minhas mãos
Para além do monte tudo é irreal
E foi-se a esperança onde me agarro
Como que levada pelo vento…

Quiseste dar tempo ao tempo…
Que loucura sem remédio
O tempo passou alheio
E nada conseguimos descobrir…
Agora, que já não há tempo
Tomada por um triste tédio
Arrasto-me num perene vagueio
Até ao dia de partir…


Folheio o livro da vida
E tantas folhas, tão escritas…
Tantos olhos, tantos amores
Tantos lábios e corações…
A ti amo e por ti sou preterida.
E entre canções, flores e desditas
Deste-me rosas de tantas cores
Para acalentar as minhas ilusões…


22.12.07