domingo, 6 de janeiro de 2008

poema em linha recta- Fernando Pessoa



fantástico!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,


Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(citando Fernando Pessoa)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A Brasileira do Chiado

Levo-te a passear pelo Chiado
Querendo, acima de tudo
Que te sintas como em casa
Mas mais coberta, dadas as circunstâncias

(Faz frio faz)

Vamos comer castanhas
E conversar com o homem inerte
Tu, fazes de conta que é o Mário de Andrade
Mas mais coberto
Eu, faço de conta que é o Pessoa
Mas menos desperto, dadas as circunstâncias

Mário Lisboa Duarte
Margem d'Arte

sábado, 3 de novembro de 2007

Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.


Fernando Pessoa