terça-feira, 30 de setembro de 2008

Abertamente

Pergunto-me, e este é o meu descanso.
Relativa esta acalmia... há dias no meu ser.
E pensar, ou ler...
Este estar, este ver...
Sentir? Porque não?
Serena... mais leve...tenho uma pena em mão.
Ao escrever, acorda-me o vento do agora...
de nunca querer acreditar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Descrição coitada de reprodução colorida de paisagem sem figura

Sol-posto
de mau gosto
mal reproduzido
de postal
infeliz.
Pior fora o dia
dia de não contar
como tantos!
Existir tanto
pra viver tão pouco!
Minha mágoa incolor
vadiava em redor
e via com desdém
a terra aqui
e o mar além.
Cai névoa no meu sentir
névoa morna
como o hálito do quarto do covalescente.
O herói do meu sonho
quer estar só
que não o vejam a descansar.
Está a estudar o papel
da minha loucura
pró representar.
Toda a loucura é assim:
negra como a pessonha
e cheia de luz por dentro.

de José de Almada Negreiros

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Dormitóprio


Raiva eleita como a mais bela das mulheres!
Alegria madrasta, tantas vezes odiada como a mais bela de todas as outras!
Cão velho mirrado pela esgana!
Vidro polido com algodão
Raiva és mulher! E mais...
Alegria, que tantas vezes reprimes o não!
E não queres, porque és bela demais.

Vergílio Torres