sexta-feira, 28 de março de 2008

Extracto de Em busca ( Part two final)

Ilumina liberdades!
Expressa-te!
Futuro que ri
Arvore que germina
Que deparas debaixo das águas oceânicas?
Na baía tudo está calmo...
Como em uma fotografia de outros tempos
Que me deparas Vida?
Vida que sinto a flamejar transparente no eco do horizonte
Espero-te... Sorri-me de novo...
Cobre-me com esse manto de terra permeável
Com essa crosta de musgo vivo
Ampara-me...

J' ai vu le dessein


Agora!...
Tudo me parece diferente como em outra mente

Tudo o que fizer é uma doação ao Universo
Ao meu berço como Homem
Ao ar que vivo
À agua que me conduz à inspiração
À terra que vibra a meus pés
A todos os seres que partilham e compartilharão indiscutivelmente comigo a beleza da existência
Sou um mero expectador...
... Sou um mero sonhador...
Sou um mero escritor...
A riqueza provém dessa observação
A riqueza é partilhada
Desfazer-me dela é a questão
Queimarei todas minhas mansões e tesouros
Tudo para manter essa minha depressão

terça-feira, 18 de março de 2008

Mea Culpa

Humildemente disfarçado em Nick Cavizante som de uma árvore em luto negro... Fundo presente de algum canto de rouxinol urbano onde o melro negro da astúcia é interrompido sucessivamente...
Pelo chilrear exótico do periquito
urbanamente dispensável...
Como o andar urbano em trânsito de poluição sonora...
Eco de...
Matem-me urgentemente.

Vigio os terraços. Os telhados e as varandas da minha visão na indubitável melancolia que se dissolve na beleza de uma lagrima nostálgica de estar vivo...

De ser levado para a alegria de sentir o pulsar da escrita natural ao ritmo do tudo universal em comunhão de bens comunitários no meio desta arena desenfreada e grosseira de analfabetismo mental e cósmico para com a arte suprema.

In natural meaning of life.
Bebi o elixir amargo da rosa vermelha do meu encanto disfarçado sob a mesquinhez ingénua dos meus actos espinhosos perdidos no infinito moral de uma mente sob a negatividade excessiva de um delírio kármico...
De um intrisico suspiro marginalmente melancólico e vanguardista do tudo nada perfumado... Natura exacta da minha confusão rasca de cachorro abandonado nas ruas autênticas e sombrias de uma chinatown desfigurada.
Desfigurada em local de refúgio para o dreamer inconformado sob o olhar divinal da eterna amiga.
A omnipresente coruja cúmplice a minha retina sob o canto de cuidado, tem cuidado... Letra da indubitável essência do cognoscível incogniscivelmente presente no ficcional mundo de simples desejos sinceros em não negar o mínimo sinal do teu socorro...
Vi demais.

Grito desculpas inúteis para disfarçar as minhas mágoas de um socialmente e residual estatuto de pobre improdutivo mental...
Sem por aí dizer de impróprio produtor vírus in success provisório na ilusão de um sonho mágico em terras de primavera em ascendêncial sabedoria.
Viva marcha continuada pela praça da concórdia espalhada em todos os sensores ligados ao meu altar neuronal em disfunção crescente:

Alivio racionalizado em beleza intrinsecamente estranha ao luar da minha razão.

Peço desculpa pela minha animalesca capacidade de odiar e amar o que me rodeia. Gozo os prazeres existenciais que me são oferecidos assim como me isolo na solitária ilha de ingratitude...

Pedaço de terra e rocha febrilmente originado pela inutilidade de agir contra as ágeis manobras de diversão sensório motoras de um sacana chamado brain.

Peço desculpas por tomar a coruja sobre o meu ombro e aclamar a noite como meu cemitério vivo... Espaço donde invoco a presença de todos os meus mentores improvisados na ficção Graigoriana do meu computador de asfalto... Onde desculpo-me mais uma vez de ter nascido numa altura irremediavelmente errada...
Mas onde fascistamente se pode subir ao cume Evereste do absurdo vaginal da in loco visão do belo adormecido monstro do lockness... Exposto em parques de exposições culturais em choque...

Importa-se que lhe sirva um aperitivo teatral?

Sou um estranho, mas não na noite.
A coruja ampara-me pelo grito sério da razão onde o felino passional me guia para a existencial fatalidade de vidas que não renego.

