sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Uma bomba relógio no peito


É melhor
fechares
os olhos,
meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.

Os ventos todos
fechados dentro
da minha mão.
quantos ciclones
queres?

Procurava
nos outros a
ternura, mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina

Aquele
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.

Éramos
rebeldes por
sistema,
a sonhar uma
revoluçao por dia.
à tardinha,
na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.

O terrorista
apaixonado
carregava, às
escondidas,
uma bomba
-relógio
. era
no peito. era o
coração.
Em contagem decrescente
Dez, nove, oito, sete
Cresces
Seis, cinco, quatro
E entras dentro de mim
Três, dois, um
Fogo de artifício.
Constelações de estrelas.
O teu olhar que queima.
[Foto: Graça Loureiro
Música: Naifa]
(Também aqui)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Da série roupa vermelha: as calças

(amanhã vou comprar umas calças vermelhas porque não tenho rigorosamente nada a perder contei um a um todos os degraus sei quantas voltas dei à chave sublinhei as frases importantes aparei os cedros fechei em código toda a escrita. amanhã comprarei calças vermelhas fixarei o calendário agrícola afiarei as facas ensaiarei um número abrirei o livro na mesma página descobrirei alguma pista)
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