sábado, 8 de março de 2008

Sete faces de Eva

Chamava-se Eva, corria descalça e tinha um sonho.
Minto, não tinha só um sonho, tinha vários sonhos instrumentais para conseguir alcançar O SONHO.
Neste momento, um dos seus pequenos sonhos passava por conseguir apanhar o comboio, não o podia mesmo perder, portanto, com os stilettos na mão, correu pela plataforma até conseguir entrar, mesmo no último instante.
Respirou fundo, encontrou a casa de banho e, depois de se retocar, olhou para o espelho com um sorriso de satisfação, o calçado não tinha sido boa opção para uma corrida, mas estava linda e sabia que ia triunfar.
Saiu do comboio, chamou um táxi, e indicou “para a Ópera, se faz favor.”
“Uma menina assim gira? Não prefere antes uma discoteca?”
Eva riu e disse “hoje não. Hoje vou só assistir à ópera, mas daqui por dois anos vai ver a minha cara nos cartazes como a nova grande diva. Acredite.”


NOTA - esta é só uma das faces, as outras estão aqui

MULHER

Como poderia ser poeta
ter os projectos
atravessar as fronteiras
do perigo imenso
dos conceitos intensos
sem a sua sensibilidade
apaziguadora
enternecedora?

Como seria o mundo
se
não tivesse a sua âncora
as
viagens de fundo
os
filhos e os maridos
adolescentes incandescentes
amigos empedernidos
abraços quentes de doçura
as
palavras amargas de vida
a
delicadeza pura de desejo
a
arrojada semente de amor
sem uma mulher que fosse?

Mãe sem medo
de tesouros incalculáveis
olvidados em agorrância,
aninhados no esquecimento
apesar de partilhados, contemplados
anunciados, e escarnecidos
persistidos e repetidos
e mesmo na queda intensa
o ombro que surge
sempre com o mesmo sorriso
a mesma protecção
a mesma semente de vida
que deu a vida
e ensinou a subir a montanha
a mais agreste
no sentido de respeito
dos valores e da vontade
de partilhar o amor

A mulher pode tudo
mesmo que seja preciso um dia
quando todos os dias são dela
e nós homens não somos ninguém sem ela
mãe
namorada
amiga
inimiga
VIVA

Eu quero tudo
para poder respirar
o seu viver
e caminhar ao lado de uma
de muitas e de nenhuma morte
de mulheres que sublimam
que lastimam que se fecham
que se abrem. que fazem a viagem
curta, intensa da vida
sem uma lamúria
na intriga e na penúria
na liberdade própria
de quem a tem
e nunca soube o que é
e enquanto houver uma mulher
que sirva de contraponto
ao mundo masculinizado
das guerras e dos ódios
o mundo tem esperança
de vida, de mudança no rumo
de amor e de ardor
de felicidade e tranquilidade
de alma e belezas puras!

VIVAM AS MULHERES, seja no mês maravilhoso de Março em que o avô Inverno dá lugar à neta Primavera (a única estação feminina, curiosamente) no Hemisfério norte do Planeta Terra, a única época em que tudo floresce de novo, com uma renovada esperança de vida!


Apesar de não estar lá, quero desejar à Daniela Pereira (nossa companheira de letras deste blogue) o sucesso que ela merece pelos brilhantes «Afectos Obsessivos - A Poesia Curiosamente Sem Açúcar», o lançamento vai ser hoje e de espírito estou lá, bem hajas!

Curiosamente a 8 de Março!