Questiono!

Pergunto exaustivamente até que uma réstia factual de puzzles se possam tornar na complexa destruição do tudo ou nada que possa existir.
Procuro desmitificar tudo ou talvez simplesmente não consigo entender a minha abstracção racional dos mundos que me rodeiam e rotulam para o estatuto autista de coitadito adormecido pelo stress oxidificante da cidade neuronal de escala asiática que emerge a olhos vistos...
Reprodução em massa incrustada na ponta do meu cigarro inacabável ao luar de Cipião o africano.

Aclamo a chuva e os ventos para comungarem tudo o que está para vir.
Mas estes não devem amar-me muito.
Aparecem de vez em quando no fundo do meu retrovisor mental mal direccionado.

Peço desculpas por não ser o que desejam de mim, serei apenas um figurante nocturno.
Ser um pouco um tanto caricato e estranho na luz do dia...
Resplandecente ao luar da razão negra do futuro social e mental da nossa next generation...

Generation debilmente alegre e adormecida pela crescente monopolização económica de um saber burocratizavel em train stations...
Train stations de inúteis razões de escrever algo útil ao meu mas sobretudo ao teu olhar de cachorro vadio em plenas ruas de uma Chinatown sombria pelo cognoscível belo canto da coruja...
Aquela minha amiga em memória latente de um sonho em campos de minas de rosas espinhosas... Devoto local onde monologarei o meu nojento Mea Culpa de inútil para a sociedade de empacotamento racional.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Extracto de Saída

Se algum dia escrever... Espero ser um daqueles escritores que quando se lê... Não se percebe mas sim há de certa forma aquela harmonia de alguma maneira imposta entre uma escrita TNT/abstracta mas pura no sentido de sair muitas vezes sem explicação mas sim de facto em valor escrito nesse próprio impróprio acto de escrever.
No fim quem ganha vida... Eu ou as linhas que me escreveram...
Gosto de considerar qualquer acto escrito como um processo criativo.
É beber-se nessa iced cup onde encontrámos essa agua de beber, el gento in rio e a mística sensação de criar-se algo... Começarei então por um one note samba entrelinhado com um Al Berto Nick cavizado onde alinharei um chega de saudade fio condutor à um lirismo Lou Reed complexado in meditation... I don´t know just where I´m goin´... Depois.
In berimbau e how insensitive frio acto de escrever acabarei este meu processo criativo... Acto de liberdade in bossa nova jazz moment of reflexion sentido a flor de pele.
Revejo tudo demasiado na cor e no sabor do café. Defeito de fabrico. Talvez isso tornará a minha escrita monótona e sem fluidez... Será algo bruto e áspero onde talvez a tranquilidade jazzística não deslizará por essa salgalhada de momentos sem determinado interesse.
Apenas acho que lançar interrogações é o reflexo de lançar lanças a minha ignorância que nunca conseguirei suprimir... Para não ser agua parada de desconfiança mas sim agua em movimento de regeneração constante... Só isso... Mais nada... Pelo menos para mim e ao meu acto de criativamente tentar viver.
Vivo a insensatez pura do artista sem forças e esgotado mas pronto para retomar o sinal até o extinguir da chama que lhe dá forças.
De todos os textos que ofereci para ler... Senti o parar a meio e não pegar mais... Senti a leitura e a tentativa de analise e perceber porquê essa escrita... Respondo que por mais instrução que se aja... O acto de leitura é o bem de certos iluminados....
Isso inibe o meu acto de escrever... Pelo menos para hoje.
O acto de escrever é extremamente assustador quando se foge a regra mesmo de forma inconsciente... É rever-se eternamente em discussão retórica aberta onde há sempre um ponto para voltarmos...
Sempre tenho amigos que apreciam a minha escrita com a simpatia de ser sincera a opinião que daí veio e que recebo sempre com um sorriso na retina...

Por eles amanhã escreverei.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Ocidental Praia

 Sinto-me acabado
Um desses dias que não vale a pena mencionar
Um desses momentos em que desejamos cair no vazio
Cair na sombra existencial com aquele típico
desejo de gritar um sonoro palavrão que de palavrota não tem nada

Como superficial é o desejo
Como vazia é a realidade informativa que nos servem todos dias a hora do jantar

Como é triste querer abandonar tudo

Será a justiça uma mulher cheia de vícios
Continuará vendada e cega!?
Auxiliará os ricos e fortes homens da nação
como sempre o fez indiscretamente sorridente em todos aqueles media reports que nos servem diariamente a hora de (des)jantar?

E o suor?
E o suor do workin´ man digo eu!
Será enxugado com o lenço de seda purpura de nossa bela donzela cega?
O pobre vagabundo terá a sua fome saciada por essa dona de casa sofisticada e In justa?

Porquê viver esse prejuízo?
Ela não passa de uma puta fodida e bem paga pelo chulo Estado que nos controla

O mesmo passa-se com o boletim informativo que me deprime
Está vendido!
E em todo lado os vermes se refastelam com as tristezas de outros nós que somos...
Somos incrivelmente tédiosos e incapazes
Não vemos o bonito que ês

Tu
minha ocidental praia lusitana
aquele mar azul de águas refrescantes
aquele sol fénix que nos ilumine para uma nova busca


Choro por ti País
Talvez seja o excesso de fado
Esse tão tuga defeito de não interferir com o rolar do tempo
Seguiremos o destino até ao fim!
De nada serve quebrar essas correntes
Correntes de almas errantes e perdidas na nevoa espessa de incertidão

De tuas entranhas sobressaí a fértil vinha de Dionísio
O aroma dos olivais agudiza o paladar de viver
Os pinheiros aromatizam o ar de verão
Tua fauna deve ser preservada

Imperativamente!
Já!

Os riachos cristalinos me banham nessa saudade de ter longe
Revive meu país
Reergue-te imponente carvalho

E em todo lado os vermes se refastelam com as tristezas de outros nós que somos...
Somos incomensuravelmente nefastos
Alimentamo-nos do teu sangue
Não vemos o que ês

Tu
País nunca dantes deslumbrado
Ocidental oasís entrincheirado
Eterna periferia

Como é triste tentar recordar-te em retina ausente

Tua geografia já me falha
Tua gastronomia já não me sabe a vida
Ês estranho mas belo
Indefinido mas simples
Sinto-me como um amnésico que volte a reviver o teu sentir de forma diferente
Aquelas novas sensações vindo del olvido
Vindas do silencio quebrado pela respiração mecânica
Sinto a tua falta neste exílio

Continuarás a considerar-me filho?
Terei amparo em teus braços?
Não te conheço!
Ficciono-te
Nada mais... Nada mais!
Não passo de mais alguém que te abandonou
Eterna mãe solteira
Ocidental praia abandonada
Deixei-te nas mãos deles! Deles todos!

E como em todo o lado os vermes se refastelam com as tristezas de outros nós que somos...
Somos incrivelmente patéticos
Não vemos quanto sofres
Quanto suspires


Serás o eterno povo que sofre nas mãos desses aristocratas do novo ordem
Desses energúmenos que mantém o status quo sem cambio nem mudanças
Que te deixem viver na miséria e ignorância meu triste povo
Que te vendem todos os dias a hora do jantar
Malditos informativos de um pais de mil maravilhas que agoniza na pobreza de seu fado triste

Vendem-te em fatias
Vendem-te descaradamente a cada hora, a cada dia... vendem-te como escravo aos amigos internacionais do capital

Em cada instante se clava bem fundo nesta nossa carne a putrificar esse punhal de opressão
Esses charlatães sempre viveram no manto de seda do topo da pirâmide
Sempre afiaram em meio de rubís e ouro negro esse punhal sorrindo frente a flashes e bebendo em copos de cristal a promissora conclusão de um novo assassinato

Não te conheçam pobre povo
Esfolam-te
Assassinam-te!

Governam-te esses incultos da verdade.
Geram-te como imperialistas degradantes e ignóbeis
Ês o escravo que trabalha e sofre
Ês a província... O campo que alimenta essa puta que se exibe diariamente e quotidianamente a maldita hora de (des)jantar

Deprimo-me!
Que mais posso fazer?


Vazio minha alma de lágrimas
Abro o caminho a pena
E sinceramente...
Sinceramente espero que quebre esse punhal

Espero...
Pacientemente espero...
Espero que um dia este texto explode
Que um dia te dê vida
Que esse dia seja passado

Bye triste povo
Farewell ocidental praia
Adeus


Entretanto impunes... E em todo o lado...
Esses vermes se refastelam com essas tristezas que outros nós somos...



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